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Diário de Isadora Faber – uma versão

Um dia com a família da menina que chamou a atenção dos brasileiros para a educação pública em 2012 com suas opiniões em uma página na internet

Publicado em 08/01/2013

por Camila Ploennes







Alberto Goulart
Isadora (centro), brinca com Pedro (fundo), Marília (esquerda) e Melina (direita), depois de fazer os trabalhos da escola

Em um dia nublado de novembro, Isadora Faber recebe quieta a reportagem às sete e meia da manhã em sua casa. Fala “oi”; depois não fala mais nada, e treme um pouco. Talvez de frio, pois está com os cabelos molhados e a manhã está fria. A mãe, Diamela Leal Faber (ou apenas Mel, como é conhecida), reclama de Isadora não ter secado os cabelos. “Não dá tempo, eu preciso ir”, responde com veemência. No caminho, a menina de 13 anos, que ficou conhecida nacionalmente pela página “Diário de Classe – a verdade…”, no Facebook, não parece confortável e pede um pouco de espaço ao chegar perto da sua escola, a Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, na Praia do Santinho, em Florianópolis (SC). Estava, na verdade, com receio de que a companhia de um repórter chamasse a atenção para a presença dela lá. Preocupação justificada, especialmente depois de alguns dias de relativa calmaria desde que sua página começou a ganhar popularidade pelo país.


Desde julho, “Diário de Classe” tornou públicos os problemas cotidianos da unidade de ensino. A reação hostil de alguns é reflexo de postagens referentes a assuntos polêmicos, como críticas à aprovação automática, publicadas ao lado de seu boletim completo, com todas as notas acima da média: “Hoje entrei oficialmente de férias. Eu e toda escola, pois não tem recuperação. Também, acho que não precisa, já que tem aprovação automática. Assim é bem ‘democrático’, passa todo mundo, alunos bons, alunos ruins, bagunceiros. Alunos sem condição nenhuma de ir adiante foram aprovados, assim é fácil fazer índices”.


A crítica da menina coincide com a opinião de seus pais. Gaúchos de Pelotas, os produtores de vídeo Mel e Christian Faber, assim como Isadora, também dizem ser contrários a sistemas de cotas e favoráveis à vigilância de alunos por câmeras em sala de aula  temas colocados em debate na página e discutidos na hora do almoço em família. À Educação, Mel diz que a filha caçula, a única “manezinha” da casa, referência local aos nascidos em Florianópolis, sempre foi polêmica: “Muitas vezes ela não tem opinião formada sobre certo assunto e questiona. A Isa levanta as coisas para ver o circo pegar fogo, falando pouco e falando baixo; as pessoas não acreditam que é ela, mas é”.

Leia mais:
> Veja na íntegra a entrevista com a diretora do E.M. Maria Tomázia Coelho, Liziane Diaz

>Conheça os índices da escola de Isadora Faber

Brigas no portão
A Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho fica a cerca de 200 metros da casa de Isadora. No caminho, a menina encolhe as mãos para dentro da manga da blusa rosa, que usa por cima do uniforme. Na altura de um mercadinho da Estrada Vereador Onildo Lemos, ou na “Geral”, como todo mundo fala por ali, ela para de andar e avisa que esqueceu o celular. Quase dá meia-volta, mas Eduarda, a irmã mais velha, diz para todos continuarem, enquanto ela busca o aparelho considerado o “instrumento de trabalho” de Isadora. Naquela tarde, ela traria a foto da merenda do dia: pão de forma com leite condensado e café com leite. “Hoje está bom… tem dia que eles dão sopa, em pleno verão, às dez e quinze da manhã”, avalia Mel.


Pouco antes de onde começa o muro da escola, Joice da Rosa, amiga da família, abraça a menina e fala “bom dia” a Eduarda e Mel. Joice é mãe de Pedro – amigo e colega de classe de Isadora. Ela faz parte da Associação de Pais e Professores (APP) e é quem vai à escola com mais frequência para conversar com a diretora ou os professores, tanto sobre seus filhos quanto sobre Isadora, a quem chama de “minha menina”. “A Mel não entra mais na escola, porque querem que ela saia do eixo. Eu tenho um filho que já passou por ali, tenho um na classe da Isa, outro na 2ª série e tenho um pequeno que ainda vai passar por lá. Então eu entro quando tem algum problema”, justifica.


