O ensino superior pós-covid

O processo de ensino-aprendizagem tende a ser ressignificado, afirma o doutor em Educação, Júlio Furtado

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Por Júlio Furtado*: O ensino superior certamente terá que sofrer mudanças e adaptações em seus processos e estruturas no período pós-pandemia. Tais mudanças ocorrerão desde o realinhamento de custos até a ressignificação da relação ensino-aprendizagem. De forma geral, algumas consequências mais imediatas devem ser sentidas. A evasão é a primeira delas, especialmente nos cursos presenciais.

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As IES com expertise em EAD tendem a sentir menos a evasão por conseguirem ser mais efetivas no oferecimento de atividades remotas de qualidade em seus cursos presenciais. O aumento no uso de tecnologias no período de pandemia também favorece às IES que possuem experiência com o ensino a distância no processo de captação de novos alunos. O nível de atratividade acadêmica combinado com baixos valores de mensalidade parece que terá sua importância ampliada num cenário de luta pela sobrevivência.

O processo acadêmico terá que passar por urgentes ressignificações. Não haverá mais espaço para resistências docentes com relação ao uso de Tecnologias de Informação e Comunicação, a aplicação de metodologias ativas e gestão de um ensino híbrido. Esses elementos certamente definirão uma relação pedagógica motivadora que sempre foi e no pós-pandemia será ainda mais um elemento essencial para a escolha da instituição e para a fidelização do aluno.

ensino superior pós-pandemia
Foto: Shutterstock

Presencial e online juntos

O ensino híbrido, já testado e legitimado em diversas instituições norte-americanas e europeias deverá entrar de vez para o contexto do ensino superior brasileiro. Sua introdução será facilitada pelo aumento do contato dos alunos com a tecnologia durante o período de isolamento. Caberá aos professores quebrar seus paradigmas diretivos de ensino-aprendizagem e abrirem-se à possibilidade de se tornarem facilitadores individuais da aprendizagem através da produção de itinerários pedagógicos e do acompanhamento da efetividade com que os alunos aprendem.

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O hibridismo já era tendência pedagógica nos cursos de EAD e passará a ser também nos cursos presenciais num mundo em que a transição do ensino presencial para o ensino a distância terá que ser cada vez mais automática e rápida, dada as contingências pandêmicas, econômicas e pedagógicas que estarão presentes nesse novo contexto “normal”. Essa distância deverá diminuir ao ponto de termos cursos verdadeiramente híbridos, potencializando o que há de mais efetivo nas duas modalidades. Esse novo contexto exigirá professores que transitem bem entre esses dois mundos e alunos que tenham cada vez mais autonomia intelectual e sejam cada vez menos meros consumidores de aulas expositivas.

*Júlio Furtado é doutor em Educação, consultor e ex-reitor universitário.

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