Como reter os estudantes do campo

Faculdade gaúcha adota a pedagogia da alternância para dar oportunidade aos jovens que precisam estudar, mas não podem abrir mão do trabalho

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Por Ana Júlia tiellet

No Rio Grande do Sul, o número de pessoas que vivem no campo caiu 37% nos últimos 30 anos. No Brasil todo, apenas 15% da população brasileira vive em áreas rurais, de acordo com o IBGE (Pnad, 2015). A falta de interesse das novas gerações em assumir a propriedade rural de suas famílias é uma das causas da evasão rural.

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Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) com 743 filhos de agricultores do estado, o baixo interesse se deve, prioritariamente, à falta de incentivo da família, ao não investimento em modernização e tecnologias para o trabalho e à falta de autonomia ou abertura para que eles participem de forma mais determinante na gestão dos negócios.

Inovação acadêmica

Nesse cenário, as formas tradicionais de ensino superior apenas acirram as diferenças geracionais e colaboram para que os jovens deixem o campo. Para vencer esse problema, é preciso uma mudança de mindset da parte dos educadores.

Essa foi a aposta da Faculdade Santo Ângelo (FASA), localizada no Rio Grande do Sul. Com apenas um ano de funcionamento, a instituição iniciou seus trabalhos oferecendo uma solução diferente aos jovens da zona rural. Considerando que o modelo tradicional de ensino os afasta de suas famílias e até mesmo do ensino superior, a instituição adotou a pedagogia da alternância, criada na França, em 1935, pelo sacerdote Abbé Granereau.

Nesse modelo, que foi repaginado e ampliado pela FASA, as aulas são oferecidas de modo concentrado durante uma semana (manhã, tarde e noite), com possibilidade de o estudante hospedar-se no campus. Nesse período, eles participam de aulas práticas e teóricas, visitas técnicas e leituras. Os professores trabalham com metodologias ativas e aprendizagem baseada em projetos.

estudantes do campo
Aulas concentradas: em uma semana por mês para permitir que os estudantes do campo continuem trabalhando (Thayan Lisboa/Assessoria FASA)

Fortalecimento

Após a semana de aulas, o aluno retorna para casa por três semanas. Nesse período, ele realiza projetos e estudos e, principalmente, tem a oportunidade de dar continuidade ao trabalho na propriedade da família e aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula. A opção está disponível para as graduações de Medicina Veterinária e de Agronomia.

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“Criamos uma oportunidade para que os jovens do campo continuem seus estudos, aprofundem conhecimentos e, ao mesmo tempo, mantenham-se no seio familiar e potencializem a produção de suas propriedades”, argumenta o diretor-presidente da FASA, Rafael Rossetto.

A agricultora Emanueli Klatt, 19 anos, já havia cursado alguns semestres de outra graduação, em outra instituição, mas não continuou os estudos justamente por não poder ausentar-se da propriedade rural da família. “Hoje, graças à alternância, consigo fazer o que realmente planejei para minha vida.”

“A inteligência artificial, o Big Data e tantas outras tecnologias estão ao nosso alcance, mas de nada adiantam se não alcançarmos cada um desses jovens que estão no campo e querem aprender mais, para que a vida deles e de suas famílias seja melhor. O futuro será dos robôs, mas é nosso também”, finaliza Rossetto.

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