No início de novembro, Joice registrou um boletim de ocorrência pela ameaça sofrida por seu filho de 8 anos, José Luiz, dentro da escola. Segundo o menino, por uma aluna de 15 anos, filha do pintor da quadra de esportes criticado no Diário de Classe por ter recebido o pagamento sem ter feito o trabalho. “Foi porque meu filho é amiguinho da Isa”, diz Joice. Já a mãe de Isadora afirma que não passa mais do portão da escola depois de presenciar a filha ser xingada na hora da entrada. “Eu tirei o guri da frente dela na hora. Vai tomar banho, né?!”, conta Mel, indignada.


Quando Eduarda chega com o celular, Isadora continua andando até entrar sozinha na escola. Com as mãos nos bolsos da blusa, ela se despede. Na companhia de Joice, Mel e Duda voltam para a casa, situada a cinco minutos de caminhada da praia. As residências por ali são espaçosas e a dos Faber não é diferente. As paredes pintadas de branco e a cozinha, a copa e a sala distribuídas em um ambiente sem divisórias contribuem para o interior da casa parecer mais amplo e deixar entrar a luz natural.

Oradora em ascensão
Atrás da mesa de jantar, há uma tela pequena com um desenho abstrato que parece resultado de uma aula de arte na escola, mas é presente de um conhecido da família “um doido que morava aqui na rua de trás; a gente conversava de vez em quando, ele vinha tomar um chimarrão, depois se mudou lá pro Campeche”, conta Mel. O tecido das bordas da tela já está se despregando pelo desgaste do tempo. Ao seu lado esquerdo, estão penduradas molduras menores com as fotos das três filhas, por ordem de chegada: Ingrid, de 25 anos, Eduarda, de 16, e a caçula Isadora. Na sala, uma porta-balcão leva ao quintal, um espaço gramado com uma pequena piscina ao fundo. “Ali na beirada é o lugar preferido da Isa para escrever no Diário”, aponta a mãe.


No aparador, perto da cozinha, fica um quadrinho de madeira com a inscrição “Deus abençoe esta bagunça”. O item de artesanato é uma aquisição de Isadora em Ilhéus (BA), onde participou de um talk-show para 700 pessoas durante um seminário do Ministério Público da Bahia, sobre educação, saúde e respeito aos direitos humanos. O tema de seu painel foi “Primavera estudantil: o aluno como sujeito de direitos e a influência das redes sociais”. Mel acompanha a filha em todos os eventos e diz que nada disso atrapalha o rendimento de Isadora na escola. “Ela está curtindo, porque a coisa partiu para um lado muito bom. Ficamos quatro dias na Bahia nesse seminário de cidadania, fomos a São Paulo para ela participar de uma conferência da área de publicidade, sobre como lidar com as críticas, e eu acho que ela está melhorando para falar em público”, avalia. “A Isa se apresentou muito bem, falou que morava na Praia do Santinho, uma das mais bonitas da ilha, e que tem um título do qual ela sentia muito orgulho, que é o de praia mais limpa do Brasil”, lembra.








Alberto Goulart
Isadora acessa o Diário de Classe em um de seus lugares preferidos da casa
Enquanto serve café, Mel conta que as viagens de Isadora permitiram não só que a menina falasse sobre sua experiência com sua página, mas também ouvisse sobre realidades bastante diferentes da dela e de sua escola. “Lá na Bahia, o promotor de Justiça Clodoaldo Anunciação já conseguiu entrar em mais de 50 escolas fazendo o que a Isadora faz: ele fotografa tudo o que está errado e faz a denúncia. Só que ele faz pela força da lei o que a Isadora faz pela força da exposição”, compara. “Ele contou para ela que chegou numa escola da zona rural e viu que a cozinheira usava a mesma panela em que fazia a comida das crianças para guardar as escovas de limpar vaso sanitário. Ele disse que a verba ia para a escola, que a diretora falou que tinha tudo, inclusive nutricionista, mas as crianças comiam só um tipo de mingau. Na primeira semana, quando ele botou ordem na casa, as nutricionistas começaram a fazer a merenda e as crianças começaram a passar mal, porque não estavam acostumadas a comer!”, relata Mel, com espanto.


