Revista Ensino Superior | Estratégias éticas e responsáveis para integrar IA na educação
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Educação

Colunista

Thuinie Daros

Diretora de qualidade e inovação acadêmica na Vitru Educação

Estratégias éticas e responsáveis para integrar IA na educação

Explorar o potencial da Inteligência Artificial (IA) pode preparar os estudantes para mundo cada vez mais interconectado

IA Thuinie Daros: "Além de ensinar o uso da IA como uma ferramenta, precisamos que saibam lidar com questões éticas complexas relacionadas a esta tecnologia"

A automação e o avanço da Inteligência Artificial (IA) têm  revolucionado o setor educacional. Além do simples uso ferramental, essas transformações exigem que todos os profissionais desenvolvam novas competências para aplicar, monitorar e orientar os estudantes através desta nova era digital.

Para isso, será necessário o reconhecimento de que a IA tem o potencial de transformar o cenário educacional, aumentando o acesso à educação de qualidade e criando condições de ofertar experiências de aprendizagem cada vez mais diferenciadas. No entanto, na mesma intensidade, precisamos estar cientes dos desafios éticos e responsáveis que acompanham essas transformações. Como professores e líderes no campo educacional, nosso dever é criar ambientes inclusivos e propícios ao desenvolvimento intelectual, mantendo-nos vigilantes às oportunidades e desafios. 

Nesse contexto, apresento quatro aspectos essenciais para uma utilização ética e responsável da IA no setor educacional

 

  1. Capacitação contínua: o papel crucial da educação na era da automatização

Empresas como Netflix e Airbnb demoraram mais de dois anos para chegar a um milhão de usuários, já o lançamento do ChatGPT atingiu esta marca em apenas cinco dias. Hoje já possui mais de 100 milhões em menos de um ano após o lançamento e popularizou a compreensão do que a IA generativa é capaz de fazer. E este é só mais um dos exemplos de que perder a relevância para um robô não é mais uma ideia assustadora.  É realmente possível! Basta observar um pouco:  carros sem motorista podem eliminar taxistas ou motoristas de aplicativos, o ensino online já ameaça o papel dos palestrantes, os chatbots já estão tornando os call centers um pouco mais silenciosos.

Ah, a automação. Essa palavrinha que tanto nos fascina e, ao mesmo tempo, nos assusta. Imagine um mundo onde os robôs fazem tudo. Até o café da manhã. Mas calma, quem programou o robô para fazer esse café perfeito? Exatamente, nós humanos. Brincadeiras à parte, é aqui que está justamente o ponto: se cada vez mais cargos estão sendo dominados pela automação, a necessidade de investir no desenvolvimento profissional e capacitação das nossas equipes, principalmente aquelas ligadas à educação, só aumenta, afinal, quem irá desenvolver as próximas gerações de tecnologias, produtos e serviços que permitirão essa automação cada vez mais avançada? Certamente, nossos estudantes de hoje. Mas, para isso, eles precisam estar bem-preparados por meio de uma educação de qualidade. 

Em uma palestra que ministrei sobre aplicação de metodologias ativas com uso da IA, fui confrontada com uma pergunta incisiva: “Se a automação está assumindo cada vez mais funções, por que devemos continuar investindo na capacitação de colaboradores e equipes pedagógicas, em vez de focar exclusivamente em novas tecnologias?”

 

Leia: Como mapear o uso da IA nas instituições de ensino

 

A resposta é mais profunda do que parece à primeira vista. A automação, ao contrário de diminuir a relevância dos educadores, amplifica significativamente sua importância. São esses profissionais que preparam as mentes capazes de desenvolver as futuras tecnologias, produtos e serviços que permitirão a evolução contínua da automação.

Portanto, o investimento no desenvolvimento de habilidades e na formação docente não é apenas importante, mas essencial para um futuro em que a automação e a humanidade avancem lado a lado. Isso significa que, além de ensinar o uso da IA como uma ferramenta, precisamos que saibam lidar com questões éticas complexas relacionadas a esta tecnologia. Tópicos como deep fakes, a disseminação de desinformação, a criação de bolhas de informação em redes sociais e o viés algorítmico são cruciais. Esses desafios refletem preconceitos existentes na sociedade e podem perpetuar ou ampliar desigualdades se não forem abordados e gerenciados adequadamente.

As instituições educativas devem se adaptar para enfrentar os desafios de uma economia global e digital. Colaboradores e professores qualificados são cruciais para o sucesso dos estudantes, e a formação continuada é a chave para desenvolver essas habilidades.

