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Aposta na tecnologia

Para driblar a distância entre aluno e escola, Estado do Amazonas investe em aulas via satélite

Um dos principais problemas no Estado do Amazonas é a interrupção precoce dos estudos. Por causa das longas distâncias e da dificuldade de acesso às escolas, muitas crianças e jovens das áreas rurais param de estudar no ensino fundamental. Outra dificuldade é fazer com que os professores cheguem a essas localidades, onde normalmente só se chega de barco e depois de dias de viagem.

A solução encontrada para resolver esses entraves foi a tecnologia: cerca de 30 mil alunos, em 1,5 mil municípios, estão cursando o ensino médio regular no período noturno com aulas transmitidas em tempo real via satélite. Assim,  têm a oportunidade de prosseguir nos estudos. As aulas são ministradas diariamente nas escolas municipais. O curso se enquadra em todos os requisitos legais.

Como as aulas são simultâneas, alunos de diferentes localidades podem interagir e fazer suas perguntas, tornando a aprendizagem mais dinâmica. "Testamos vários modelos, até que chegamos a esse formato em 2007. Os resultados têm sido bastante positivos, sobretudo porque estamos chegando a lugares onde não havia oferta de ensino médio", analisa José Augusto de Melo Neto, coordenador do Centro de Mídias da secretaria estadual de Educação do Amazonas.

Ele conta que, em 2007, ano de implantação do programa, o abandono foi de 16%, abaixo da média brasileira para o ensino médio noturno naquele ano, cerca de 26%. "Desde então, os resultados só estão melhorando", comemora. Mas, para que o aluno se mantenha na escola, o coordenador destaca que é fundamental atentar à infraestrutura, garantindo transporte até a escola e energia elétrica para as escolas.

Além promover a inclusão, as aulas a distância suprem – ainda que parcialmente – outro grave problema enfrentado por várias redes de ensino:  a falta de docentes. "As aulas específicas são ministradas em estúdio para todos os alunos simultaneamente. Em cada sala de aula, há um professor com licenciatura plena", explica Melo Neto. Ao todo, são 1,2 mil docentes envolvidos na iniciativa, dos quais 35 ficam nos estúdios. Os demais são do próprio município.


Parcerias


A viabilização do programa depende de parcerias com as prefeituras, que cedem as salas de aula em escolas municipais, onde são instalados os equipamentos. As aulas são ministradas à noite porque, normalmente, os prédios não são utilizados nesse período. As parcerias funcionam por adesão dos municípios. "Oferecemos a todos. Quem quiser e tiver condições de ceder uma sala de aula participa", diz. Melo Neto também considera a participação dos pais importante para pressionar os dirigentes a trazer o ensino médio à sua cidade. "A parceria e a divisão de responsabilidades é fundamental, senão não funciona", pontua.

De acordo com o coordenador, a implantação das plataformas para as aulas a distância em municípios remotos do Amazonas não está beneficiando só as crianças e jovens antes excluídos da escola. Os equipamentos também estão sendo utilizados para treinar professores, fazer reuniões entre gestores e até por outras áreas do governo do estado, como a secretaria de Saúde. Amplia-se, desse modo, a interação, o diálogo, ao mesmo tempo em que se otimiza tempo e dinheiro.