Personalidade
O ano de 2013 está só começando, mas Isadora já tem compromisso extraclasse marcado para fevereiro, quando deve participar de um evento organizado por estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mel conta que a exposição não “subiu à cabeça” da menina. Segundo ela, os convites para participar de eventos não têm influência negativa sobre o comportamento da filha com as pessoas à sua volta. “Eu sempre chamei a Isadora de terrorista, defensora dos ‘frascos’ e ‘comprimidos’, brinca Joice. E Eduarda exemplifica: “Faz uns dois anos, a Isinha bateu em uma guria que ficou ‘zuando’ uma amiguinha dela”. “Ela chegou dizendo ‘Mãe, hoje foi a última vez que eu falei com a Yasmin, então pode esperar bilhete do colégio'”, completa Mel.


Quando estava em Ilhéus, Mel foi surpreendida pela presença de uma ex-professora de Isadora no seminário. “Ela tinha ido embora de volta para o Rio Grande do Sul e ficou sabendo que a Isa participaria do evento. Ela disse que estava com receio de encontrar uma celebridade, mas que estava muito feliz de ter encontrado a mesma Isadora que conheceu no Maria Tomázia. E nós sempre alertamos mesmo: legal que está fazendo e acontecendo, que está na mídia, mas não pode tirar o pé do chão”, diz. Mel afirma que Isadora não tem sido paga para participar dos seminários.


A escolha da escola
Antes de fazer a página, Isadora já vinha reclamando da escola, apesar de gostar dela, mostrando-se empolgada com os trabalhos em grupo e a recente melhora em ciências, disciplina que afirma ser sua maior dificuldade. Eduarda também estudou na mesma escola, mas só até a 7ª série, quando a família conseguiu uma bolsa de estudos de 50% em uma instituição privada que fica no bairro do Jurerê, a uma hora de carro do Santinho. Com o desconto, a família investe R$ 800 por mês na educação de Eduarda, que vai de ônibus para o colégio, ao contrário de seus amigos, levados em sua maioria por motoristas particulares. Em 2014, quando for cursar o 1º ano do ensino médio, Isadora deverá ir para o mesmo colégio particular. “Lá eu tive uma aula sobre a minha irmã, por causa de atualidades [risos]“, diz Eduarda.


Mel conta que as diferenças entre as duas instituições são evidentes desde o começo, mas que é inviável financeiramente para a família acumular mais uma mensalidade, por isso a opção por manter Isadora na escola municipal. “Quando a Duda foi para o Energia, a Isa começou a comparar o colégio da irmã com a escola dela”, lembra. Eduarda voltava para casa chorando, ora porque o professor de inglês passava a aula toda falando somente inglês e ela não entendia uma palavra, ora porque o professor de matemática passava onze páginas de lição de casa em um único dia. “Ela era uma ótima aluna no Maria Tomázia, mas quando mudou para o colégio as médias dela caíram”, relata. No entanto, outra instituição pública da região nunca foi cogitada para Isadora, porque, na opinião de Mel, falta opção melhor do que a atual.








Alberto Goulart
Da esquerda para a direita, Mel, Christian, Isadora e Eduarda, nos fundos da casa, checam as mensagens que chegam na página
Hora de acordar a vó
Em novembro, dona Rosa Maria Leal, avó de Isadora, foi atingida por uma pedra na cabeça. O episódio não deixou qualquer marca em seu rosto. “Eu e a Joice achamos que foi pelo portão da frente; o Cristian acha que foi pelo muro do lado, que dá para um terreno abandonado”, diz Mel. Ela conta que naquela noite Rosa estava no lugar onde comumente fica: virada para a televisão, perto da porta-balcão que liga a sala ao quintal. Para Eduarda, o fato teve ligação com uma intervenção dela para proteger a irmã: “Foi um dia depois que eu fui falar com a guria que tinha ameaçado a Isadora. Antes de ir para minha aula eu passei ali na frente da escola para falar com ela. Eu falei para ela parar e ela ficou com medo, porque eu sou mais alta. Só que ela tem 15 anos, eu 16, não tenho culpa que ela é baixinha. A empregada da escola veio com uma vassoura para cima de mim, dizendo que eu ia bater na aluna do colégio, porque eu estava muito perto da Luana e apontando para o rosto dela. Eu não estava brigando, só conversando sério com ela”.


Em casa, dona Rosa recebeu os cuidados de um médico que já havia pesquisado sua doença quando participava do programa Saúde da Família.  Ele escreveu de próprio punho e caligrafia legível um documento atestando que a mãe de Mel é bem tratada no dia a dia. “As pessoas, inclusive professoras, começaram a dizer que a vó era maltratada. Quando a polícia veio investigar a pedrada, perguntou como ela dormia ou era cuidada; eu comentei com o doutor Henrique e ele escreveu o atestado”, conta Mel.