 

  1. Protegendo o futuro: a ética da privacidade de dados 

A proteção da privacidade e dos dados é um aspecto crítico no cenário educacional. Instituições educativas são obrigadas a seguir regulamentos como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, que exigem práticas transparentes na coleta, uso e proteção de dados pessoais.

A importância dessa proteção se torna ainda mais evidente ao considerarmos o uso crescente de grandes volumes de informações para treinar sistemas de IA. O manuseio inadequado desses dados pode ter consequências graves. Por exemplo, se uma  universidade sofre uma violação significativa de dados e  informações sensíveis de milhares de estudantes ficarem expostas. Essa falha não apenas compromete a privacidade, mas também leva a um escândalo de confiança, reputação, com repercussões legais e financeiras substanciais para uma instituição. Um incidente como este é um risco real, e, portanto, uma necessidade de segurança robusta e políticas de privacidade bem definidas, especialmente quando dados são utilizados para fins de pesquisa e desenvolvimento em IA.

É fundamental que as instituições educacionais não apenas cumpram com as leis de proteção de dados, mas também adotem uma postura proativa na salvaguarda das informações dos estudantes. Isso inclui a implementação de medidas de segurança avançadas, como criptografia e autenticação de dois fatores, e a realização de auditorias regulares para garantir que as práticas de manuseio de dados sejam seguras e atualizadas. Com essas ações, as instituições podem assegurar que a privacidade dos estudantes é protegida e que a confiança na segurança de seus dados é mantida.

 

  1. Manifesto educacional: definindo os princípios éticos do uso de IA

Proponho a elaboração de um manifesto que oriente o uso ético e responsável no contexto da atuação do segmento educacional. Vale considerar que um manifesto é uma declaração pública de intenções, princípios ou visões, frequentemente relacionado a questões políticas, sociais, culturais ou, no caso específico mencionado, tecnológicas, como o uso da IA na educação. A criação de um manifesto é uma forma poderosa de posicionamento, e como um compromisso assumido coletivamente, podemos articular valores centrais, como inclusão, diversidade, equidade, respeito pela autonomia dos sujeitos e a promoção do bem-estar dos estudantes. 

 

  1. Energia Inteligente para o uso sustentável de IA

À medida que integramos a IA em setores críticos como a educação, é vital considerarmos não apenas seus benefícios, mas também o impacto ambiental associado. O consumo de energia por tecnologias de IA, especialmente por sistemas avançados como o ChatGPT da OpenAI, é notável. Estudos recentes, incluindo um da Agência Internacional de Energia, destacam que uma única interação com ChatGPT consome 2,9 watt-hora de energia, em comparação com apenas 0,3 watt-hora para uma pesquisa no Google. Projeções indicam que até 2026, o consumo de energia pela indústria de IA poderá aumentar dez vezes em relação ao já consumido no ano de 2023.

A magnitude deste consumo se torna mais clara ao compararmos com o uso diário de energia em residências nos EUA, que é de aproximadamente 29 quilowatts-hora. Para colocar em perspectiva, o ChatGPT utiliza mais de 17 mil vezes essa quantidade todos os dias para processar cerca de 200 milhões de solicitações.

Esta realidade nos impulsiona a uma gestão mais consciente e sustentável do progresso tecnológico. É crucial que desenvolvedores, usuários e reguladores colaborem para reduzir o consumo de energia em aplicações de IA e investigar fontes energéticas mais limpas e eficientes. Assim, podemos avançar de forma responsável, garantindo que o uso da inteligência artificial no setor educacional seja não apenas inovador, mas também ético e ambientalmente sustentável.

 

Leia também: Modelagens de experiências de aprendizagem

 

Nesse contexto, vale destacar uma frase que ressoa profundamente: “Nossas escolhas tecnológicas não são apenas sobre o que podemos fazer, mas sobre o mundo que queremos habitar.” À medida que navegamos pelas possibilidades quase ilimitadas que a tecnologia nos oferece, é crucial que façamos escolhas conscientes sobre o impacto dessas inovações não só em nossa sociedade, mas no planeta que todos compartilhamos.

Como líderes no setor educacional, cabe a nós orientar essa transformação. Encorajo a todos a aproveitar as oportunidades apresentadas pela IA na educação, explorando seu potencial para enriquecer a experiência de aprendizagem e preparar os estudantes para um mundo cada vez mais interconectado e tecnológico.

Concluo com uma reflexão usando as palavras do próprio ChatGPT: “A IA é uma tecnologia revolucionária que está remodelando nosso mundo. Ela é capaz de automatizar tarefas complexas, prever comportamentos e até tomar decisões. No entanto, com esse grande poder, vem a responsabilidade de utilizar a IA de maneira ética e responsável.” (ChatGPT, 2023)

 

Por: Thuinie Daros | 22/04/2024


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