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11 dicas para transformar a sua instituição de ensino

Especialistas listam os pontos essenciais que devem constar no planejamento de todos os gestores educacionais que desejam promover melhorias em suas escolas

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Por Ana Valéria Sampaio de Almeida Reis, Fábio Reis, José Roberto Covac e Maria Aparecida Felix do Amaral e Silva*      

Provavelmente, você leitor, já planejou o ano de 2019. Como estamos em janeiro, ainda há tempo para pensar e repensar seu planejamento. Resolvemos apresentar algumas dicas, a partir da nossa experiência. Outras dicas podem ser escritas a partir da experiência de cada leitor. O nosso registro tem o objetivo de sugerir caminhos e provocar a reflexão.

1- Invista em gestão e seja sustentável. A previsão de crescimento da economia em 2019 é de 2,5% (há variações nas fontes), o país continuará em um cenário de dificuldade econômica. O desemprego (11,7%) e as incertezas do setor educacional são fatores que evidenciam um ano difícil. Gestão no ensino superior não é apenas corte de custo, é também, postura estratégica, visão de futuro e investimento em que é relevante para uma IES. É ter estratégias para se chegar a resultados previstos no planejamento. A sustentabilidade sadia acontece quando o gestor, com base em evidências, investe na atividade fim da instituição (aprendizado dos alunos). Invista em pessoas talentosas e em projetos alinhados com a missão e com o planejamento da IES.

2- Saiba lidar com as incertezas, inclusive do novo governo, mas pense no que está por vir.  O que será do ensino superior daqui a cinco anos? É uma pergunta difícil de responder, mas é preciso construir cenários e ter sabedoria para enfrentar as incertezas. O acesso à informação, as novas tecnologias e o mundo digital interferem de forma significativa na educação. Podemos prever que a inteligência artificial irá impactar o ensino superior, mas não sabemos a dimensão do impacto. O novo ministro da Educação e os secretários podem, ou não, promover mudanças significativas em nosso setor. Como o MEC ainda não declarou seus projetos, devemos ser propositivos e colaborarmos com a construção de políticas educacionais que melhorem a qualidade do ensino superior no Brasil, cuja premissa tem fundamento constitucional.

3- Valorize gente criativa, que seja capaz de planejar e executar.  A criatividade será um valor relevante para as IES.  As instituições precisam de gente que saiba pensar e repensar modelos acadêmicos, que saiba construir projetos alinhados com o mundo em que vivemos, que saiba agregar valor à formação dos estudantes.  IES que valorizam o diálogo e a construção coletiva, terão, provavelmente, um modelo acadêmico multicursos, interdisciplinar, inovador e contemporâneo. Uma instituição de sucesso é formada por gente talentosa, criativa e capaz de executar.  Essa afirmação é um clichê, mas precisa ser repetida, para ser compreendida e institucionalizada.

4- Defina um modelo acadêmico. Um modelo acadêmico pode ser entendido como um plano que define a concepção de ensino- aprendizagem, de pesquisa e de extensão de uma IES, observada a natureza e missão da organização acadêmica. Provavelmente essa é uma das maiores carências das IES na atualidade. É mais comum encontrarmos nas instituições um conjunto fragmentado de ações dispersas. IES competitivas são aquelas em que as pessoas que atuam,  especialmente, na gestão acadêmica são capazes de definir, propagar e institucionalizar o modelo educativo, que precisa expressar a identidade institucional e tem que evidenciar uma dinâmica que modifica a atitude dos professores e dos estudantes, além de ser evidenciada em todos os espaços de aprendizagem e que gere valor na qualidade da oferta do ensino.

gestão em instituição de ensino

Foto: Shutterstock

5- Busque informações sobre os melhores modelos de EAD e conheça o significado do ensino híbrido. A expansão das matrículas em programas on-line irá continuar. A nova legislação sobre o tema permite até 40% de EAD nos cursos presenciais para a IES que cumpra a Portaria nº 1.428, de 28 de dezembro de 2018. Os modelos de EAD, de modo geral, são mais convencionais do que inovadores. Recomendamos que o gestor busque informações sobre os melhores modelos e elabore projetos alinhados com a concepção acadêmica da instituição. É preciso romper com a separação entre ensino a distância e presencial. Esperamos que o gestor compreenda a dimensão e o significado do ensino híbrido. A legislação que permite os 40% de EAD nos cursos presenciais é uma oportunidade que precisa ser utilizada com foco na qualidade, na aprendizagem e na sustentabilidade. As propostas acadêmicas devem integrar o virtual com o presencial, pois o projeto tem que ser único.

