Revista Ensino Superior | Integrado: Empreender para diversificar receitas

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Empreender para diversificar receitas

Localizado em Campo Mourão, no Paraná, o Integrado inaugurou este ano sua faculdade de medicina em Macapá, e trabalha agora para oferecer cursos de tecnologia em São Paulo

Publicado em 06/01/2026

por Ensino Superior

Jeferson Vinhas Jeferson Vinhas, CEO do Integrado, busca concluir a implantação de uma universidade empreendedora (fotos: divulgação/Integrado)

Inovar significa – também – a busca constante por soluções. No Centro Universitário Integrado, essa cultura perpassa todos os cursos, inclusive o de licenciaturas, declara Jeferson Vinhas, CEO da instituição, que atua há 23 anos no mercado de educação. Com um campus principal e outras três unidades em Campo Mourão, cidade a noroeste do Paraná com 100 mil habitantes, a instituição tem 39 anos.

Campo Mourão é referência nas áreas de saúde, educação e comércio para cerca de 25 municípios do entorno e seus 350 mil habitantes, conta Vinhas. A principal atividade econômica é o agronegócio. “Na cidade está a sede da Coamo Agroindustrial Cooperativa, maior empresa do Paraná, com faturamento de R$ 30 bilhões”, ressalta. Essa característica local pautou a criação das primeiras graduações na instituição, como veterinária e agronomia. “Fomos a primeira instituição no país a ter um curso noturno de agronomia.”

Hoje, o Integrado oferece 43 cursos em todas as áreas do conhecimento; são graduações nas três modalidades – presencial, semipresencial e EAD. A medicina, com 900 alunos, é o carro-chefe do portfólio. Com as graduações, colégio e pós lato sensu são cerca de 10 mil alunos.

Este ano, o Integrado inaugurou sua faculdade de medicina em Macapá (AM), com a primeira turma em julho. O vestibular para a segunda turma está aberto. “É a primeira faculdade de medicina privada do estado”, relata o CEO. Macapá e seu entorno concentram 80% da população do estado, cerca de 600 mil habitantes. “O primeiro vestibular nos surpreendeu, havia uma demanda reprimida, preencheu todas as vagas.”

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Outra iniciativa, ainda em seus primeiros passos, será em São Paulo, na avenida Paulista. “Nós fizemos um projeto bem audacioso voltado à tecnologia. Uma iniciativa que vem com a ideia de tech for all, tecnologia para todo mundo.” Inspirado nos constantes alertas do escritor e historiador israelense Yuval Noah Harari, entre eles, “o perigo da ignorância digital”, o Integrado oferecerá cursos de tecnologia, engenharia da computação, cursos específicos de IA, entre outros.

A IES busca a diversificação da receita, para não depender apenas das mensalidades. “Hoje, 10% da receita vem de fontes alternativas”, conta Vinhas. Entre os negócios do grupo estão também três editechs, consultoria na área da inovação e um CVC – Corporate Venture Capital ou Capital de Risco Corporativo – destinado a investimentos em empresas vinculadas às áreas de saúde, tecnologia e agro, que constituem as três verticais de negócios do Integrado. 

A vertical do agro é a BeAgro. “São iniciativas que vão além do curso de graduação, como apoio a startups e bootcamps do agro e apoio a iniciativas de mulheres no agro.” Há, ainda, uma área de pesquisa para melhoramento genético de soja, uma das vertentes do IN2, o Instituto Integrado de Ciência e Tecnologia. As outras duas verticais concentram-se nas áreas de saúde e de tecnologia.

O Integrow

Integrado

Com 39 anos de história, os primeiros cursos de graduação do Integrado acompanharam a vocação da cidade, o agronegócio. Agora, o carro-chefe do portfólio é medicina

O ecossistema de inovação do Integrado reúne iniciativas em várias frentes. Com local específico, é do Integrow que irradia a cultura da inovação para estudantes, professores e funcionários. Os cursos de inovação acontecem para todas as disciplinas, de medicina a licenciatura. “Todos passam por trilhas de inovação, obviamente adaptadas a cada contexto. Os alunos são chamados a pensar em problemas, soluções, são estimulados a criar coisas novas”, explica Vinhas.

Os eventos, ou bootcamps, são recorrentes neste tipo de iniciativa. “Menos comum é que, ao final, várias iniciativas dessas se transformem em startups incubadas pela própria instituição, para a ideia maturar. Hoje, são 15 empresas que saíram desses eventos, a maioria delas é de alunos, outras são de funcionários. Nenhum deles tem dedicação cem por cento; eles têm o emprego deles, estudam à noite e ainda tocam a startup.”