Antes de Eduarda sair para o colégio, perto das dez da manhã, dona Rosa precisa ser acordada de seu sono inquieto e levada para a sala de estar. Sentada em uma cadeira de rodas em frente à porta-balcão que liga a sala ao quintal e de frente para a televisão a mãe de Mel se movimenta todo tempo, olhando profundamente nos olhos das pessoas ao seu redor, mas sem falar nada. São as particularidades da coreia de Huntington, doença neurológica degenerativa e hereditária que começou a se manifestar há aproximadamente dez anos. “Até dormindo ela não para de se mexer”, afirma sua filha única.


Dona Rosa, de 65 anos, aparenta ter mais idade e inspira cuidados que muitos médicos nem imaginam devido à raridade da doença. “Eu fui com ela para fazer endoscopia e na clínica disseram que ela pararia com a sedação. E eu disse que não ia adiantar. A pessoa sedada dorme, mas, quando a minha mãe dorme, ela continua se mexendo. E claro que foi o que aconteceu”, explica Mel.


Depois do erro, o exame foi remarcado para outro dia, dessa vez com anestesia, no centro cirúrgico. “Eu fui quatro vezes ao Hospital Universitário [da Universidade Federal de Santa Catarina], porque os médicos não conhecem a doença, inclusive neurologista. Eu tive de ir para Curitiba com ela e tento levar uma vez por ano porque o médico de lá é muito bom, mas custa R$ 400 uma consulta”, relata Mel. Antes das consultas no Paraná, dona Rosa tomava nove remédios e, segundo Mel, os movimentos involuntários eram muito mais intensos. Hoje, são dois medicamentos durante o dia e um para dormir.


Rotina
Ao meio-dia, Isadora sai da escola e cerca de dez minutos depois chega em casa com o pai. Calmo, Christian fica no sofá enquanto Mel prepara o almoço e Isadora acaricia Ziggy, seu poodle. Christian diz que está tudo tranquilo na escola e conta que a menina só escreve no Diário à noite, depois de fazer seus deveres. “Ela não tem dado muitas respostas. Ela mais lê os comentários e responde as mensagens privadas, porque às vezes tu responde um e outro e pode ficar chato com o que não teve resposta. Então não responde nenhum”, explica. Enquanto isso, Defé, o outro cachorro adotado pela família, circula pela sala.


Isadora leva a vida com normalidade. Melina é sua amizade inseparável, assim como Pedro filho de Joice. Os dois estão sempre na casa de Isadora, seja para brincar, seja para fazer os trabalhos em grupo. Faz os trabalhos com os colegas na escola na parte da tarde, vai ao curso de inglês às segundas e quintas e também sai para passear com Ziggy. “Antes eu não podia levar ele para passear na rua, não podia brincar e não podia dar banho, porque era muito pequeno. Agora não quero mais fazer e sou obrigada”, diz Isadora, que emenda “Zyguinho, mas que coisa fofa que tu é”. “Ele não vai mais no petshop, porque morde todo mundo; ninguém mais quer atender ele e a Isadora tem que ficar lá junto com ele”, completa Mel.


“Nenhuma sobremesa pra visita, mãe?”, pergunta a menina, mostrando estar mais tranquila e falante do que na parte da manhã.







Entrevista Isadora Faber





Alberto Goulart
O que você teve hoje na aula?
Foi a semana de provas e hoje eu tive aula de matemática, uma revisão para a prova.


O que vocês estão aprendendo em matemática?
Ângulos.


De quais matérias você mais gosta?
Ciências e português.


Em qual você tem dificuldade?
Ciências, mas eu gosto e agora eu tô melhorando. Quer ver? Eu vou tirar 10 na prova!


Os alunos estão respeitando mais o espaço da escola?
Agora tem um monte de cartaz para não quebrar. Acho que estão respeitando.


Você disse que quer ser jornalista. Você gosta de redação?
A gente não faz muita redação na escola. Nem na prova.


Por que você quer ser jornalista?
Porque vários jornalistas vieram aqui e eu gosto do trabalho que eles fazem.


Sempre vem jornalista aqui?
É mais por telefone, mais para jornal.


Você gosta de ler?
Gosto. A gente pega livro na biblioteca.


