Como avaliar as habilidades socioemocionais dos alunos?

Startup VOA desenvolve ferramenta para dar suporte aos professores nessa complicada tarefa. Empresa recebeu investimento de R$ 800 mil da Microsoft

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A cada dólar investido no desenvolvimento de habilidades socioemocionais em uma criança, como solidariedade, ética e colaboração, US$ 11,00 são devolvidos à sociedade, aponta pesquisa da Universidade Columbia. Tal informação potencializa a importância de desenvolver essas habilidades nos estudantes, que, aliás, deverão ser integradas ao currículo das escolas brasileiras até 2020, como determina a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

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Agora, imagine um aplicativo que faça um boletim socioemocional dos estudantes para auxiliar educadores nesse processo. Ele já existe e a tecnologia é brasileira. A edtech VOA educação desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial que, por meio de um chatbot (programa de troca de mensagens comandada por algoritmos) intitulado macaquinho Zeca, ajuda o professor a avaliar essas competências tão subjetivas, que vão da criatividade à empatia.

“Nosso APP coleta a avaliação de vários professores, que respondem a algumas perguntas feita pelo Zeca e ainda relatam situações ocorridas com os alunos”, conta o CEO e fundador da edtech, Tiago Neves.

habilidades socioemocionais

Após pesquisas e aperfeiçoamento, o produto foi lançado e, por enquanto, atende apenas instituições de educação básica. O colégio israelita Liessen e o Mopi, ambos no Rio de Janeiro, são alguns dos clientes da startup. Nesse momento, o foco são instituições particulares de classe A, mas o CEO espera que, em algum momento, esse acesso chegue também à rede pública.

Desenvolvendo os alunos e a si mesma

Para ter acesso ao aplicativo, a escola faz uma assinatura mensal por aluno. O serviço está disponível para download no celular e os dados (de um aluno, de uma turma ou até da escola inteira) são apresentados em gráficos para a equipe pedagógica acompanhar o desenvolvimento das habilidades e notar qual método de ensino traz mais resultado.

O VOA foi selecionado para o Fundo BR Startups, idealizado pela Microsoft, recebendo investimento de até R$ 800 mil. Tal apoio anda rendendo visibilidade e o CEO da edtech revela que foram procurados por escolas localizadas em outros países, como Inglaterra. Porém, Tiago salienta que o foco, pelo menos no momento, é a educação brasileira.

Além disso, a startup está incubada no Instituto Gênesis, da PUC-Rio, que conta com o apoio do Departamento de Psicologia e Pedagogia.

A trajetória

O CEO do VOA trabalhou por dez anos como desenvolvedor de softwares, porém, sempre quis mudar para a área da educação. “Eu larguei tudo da minha vida. Pedi demissão para criar uma solução na educação que fosse de fato conectada com o mundo pedagógico”, revela Neves, que notou a falta de ferramentas para os docentes, uma vez que, segundo ele, boa parte das tecnologias educacionais estão voltadas para a área financeira ou de gestão.

O empreendedor entende que a educação é a saída para transformar a sociedade, pois ela impacta desde a economia à felicidade da população, acredita.

“Nosso objetivo sempre foi criar uma ferramenta para os professores, pois eles precisam de ajuda, de ferramentas. Eles já fazem um trabalho espetacular, mas precisam entrar e ter apoio nessa onda tecnológica”. Henrique Souza, Pedro Jardim e Marcelo Alt completam a equipe dos fundadores.

Mais tecnologia nas habilidades socioemocionais

Na Bett Educar, maior feira de educação da América Latina e que acontece ainda em maio, o VOA lançará uma funcionalidade que permite o mapeamento integral do aluno, que inclui 30 habilidades pertencentes a quatro pilares: autorregulação, colaboração, pensamento crítico e comunicação.

“Dentro desses pilares os professores terão um mapa vivo dos alunos e que muda a todo instante”, explica Neves. Essa nova função integra habilidades como expressão artística, estabilidade emocional e até respeito ao meio ambiente

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