Eventualmente, startups que se tornam empresas e comecem a faturar podem receber aportes do CVC, iniciativa também alocada no Intergrow. “Começamos no início de 2024, com a assessoria do Founders Club, do Rio Grande do Sul. Pegamos empresas que já estão em funcionamento – não são ideias – e aceleramos. Normalmente são empresas que também veem no Integrado a oportunidade de smart money – de crescer e se apropriar de conhecimento nosso, para ajudá-los no processo de desenvolvimento”, explica o CEO. “O bolo que temos para distribuir é de R$ 5 milhões. Já fizemos investimentos de R$ 300 mil, R$ 500 mil.”

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Um exemplo de empresa que recebeu aportes do fundo de investimentos do Integrado é a Avatar da Saúde. “É um aplicativo vendido aos RHs das empresas que traz muito da saúde integrativa para o funcionário – saúde mental, física, nutricional, financeira. É gamificado e as empresas estão usando para o bem-estar dos funcionários”, detalha Vinhas. A empresa já tem clientes de grande porte.

O Integrow permite à IES se manter conectada ao surgimento de oportunidades. “Despertamos quando começamos a visitar as empresas locais e ouvimos de um ex-aluno: ‘essa minha empresa nasceu de um projeto que aconteceu dentro do curso. Eu e meu amigo pegamos R$ 40 mil e montamos a empresa que hoje vale 28 milhões’. Como isso aconteceu e nós não vimos? O Integrado tem agora a sua própria estrutura para participar desse movimento.”

Vinhas ressalta, entretanto, que o ecossistema de inovação do Integrado tem a contribuição de uma cidade que “respira inovação”. Ele menciona a Fundação Educere, que atua junto a alunos de 14, 15 anos, da rede pública, em projetos de inovação por meio de parceria com universidade federal. “Para ter uma ideia, o total de faturamento das empresas desse núcleo já ultrapassou os R$ 250 milhões anuais, e começou com isso – pega uma ideia de aluno, faz acontecer, recebe investimento de fora e escala.”

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O IN2 também está alocado no Integrow. “Há muitas pesquisas de indústrias e empresas do agro locais e de cooperativas que são feitas aqui dentro. Elas pagam bolsistas, alunos e professores para que desenvolvam os projetos e isso depois volta em termos de conhecimento”, conta o CEO.

“A instituição optou por não ter um programa stricto sensu, que tem custo de manutenção alto. Mas temos publicações e tudo o que a pesquisa pede. Acessamos muitos fomentos de outras associações e fundações, como a Fundação Araucária, com a qual captamos, por exemplo, quase um milhão de reais todo ano para pesquisa.”

No mesmo guarda-chuva do ecossistema de inovação está o Inquieto Lab, um laboratório de soluções que vende consultoria de inovação para as empresas. “ O Integrado  é consciente de que faz algo que já pode ser compartilhado e isso virou o próprio negócio em si. Empresas, por exemplo, contratam o Integrado para criarem suas iniciativas de inovação.”

Empregabilidade

Para conectar o currículo às demandas do mercado, a criação de um hub com profissionais de RH de grandes empresas locais foi determinante. Hoje são 19 empresas envolvidas, entre elas, a JBS, a Coamo e uma rede local de supermercados.  “Esse grupo traz o que deseja dos nossos egressos. Na área do agro, por exemplo, sentiam falta de uma formação mais voltada para as questões comerciais, negociais e de mercado do agronegócio. Os perfis eram muito técnicos, bons de planta, solo, técnicas agrícolas, mas aspectos da gestão faltavam”, explica.

Outra alteração curricular proposta pelo hub foi em relação às tecnologias emergentes. “A área tech estava concentrada em algumas disciplinas em determinados momentos do currículo e o hub sugeriu que fosse transversal.” Incorporar ESG no currículo também foi sugestão aceita.

Universidade empreendedora

Vinhas é entusiasta da ideia de uma universidade empreendedora, o que implica a realização de uma série de ações, algumas já existentes no Integrado. As referências estão na Europa. Entre elas, a Universidade de Warwick, em Coventry, Reino Unido, que tem no próprio campus uma unidade da Tata Motors e seu centro de engenharia automotiva. “No Brasil temos poucas iniciativas”, afirma o CEO, que trabalha no sentido de que “o Integrado se torne efetivamente uma universidade empreendedora”.

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