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O fotógrafo invisível

Entre os desafios de registrar o cotidiano escolar sem ser percebido está o fascínio que a câmera fotográfica desperta nas crianças

Publicado em 06/09/2013

por Gustavo Morita

A imersão no ambiente escolar é desafiadora. Captar a espontaneidade do cotidiano é quase impossível quando entramos com uma câmera em uma escola. Vários são os motivos para a dificuldade de se misturar sem ser percebido, mas a principal talvez seja o fascínio que uma lente e uma pessoa diferente despertam nos alunos, especialmente nas crianças. Ao ver o fotógrafo, começa a confusão de mil alunos abordando com perguntas e poses: “tio, tira uma foto nossa?”, “agora a minha!”, “deixa eu ver?”,  “tá filmando?”. É preciso no começo gastar alguns cliques com isso, senão eles nunca o deixarão em paz para seguir com a reportagem. O reconhecido fotógrafo Sebastião Salgado já relatou essa questão. Ele costumava ser abordado por muitas crianças nos campos de refugiados que visitava enquanto produzia fotos para o livro Êxodos. A estratégia para conseguir continuar trabalhando foi prometer que clicaria cada criança separadamente depois. Assim, elas ficavam satisfeitas e deixavam o fotógrafo à vontade. Mais tarde, examinando os negativos, Salgado se animou com o resultado dos retratos. A prática virou hábito e se transformou no livro Retratos de Crianças do Êxodo. Esse fenômeno não é exclusivo da infância ou da juventude. Os próprios professores ou qualquer um tende a mudar seu comportamento natural quando está em frente a uma câmera, o que é absolutamente normal. Entrar na sala de aula é ainda mais difícil, e tocar a aula normalmente com um sujeito estranho andando pela sala apontando uma lente para todos os lados quebra muito da espontaneidade das reações. Ficar invisível seria o ideal, mas chamando a atenção desse modo é praticamente impossível. A solução, portanto, é dar tempo ao tempo e aos poucos alunos e professores se acostumarem à presença do fotógrafo a ponto de esquecê-lo. Nessa condição basta ficar atento aos instantes reveladores, expressões, coisas que acontecem em segundos. É mesmo uma questão de paciência, como bem sabem os professores. A escola é um dos ambientes mais dinâmicos que se possa imaginar e uma sala de aula pode mudar repentinamente várias vezes durante uma aula. É até difícil imaginar uma aula igual a outra, por mais que o conteúdo seja o mesmo. O que importa na verdade é, além de estar na hora certa e no lugar certo, não deixar que o momento escape.


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Autor

Gustavo Morita


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