Educação

Colunista

Thuinie Daros

Diretora de planejamento acadêmico na Vitru Educação

Investir no desenvolvimento do corpo docente é estratégia de inovação

Desafios educacionais dependem da capacidade das atuais e futuras gerações de professores conduzirem o processo de ensino e aprendizagem

desenvolvimento corpo docente Foto: Pexels

As transformações tecnológicas e os recursos como AI, AR e VR têm gerado muitas inquietações no setor educacional, afinal, é impossível ignorar o quanto a automação tem impactado diretamente o ritmo das transformações sociais e mudado o comportamento e expectativas dos estudantes em relação aos modelos de aprendizagem.

Para você ter uma ideia, empresas como Netflix e Airbnb demoraram mais de dois anos para chegar a um milhão de usuários, já o recente lançamento ChatGPT atingiu esta marca em apenas cinco dias. Este é só mais um dos grandes exemplos de que perder sua relevância para um robô não é mais uma ideia assustadora.  É realmente possível! Basta observar um pouco:  carros sem motorista podem eliminar taxistas ou motoristas de aplicativos, o ensino online já ameaça o papel dos palestrantes e os chatbots já estão tornando os call centers um pouco mais silenciosos do que antes.

E se cada vez mais cargos estão sendo ocupados pela automação, então por que seguir investindo no desenvolvimento do corpo docente é tão importante?

A resposta é bem simples. Quem vai projetar carros sem motorista, desenvolver os cursos online e programar chatbots? Certamente seus estudantes irão. Mas isso só irá acontecer se eles tiverem desenvolvido as habilidades para fazê-lo.  A verdade é que a automação torna o desenvolvimento da força de trabalho docente ainda mais essencial!

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Sabemos que a maioria dos desafios educacionais existentes – e de novos que surgirão – dependerá da capacidade das atuais e futuras gerações de professores conduzirem o processo de ensino e aprendizagem de maneira diferente da convencional e de criarem possibilidades mais significativas e conectadas com a realidade dos estudantes.

Isso significa que um corpo docente altamente preparado continua sendo o elemento-chave que determinará o sucesso (ou fracasso) de nossos esforços para transformar as instituições de educação superior e prepará-las para enfrentar os desafios de nossa economia competitiva, global e cada vez mais digital.

Os estudantes terão um maior desempenho se as salas de aula forem conduzidas por professores inovadores, entusiasmados, inspirados e bem qualificados. Para que isso aconteça, a formação continuada precisa ser capaz de desenvolver estas mesmas capacidades de inovar, entusiasmar, inspirar e certamente qualificar. Afinal, só desenvolvemos no outro aquilo que temos desenvolvido em nós mesmos.

Leia também: Por que a educação personalizada interfere na experiência de aprendizagem dos estudantes?

Como gestora e também formadora de professores, tenho pensado e trabalhado uma parte significativa da minha carreira acadêmica em prol do desenvolvimento da prática docente. Não tenho dúvidas que promover a inovação na educação superior perpassa pelo investimento no desenvolvimento dos profissionais que lidam cotidianamente com o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes no contexto da contemporaneidade. Mas, a questão é: qual o tipo de formação continuada é capaz de desenvolver um professor inovador?

Selecionei três pilares  que considero essenciais para ofertar experiências formativas promotoras da inovação da educação superior.

 

  1. Experiências formativas ativas e criativas 

 

Todo professor inovador não é apenas criativo mas tem uma predisposição para celebração da criatividade em todas as suas formas e percebem a importância de aproveitar e estimular seus estudantes. Neste sentido, é fundamental garantir experiências formativas com foco no desenvolvimento da aprendizagem ativa. Práticas com experimentação, resolução de problemas, produção e manipulação de diferentes materiais, por meio de novas práticas, novos recursos e, consequentemente, novas maneiras de pensar e aprender.

 

Os professores precisam aprender a ajudar os seus estudantes a olharem para o mundo, encontrando lacunas a serem preenchidas por meio da descoberta de problemas. A descoberta de problemas requer uma visão intelectual e imaginativa para buscar o que pode estar faltando ou deve ser adicionado a algo importante e para isso precisa de repertório.

 

Isso significa que além de aprender novas estratégias, precisam necessariamente desaprender velhas práticas que não geram mais resultados significativos na aprendizagem dos estudantes. O currículo, a avaliação, os recursos e outros elementos mudaram ao longo dos anos e os professores precisam seguir o fluxo.

 

  1. Experiências formativas colaborativas  

 

​Professores inovadores valorizam a colaboração, que  não apenas leva a uma visão comum compartilhada, mas cria condições de se obter novos insights e perspectivas. Criar momentos que os professores podem compartilhar suas expertises e trocar experiências criam um processo de qualificação que reflete diretamente nos resultados de aprendizagem dos estudantes.  

Com uma profissão tão desafiadora quanto a docência, as experiências formativas precisam garantir que os docentes tenham a oportunidade de ver o que funcionou e o que falhou em sua sala de aula, como uma forma de analisar e avaliar suas próprias práticas de ensino para que possam focar no que funciona. 

 

  1. Experiências formativas altamente conectadas  

 

O mundo agora é movido pela tecnologia. Todo setor educacional está muito mais dependente da tecnologia e, consequentemente, os professores precisam aprender a utilizar os diferentes recursos digitais com o intuito de otimizar o trabalho e potencializar a aprendizagem, mas, vale mencionar, essas conexões também podem ser voltadas para a comunidade e/ou para o desenvolvimento profissional.

Professores inovadores também estão profundamente conectados às necessidades de seus estudantes. Compreender o que cada estudante traz para aula, suas motivações e sua disposição para se engajar é fundamental no processo de aprendizagem, por isso, além de demonstrar interesse, esta abordagem promove o acionamento dos conhecimentos prévios a partir da provocação inicial, conecta com o tema e assim intensifica o aprendizado significativo dos estudantes. 

Experiências formativas altamente conectadas possibilitam que os professores vivenciem a capacitação para uso de recursos tecnológicos, tenham acesso a temáticas atuais, e apropriem-se de estratégias capazes de estabelecer vínculos e relacionamentos positivos com os estudantes, afinal, professores inovadores  impulsionam as instituições de educação superior através do trabalho que realizam em suas salas de aula, laboratórios e ambientes de preparação profissional.

Estamos vivendo o momento mais disruptivo de nossa era. Pensar em novos produtos, serviços, organização, currículo, avaliações e modelagens pedagógicas requer  ofertar um modelo de formação de professores que integra experiências formativas criativas, ativas, colaborativas e altamente conectadas.

Investir na liderança, em novos recursos e tecnologias, estratégias de captação e infraestrutura  é necessário para a sustentabilidade e qualidade de qualquer serviço educacional. Porém, criar um local inovador, aberto, criativo e confiável para os estudantes serem encorajados a crescerem, assumirem riscos e se sentirem confortáveis com seus próprios padrões de aprendizado, perpassa pela formação docente. Investir no desenvolvimento do corpo docente é um dos pilares mais estratégicos para a promoção da inovação na educação superior.

Por: Thuinie Daros | 03/03/2023


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