O que você gosta de ler?
Agora eu estou lendo o Percy Jackson, o último… Eu comecei a ler a coleção, aí parei um pouco e agora voltei. Lá em São Paulo eu encontrei a autora [Annie Piagetti Müller] da Turma do Meet, ela falou que passa nas escolas, incentivando o pessoal a ler. Ganhei um autógrafo.


Você gostou da conferência de São Paulo?
Gostei.


Deu para conhecer um pouco da cidade?
Mais ou menos.


Está com fome?
Tô.


O que teve de lanche na escola hoje?
Pão com leite condensado e café.


E estava bom?
Tava, mas eu não gosto muito de café.


O que sua escola tem de bom?
O espaço físico é muito bom lá na escola comparado com a escola da minha irmã.


Você gosta de lá?
Eu gosto. Eu estudo lá desde a primeira série.


Nas reuniões que a escola faz vocês podem falar?
A gente pode falar, mas nunca resolvem nada. E logo que arrumaram a escola, os alunos estavam apoiando, mas depois os professores começaram a fazer campanha contra.


Algum professor já te apoiou?
Uma professora falou que o que eu estava fazendo estava certo, mas depois escreveu no Facebook que eu estava querendo fama em cima do colégio.


Você conversa com os outros alunos que fizeram outros diários de classe?
Eu criei um grupo e eles me perguntam as coisas e a gente tem ideias juntos.


E quando você mexe no Diário?
Eu vou na casa da minha amiga ou ela vem aqui a Melina, que começou a fazer o Diário comigo. Vou ligar pra Melina e perguntar se ela vai de short ou de calça, mãe…








O que dizem os números

Segundo dados de 2011, o estado de Santa Catarina tem o segundo melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Brasil nos anos iniciais do ensino fundamental (média 5,8), atrás de Minas Gerais e à frente de Distrito Federal e São Paulo. E tem o melhor índice nos anos finais (4,7) e no ensino médio (4,0). Já Florianópolis figura como a primeira capital do país no Ideb dos anos iniciais (média 6,0) e a quarta capital nos anos finais do ensino fundamental (4,6), atrás de Palmas, Campo Grande e Curitiba e à frente de Belo Horizonte.


Matemática – Na proporção de alunos que aprenderam o adequado* na resolução de problemas de matemática nos anos finais (até o 9º ano) da rede pública, Florianópolis (16%) está acima do Brasil (12%), mas está abaixo da média de Santa Catarina (17%). Em relação aos quatro municípios mais próximos geograficamente, Florianópolis está bastante abaixo de Antônio Carlos (42%) e acima de Palhoça (15%), São José (15%) e Biguaçu (11%).


Português – Na proporção de alunos que aprenderam o adequado na leitura e interpretação de textos nos anos finais do ensino fundamental, Florianópolis (28%) está acima do Brasil (22%) e um pouco acima de Santa Catarina (27%). Em relação aos quatro municípios mais próximos geograficamente, Florianópolis está abaixo de Antônio Carlos (37%) e acima de Palhoça (26%), São José (27%) e Biguaçu (22%).


A escola – Os resultados da Prova Brasil mostram que na escola de Isadora a proporção de alunos que alcançaram o adequado em português nos anos finais do ensino fundamental (40%) está bem acima dos porcentuais do Brasil (22%), de Santa Catarina (27%) e de Florianópolis (28%). Na comparação com escolas do mesmo município cujos alunos possuem o nível socioeconômico (NSE) semelhante, essa proporção de alunos da EB Maria Tomázia Coelho está à frente da EMEB José Amaro Cordeiro (21%) e da EEB José Boiteux (22%).


Não é o que acontece com matemática. Os resultados da Prova Brasil apontam que na escola onde Isadora estuda a proporção de alunos que aprenderam o adequado em resolução de problemas nos anos finais do ensino fundamental (13%) está pouco acima do porcentual do Brasil (12%) e abaixo dos porcentuais de Santa Catarina (17%) e Florianópolis (16%). Na comparação com escolas do mesmo município cujos alunos possuem o NSE semelhante, essa proporção de alunos da EB Maria Tomázia Coelho está um pouco abaixo da EMEB José Amaro Cordeiro (14%) e bem acima da EEB José Boiteux (7%).


*Conceito usado pelo comitê científico do Todos Pela Educação que se refere aos alunos que alcançaram os níveis proficiente e avançado na Prova Brasil. Os números foram pesquisados no portal QEdu (http://www.qedu.org.br), que reúne os dados da Prova Brasil.

Autor

Camila Ploennes


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