my site my site my site

Inglês no ensino básico é base para internacionalização do superior

Para o trabalho de internacionalização do ensino superior, é imprescindível que os alunos tenham inglês desde a educação básica e é necessário focar mais na proficiência e comunicação do que na parte gramatical, pouco usada no dia a dia

SHARE
,
inglês
A falta de base em inglês da educação básica não pode ser um limitador para que o ensino superior atue nesse desenvolvimento de cidadãos globais (foto: Envato Elements)

Uma das partes essenciais para ter um projeto de internacionalização do Ensino Superior de qualidade é o conhecimento de línguas, principalmente o inglês – idioma mais falado do mundo e que está presente em cerca de 80% dos textos científicos e publicações de autores e pesquisadores.

Como abordamos ao longo desse tempo, principalmente no artigo anterior, a pandemia trouxe uma grande tendência de internacionalização em casa, algo que reforça a necessidade de disciplinas que sejam oferecidas totalmente em inglês, na graduação e pós-graduação em território nacional.

Leia: Internacionalização em casa é a saída

O cenário brasileiro do inglês na educação básica

Para conseguir oferecer essas disciplinas e ter participação dos estudantes, é necessário que o aluno já venha com conhecimento de inglês da educação básica. Porém, um estudo do British Council mostra que apenas 10,3% dos jovens de 18 a 24 anos dizem saber inglês e o percentual é ainda menor se considerarmos pessoas mais velhas, chegando a 5,1%.

Levando em consideração apenas a comunidade acadêmica, para quem os programas de internacionalização são voltados, de acordo com uma pesquisa do programa Idiomas sem Fronteiras, apenas 77% da comunidade brasileira chega até o nível B1 na definição do Common European Framework of Reference for Languages (CEFR), o que representa uma proficiência intermediária.

Por mais que o inglês seja disciplina obrigatória de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), essa inserção aconteceu de maneira mais tardia no Brasil, somente no ano passado, e, em paralelo, temos uma realidade em que, no geral, as aulas oferecidas nas escolas são mais voltadas para gramática e aspectos pouco práticos no incentivo para que os alunos realmente se comuniquem e se expressem na língua.

Essa realidade está ligada ao fato de não haver, ainda, uma política de desenvolvimento que contemple todos os docentes. Dos 62 mil professores de inglês para os ensinos fundamental e médio, há uma grande parte que ainda não está adequadamente habilitada para ensinar a língua para alunos, afinal a única exigência do MEC para educadores que ensinam dentro da grade curricular no ensino fundamental I, II ou médio é licenciatura na área e pedagogia (principalmente para fundamental I). Porém, não há uma exigência de nível mínimo de inglês para os docentes e, geralmente, eles são preparados somente para ensinar o inglês instrumental, pouco focado na proficiência do idioma.

Como isso afeta a internacionalização?

O cenário colocado acima causa impacto direto nos programas de internacionalização no ensino superior, pois um número considerável de alunos chega sem o preparo necessário para interagir com materiais e aulas ministradas no idioma, algo que tornou-se ainda mais comum nesse período de crescimento da internacionalização em casa.

Entretanto, o ecossistema da educação trabalha com a formação de indivíduos para o mundo. Ou seja, com as habilidades necessárias para que colaborem enquanto sociedade para solucionar as grandes questões da humanidade. E a falta de base em inglês da educação básica não pode ser um limitador para que o ensino superior atue nesse desenvolvimento de cidadãos globais.

Ela representa sim um desafio a mais. Mas, não é algo impossível de ser feito. Essa implementação passa, é claro, pelo estabelecimento de uma política de idiomas. Mas, em paralelo às iniciativas da educação básica, uma das respostas para reagir ao cenário do país é ampliar a oferta de cursos de inglês dentro da grade universitária.

O que tem dado certo:

Um ótimo exemplo de como isso funciona com maestria é a maneira como a universidade de São Paulo (USP) passou a oferecer cada vez mais cursos presenciais e online para seus alunos e conseguiu obter uma mudança drástica apenas democratizando o acesso a esses cursos e exames de proficiência.

E todos os cursos da USP levavam em conta quatro pontos principais, para também apoiar a área de internacionalização dos cursos. Eles são:

  • Exames de proficiência
  • Comunicação acadêmica em inglês para publicações em revistas internacionais
  • Submissão de projetos para agências de fomento
  • Domínio de comunicação oral para congressos, palestras e cursos em inglês

Mas, indo além da oferta de cursos que podem suprir as lacunas do ensino básico, as universidades que possuem programas de internacionalização também estão focando em formar professores mais qualificados para o ensino do inglês e que possam repensar o currículo atual das escolas para incluir materiais que sejam mais úteis em formar alunos com domínio da língua inglesa.

Para o trabalho de internacionalização do ensino superior, é imprescindível que os alunos tenham inglês desde a educação básica. Mas, muito mais do que apenas acrescentar a disciplina no currículo, ainda temos um caminho a percorrer em relação ao conteúdo que está sendo passado em sala de aula para os alunos. É necessário focar mais na proficiência e comunicação do que na parte gramatical, pouco usada no dia a dia.

Alberto Costa é senior assessment manager américas, na Cambridge Assessment English

Leia também:

Educação como lugar de fomento ao empreendedorismo inovador

Marketting educacional surfana onda dos influenciadores

Comentários

comentários

 youjizz

best replica watches

  blog.aidol.asia youngteens.net a-coon.com

PASSWORD RESET

LOG IN