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Formação

As vantagens da microcertificação

Jovens não querem se comprometer muito tempo com estudos e necessidades profissionais se alteram rapidamente, enquanto instituições perdem venda de cursos com modelos morosos

Publicado em 12/02/2022

por Mayara Figueiredo

microcertificação "Se as IES não oferecerem isso, outros players de mercado vão se ocupar de preencher essas lacunas" (Foto: reprodução/internet)

O modelo se adere bem às necessidades do mundo atual: seja na graduação ou especialização, a microcertificação é uma maneira de tornar a formação mais atualizada com as necessidades do mundo do trabalho, o que melhora a empregabilidade, amplia a oferta de cursos por parte das instituições de ensino e mantém os alunos motivados a buscar uma certificação atrás da outra até a chegada ao diploma.

Leia: Incentivo na inovação pedagógica



Semelhante ao método VET (Vocational Education and Training), há mais de 45 anos em uso na Austrália no ensino profissionalizante e técnico, e que tem como objetivo qualificar o estudante rapidamente para o mercado, a microcertificação geralmente equivale a um curso livre em competências específicas que vão sendo acumuladas e certificadas ao longo da jornada de formação.

Ofertadas muitas vezes dentro de estruturas de matrizes modulares – conhecidas por serem mais flexíveis do que o modelo tradicional dividido em disciplinas semestrais, as microcertificações também podem ter valor legal e profissionalizante como é o caso da Unisuam, no Rio de Janeiro.

Na graduação a instituição introduziu o MUDE (Modelo Único de Ensino da Unisuam), que consiste em um modelo de ensino voltado para o desenvolvimento de competências. Em encontros durante a semana, um professor mentor promove atividades e práticas que exercitam o conteúdo em desafios reais. Ao final de cada semestre, o aluno recebe um comprovante de que possui a competência proposta.

microcertificação
“Se as IES não oferecerem isso, outros players de mercado vão se ocupar de preencher essas lacunas” (Foto: reprodução/internet)

Já no caso dos tecnólogos, o certificado tem valor legal e já permite que o aluno busque uma oportunidade dentro de sua área de estudo. “É um certificado profissionalizante. Como exemplo, podemos citar o curso de Logística, no qual em um dos módulos é desenvolvida a competência de gestão de estoque. Ao final desse módulo, o estudante recebe um certificado de nível analista de estoque”, explica Bruno de Andrade, vice-reitor de Ensino da Unisuam, dizendo ainda que na estrutura anterior, para adquirir a mesma competência, o aluno teria que cursar dois anos inteiros.

O que quer as novas gerações?

Na Unisagrado, em Bauru-SP, a pós-graduação ofertada no modelo de matriz modular é uma maneira de incentivar o aluno a permanecer nos estudos, explica Geraldo Junior, pró-reitor de iniciação científica e pesquisa. Inspirado em metodologias aplicadas na Europa e Estados Unidos e também baseado em suas pesquisas sobre os perfis das novas gerações, que quer sempre resoluções mais rápidas, o professor reformulou por completo todas as especializações lato sensu da instituição.

“Aluno motivado permanece, a quantidade de evasão diminuiu. Com os módulos conseguimos entregar mais para o mercado e não preciso vender unicamente cursos de especialização, mas também cursos rápidos com a microcertificação”, diz.

Marcio Sanches, coordenador da Universidade Corporativa do Semesp e professor na FGV SP, acredita na importância da adoção da microcertificação como modelo a ser considerado pelas IES brasileiras justamente pelas rápidas transformações que constantemente ocorrem em algumas áreas como em TI.

Ele afirma que muitos desses estudantes muitas vezes valorizam mais uma certificação rápida que lhe confira uma habilidade nova do que o diploma em si, o que gera um grande desafio para as instituições no diz respeito às atualizações e seus processos de divulgação de cursos, matrícula e certificação atuais.

“Cada vez mais os alunos vão buscar cursos rápidos e se as IES não oferecerem isso, outros players de mercado como consultorias de treinamento e edtechs, por exemplo, vão se ocupar de preencher essas lacunas”, alerta.



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Autor

Mayara Figueiredo


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