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Por que precisamos nutrir a mentalidade criativa nos estudantes?

21 de abril é dia mundial da criatividade e inovação, pelo calendário da ONU. “Habilidade essencial para o século XXI” | Mentalidade criativa


Você já parou para pensar sobre quando foi a última vez que você criou algo realmente novo e original? Quantas ideias é capaz de gerar a partir do mesmo assunto?  Quantos usos diferentes sobre algo poderia propor?  O que fazer com uma ideia? Ou mesmo, quais soluções apresentaria para um problema ou como resolveria determinado desafio?  A criatividade é a habilidade essencial do século XXI.

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Desde 2017, a Organização das Nações Unidas (ONU) incluiu no seu calendário o dia mundial da criatividade e inovação, celebrado no dia 21 de abril. A data foi criada para lembrar a população sobre a necessidade de solucionar os problemas sociais em consonância com 17 objetivos do desenvolvimento sustentável.

Não sei se você se considera criativo, mas o fato é que todos nós podemos sê-lo e usar a criatividade. Basta expandir seu potencial e encontrar soluções criativas e inovadoras.

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Foto: reprodução

Pessoas criativas conseguem compreender a fluidez da vida e por isso, geralmente se afastam de ideias, parâmetros e comportamentos considerados rígidos, fixos e imutáveis. A criatividade é quando conectamos o repertório e o processo para desenvolver uma solução que agregue valor.

Fortalecimento da técnica com habilidade pessoal

Com a disseminação do acesso à internet e o estreitamento das formas de comunicação entre pessoas, a busca por profissionais cada vez mais criativos, capazes de gerar ideias tem sido recorrente. Diante desse cenário, as instituições e empresas estão ávidas por mentalidades criativas que fortaleçam a sua formação técnica com habilidades pessoais para apresentar melhorias e estratégias inovadoras independente da sua área de atuação. Mas o que é de fato, uma mentalidade criativa?

Mentalidade é um conjunto de suposições, métodos e ideias mantidas por um indivíduo ou exercidas por um grupo, logo a mentalidade criativa trata-se de um modo de pensar, sentir e expressar de forma consistente, aberta, não fixa ou fechada. Pode ser compreendida como o resultado de um estado mental estimulado a partir dos conhecimentos (adquiridos de maneira formal ou não), habilidades (aplicação prática dos conhecimentos) e atitudes (comportamento diante das situações), que permitem a geração de diferentes ideias e que, quando direcionadas e aplicadas passam a gerar resultados inovadores agregando valor.

Por que nutrir a mentalidade criativa dos estudantes?

Muitos estudantes consideram o pensamento criativo um grande desafio. Um dos motivos que explicam esta dificuldade está em nosso sistema educacional, no qual enfatiza fortemente o pensamento analítico em detrimento do pensamento criativo. Os estudantes estão tão acostumados com a abordagem de “uma resposta certa” em um modelo educacional que raras vezes aborda a possibilidade de resolver problemas abertos com várias soluções potenciais.

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  O problema é que na medida que fazemos a transição da economia do “conhecimento” para a economia “criativa”, estamos criando uma lacuna de criatividade cada vez maior, pois os profissionais estão cada vez menos preparados para contribuir significativamente para os novos tipos de problemas sociais, econômicos e políticos.

No livro “Seja singular: as incríveis vantagens de ser diferente” os autores Petry e Bündchen (2018) compartilham ideias sobre o poder da singularidade e como o modo de pensar impacta nas nossas próprias vidas. Umas das perguntas que chama mais atenção e me coloca em constante estado reflexivo é a seguinte:

“Por que seu modo de pensar é mais importante que sua inteligência, seu talento e suas oportunidades?”

Acredite ou não, mas o mundo de hoje está cheio de ideias incríveis que nem passaram pelo estágio inicial. Para conquistar algo, é preciso ter convicção forte o suficiente para resistir a opiniões contrárias, em alguns momentos até chacotas e deboches. É preciso aplicar a mentalidade criativa. Uma mente criativa é capaz de criar e melhorar os produtos, serviços e modelagens que impactam positivamente na experiência do usuário. Uma mentalidade capaz de gerar mais valor para o mundo.

O nosso cérebro está sempre nos oferecendo um leque de possibilidades, mas apenas gerar ideias, não é suficiente. O que as pessoas com mentalidade criativa têm de diferente é o repertório amplo e a capacidade de recorrer a ele.

