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“Meta 12 do PNE é impossível de ser atingida, mesmo em 10 anos”

Especialistas debatem propostas de políticas públicas do Semesp, em terceiro episódio da série Educação & Democracia

O terceiro episódio da websérie Educação & Democracia, mediado por Cleunice Rehem, diretora-presidente da Associação Fórum Nacional das Mantenedoras de Instituições de Educação Profissional e Tecnológica (BrasilTEC), deu maior foco para os temas relacionados à distribuição de vagas no ensino superior, autoavaliação e formação de professores.

Renato Pedrosa, assessor na área de Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapesp, chamou a atenção para a capacidade de vagas sistema de ensino superior como um todo, somando o setor público e privado. Para o especialista, existe oferta mais do que suficiente, o que é preciso é repensar a Meta 12 do PNE para a realidade da taxa de escolarização líquida do ensino superior brasileiro, formado 52% por adultos de 25 anos ou mais.

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“É uma questão metodológica. Não conseguiremos atingir a meta de 33% de jovens entre 18 e 24 anos no ensino superior, nem mesmo em 10 anos”, afirmou. “Nós temos um sistema diverso, então precisamos atualizar esse indicador, já que ele não é o mais propício para medirmos a abrangência e eficiência do sistema de educação.”

Sergio Firpo, professor titular da Cátedra Instituto Unibanco, focou em autoavaliação. Firpo acredita que os rankings, ainda que não seja ideal, é uma forma de divulgar informações sobre as instituições de ensino. Assim como Pedrosa, o professor também acredita que nesse quesito também não está refletida a realidade brasileira, afirmando que os métodos atuais são falhos.

Os “Nem-nem”, um fenômeno global

De Portugal, Antonio Rochette, da Universidade de Coimbra, comparou os sistemas educacionais entre os países e ressaltou que os “nem-nem” (jovens que nem trabalham e nem estudam) é um fenômeno observado não só no Brasil, mas em toda a Europa e que por isso é preciso pensar em formas de atrair e garantir a entrada de jovens no ensino superior tão logo eles saiam do ensino médio e focar na melhoria da qualificação profissional; um aspecto também frágil em Portugal.

Lucia Teixeira, presidente do Semesp, ressaltou a relevância da educação para a transformação social. “Somos impactados por todas as tendências e temos que responder a elas. Tenho certeza que a educação exige isso, nao apenas pensar na criança, no jovem, mas no ser humano para toda a vida.”

Já apresentado em Barcelona, na 3ª Conferência Mundial de Educação Superior da Unesco, o documento de diretrizes de políticas públicas elaboradas pelo Semesp, foi escrito por 16 mentes de diferentes áreas da educação, é dividido em sete áreas e vem sendo debatido por lideranças e especialistas do Brasil e de fora.

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