6- Valorize a cultura empreendedora e maker, faça maratonas Hackathon e incentive parcerias com o setor produtivo. A cultura do empreendedorismo não está em uma disciplina. Cultura é algo vivenciado em todos os setores da IES. Valorizar o empreendedorismo é formar gente proativa, criativa e que busca soluções em forma de produtos e serviços para a sociedade. O movimento maker e as maratonas podem valorizar a prática com teoria e provocar o estudante a buscar soluções para problemas reais.  Esse conjunto de atividades somadas ao incentivo às startups colabora com a criação da cultura da inovação e pode intensificar os vínculos com o setor produtivo. São atividades que provavelmente transformam o ambiente de aprendizagem e tornam os estudantes engajados. Há impacto dessas atividades no aprendizado dos estudantes. A inovação pedagógica traz resultados.

7- Invista no professor. Toda instituição que quiser, de fato, priorizar a aprendizagem dos estudantes terá que investir na capacitação do professor.  Sabemos que os professores são a peça-chave no ambiente educacional. O investimento tem que ser realizado a partir de um plano de capacitação em que a IES declare as etapas da formação e o que espera como resultado. A formação continua dos profissionais/professores é um investimento necessário.  São os professores os responsáveis por colocarem em prática o modelo educativo da IES. São eles os motores da consolidação do processo de inovação da instituição.

8- Faça a análise de big data, utilize os algoritmos e entenda que o mundo é digital. A profissionalização da gestão da IES requer, entre outros fatores, capacidade de análise de dados, informações que garantam o sucesso do estudante e resultados acadêmicos, administrativos e financeiros alinhados com o planejamento da instituição.  Muitas organizações realizam levantamentos de informações via big data, mas poucos sabem utilizá- los. Com bons algoritmos, será possível prever o comportamento dos estudantes e, especialmente, evitar a evasão e garantir a permanência deles. IES contemporâneas são digitais e já compreenderam que os estudantes também são digitais.

9- Seja um especialista em jovem. O acesso à informação e à tecnologia contribuiu para mudar o comportamento do jovem em relação ao processo educativo. Jovens são mais digitais e provavelmente vão estudar em IES que, de alguma forma, lhe agreguem valor e que lhe façam sentido. Dificilmente o jovem vai investir recursos financeiros em instituições de alto custo e de pouco retorno para os seus valores. É preciso compreender suas expectativas, o que pensam e o que esperam da educação. É mais comum pensarmos a educação a partir da nossa concepção de educação e dos nossos valores. Um gestor 40 anos mais velho que um jovem que ingressa na IES, provavelmente, desconhece os valores e as demandas desse jovem e isso certamente vai gerar conflito de gerações.

10- Compreenda a legislação educacional e adote um programa de integridade (compliance).  Conhecer, compreender e saber agir conforme as normativas da legislação educacional é uma vantagem competitiva da IES. Perante um emaranhado de normas legais, a IES que dominar as possibilidades de atuar segundo essa legislação poderá inovar e agir de forma mais flexível. O desconhecimento da norma pode gerar a supervisão ou o monitoramento da IES. A adoção do programa de integridade e compliance permitirá que as instituições mapeiem os riscos  e evitem processos de supervisão e monitoramento previstos na legislação.

11- Participe de diferentes redes de cooperação e seja local e global. Cooperação, eis a estratégia de que nenhuma IES poderá abdicar. A cooperação possibilita aprendizado institucional, diminuição dos custos operacionais da IES, mobilidade de estudantes e professores e busca de soluções para os problemas da sociedade. Deverá a IES ser local e relevante para a sociedade de sua região e, ao mesmo tempo, ser global e dialogar com IES e organizações que de fato estejam dispostas a colaborarem.   Iniciar o ano com objetivos concretos é uma prática comum para muitas pessoas. Uma IES não pode se dar ao luxo de descuidar do planejamento. Um gestor profissional não pode deixar de desenhar cenários. Sem dúvida, é preciso viver o presente e resolver problemas do dia a dia, mas a sabedoria e a experiência indicam que organizações de sucesso fazem planejamento, elaboram estratégias, vislumbram cenários e atuam para proporcionar o sucesso e garantir o futuro da instituição, com inovação, criatividade e sustentabilidade.  Sejamos felizes em 2019!

*Ana Valéria Sampaio de Almeida Reis, diretora de IES (Polo Uniitalo), consultora da Expertise e doutoranda na Universidade de Coimbra;  Fábio Reis, diretor de Inovação e Redes do Semesp, membro do comitê gestor do Consórcio STHEM Brasil, consultor da Expertise e prof. do Unisal e Unitoledo; José Roberto Covac, sócio-fundador da Covac Advogados e da Expertise Educação; Maria Aparecida Felix do Amaral e Silva, professora do Polo Uniitalo, consultora da Expertise Educação e doutoranda na Universidade de Coimbra.

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