Trata-se de desmontar e montar novamente as próprias vivências, experiências e saberes. É combinando o que se sabe com o que se conhece que se cria algo novo.

Se as escolas (ou mesmo espaços de trabalho corporativos) tiverem um ambiente onde haja discussão de projetos, aceitação de sugestões, troca de ideias e que não se pratique a crítica destrutiva, a tendência é de se criar cada vez mais. O fato é que por trás de uma ideia que inicialmente possa parecer estranha é na verdade onde ocorrem as maiores possibilidades de inovação e disrupção.

Da emoção à normalização das coisas

Mas antes de aderir imediatamente a esta ideia que compartilho, quero que reflita sobre um ponto essencial. Já percebeu como algo novo parece emocionante inicialmente, mas logo é incorporado em uma normalidade? Quer exemplos? Smartphones e vacinas. Smartphones e vacinas revolucionaram o mundo e são rapidamente incorporadas no cotidiano.

Mesmo sendo criações humanas altamente relevantes e incríveis pelo valor que gera na vida das pessoas, logo se tornam invisíveis aos olhos. Simplesmente algo normal, corriqueiro. É como se perdêssemos rapidamente a possibilidade de maravilhar-nos.

O problema é que esta normalização continua impactando o modo como fazemos as coisas. Modelos pedagógicos, modelos de gestão, modelos de gerenciamento. Sabe aquele pensamento: Por que mudar se já fazemos assim há tanto tempo? Ou ainda: “Sempre funcionou assim”. É importante ter a clareza de que o que e como se faz e até o momento nem sempre garantirá o sucesso nos próximos anos.

O estudo “Projetando 2030: uma visão dividida do futuro” liderado pela Dell Technologies ao IFTF (Institute For The Future), analisou os impactos dessas tecnologias até 2030. A pesquisa foi aplicada em 3.800 líderes de médias e grandes instituições de 17 países, incluindo o Brasil. Com base no levantamento realizado, estima-se que 85% dos trabalhos que existirão em 2030 já serão novos.

Com a constante aceleração e transformação, certamente novas competências deverão ser requeridas, o que impacta diretamente na necessidade de modificar o sistema educacional. Para se ter uma ideia, a mesma pesquisa indicou que 56% dos entrevistados afirmaram que as escolas e universidades precisam focar seus esforços em ensinar como aprender, e não necessariamente o que aprender, com o intuito de desenvolver habilidades como raciocínio lógico, criatividade e capacidade de autonomia.

Cinco habilidades se mostram primordiais, neste cenário:

1) mentalidade criativa;

2) lógica;

3) inteligência emocional;

4) atuação em cenários complexos e

5) conhecimento tecnológico.

Conclusão: A capacidade de desenvolver novas habilidades e uma mentalidade criativa será incrivelmente necessária e isso significa que saber aprender é mais relevante do que conhecer profundamente como se executa uma determinada tarefa.

Para estimular a criatividade, as instituições de ensino precisam oferecer oportunidades para que os estudantes pensem de forma independente para apresentar ideias e perspectivas originais. Ao explorar ideias fora das normas convencionais, resolver problemas reais no campo de atuação profissional, os estudantes constroem confiança criativa.

É preciso ter disposição para aprender novos conhecimentos em todos os lugares, em todos os momentos. O estudante precisa compreender a necessidade de manter uma atitude de curiosidade, fazer perguntas, questionar, se possível, o tempo todo. Por isso, ajudá-los a elaborar perguntas, aplicar diferentes estratégias, usar dinâmicas de ativação será altamente produtivo neste processo.

Investir no processo criativo ajuda a antecipar tendências, estimula a coragem e a ousadia, facilita a comunicação, fomenta a diversidade e cria condições de superação de limites e desafios impostos.

Eu acredito que criar e desenvolver produtos, serviços e experiências que geram valor na vida das pessoas é o que consolida positivamente a carreira de um profissional. Que tal aproveitar o dia mundial da criatividade e inovação para começar um novo projeto com seus estudantes? Viva o Dia Mundial da Criatividade!

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Thuinie Daros

Thuínie é co-fundadora, consultora e palestrante na Téssera Educação e head de cursos híbridos e metodologias ativas na Unicesumar. Escreve mensalmente em sua coluna para Plataforma Ensino Superior.