Revista Ensino Superior | IES não aproveitam o lifelong learning nos negócios
Personalizar preferências de consentimento

Utilizamos cookies para ajudar você a navegar com eficiência e executar certas funções. Você encontrará informações detalhadas sobre todos os cookies sob cada categoria de consentimento abaixo.

Os cookies que são classificados com a marcação “Necessário” são armazenados em seu navegador, pois são essenciais para possibilitar o uso de funcionalidades básicas do site.... 

Sempre ativo

Os cookies necessários são cruciais para as funções básicas do site e o site não funcionará como pretendido sem eles. Esses cookies não armazenam nenhum dado pessoalmente identificável.

Bem, cookies para exibir.

Cookies funcionais ajudam a executar certas funcionalidades, como compartilhar o conteúdo do site em plataformas de mídia social, coletar feedbacks e outros recursos de terceiros.

Bem, cookies para exibir.

Cookies analíticos são usados para entender como os visitantes interagem com o site. Esses cookies ajudam a fornecer informações sobre métricas o número de visitantes, taxa de rejeição, fonte de tráfego, etc.

Bem, cookies para exibir.

Os cookies de desempenho são usados para entender e analisar os principais índices de desempenho do site, o que ajuda a oferecer uma melhor experiência do usuário para os visitantes.

Bem, cookies para exibir.

Os cookies de anúncios são usados para entregar aos visitantes anúncios personalizados com base nas páginas que visitaram antes e analisar a eficácia da campanha publicitária.

Bem, cookies para exibir.

Empresas

Colunista

Márcio Sanches

Professor na graduação e pós-graduação da EAESP/FGV e nos MBAs da FIA

IES não aproveitam o lifelong learning nos negócios

Todas empresas necessitarão treinar seus funcionários, por conta da transformação permanente nos negócios. Os educadores tradicionais, que são as IES, ainda não acordaram para a oportunidade para melhorar seu desempenho

lifelong learning nos negócios Estruturas e processos administrativos têm pouca agilidade para ofertar um volume muito maior de cursos e com maior frequência

Em 2019, juntamente com os demais participantes da Missão Técnica do Semesp para Singapura e Índia, tive a oportunidade de participar do programa “Recalibranting Higher Education: insights from Singapure”, na National University of Singapore (NUS), considerada uma das melhores do mundo nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e medicina.  

Dos muitos aprendizados que tivemos sobre o bem sucedido sistema educacional de Singapura, considerado um dos alicerces para que, em poucas décadas, o país deixasse o subdesenvolvimento para se tornar a segunda maior renda per-capita do mundo, um deles me chamou muito a atenção: a mudança de estratégia da NUS.

 

Leia: O caminho apontado por Paul LeBlanc

 

De acordo com os responsáveis pelo planejamento estratégico da NUS, depois de muito estudo, análises e discussões, a universidade estava mudando sua missão e doravante seu foco seria o lifelong learn. Segundo eles, o maior desafio da educação do país no momento não era mais o de formar novos profissionais, mas o de requalificar os profissionais que estavam formados há 10 ou 20 anos, pois em todas as áreas tudo havia mudado nos últimos anos.

A ideia da universidade não era abandonar os bem sucedidos programas de graduação e pós-graduação, que ocupam lugar de destaque nos rankings internacionais. Pretendiam estruturar um vigoroso programa em diferentes áreas, visando oferecer novos conhecimentos e competências para egressos do ensino superior, que precisam desses recursos para continuarem produtivos e competitivos no mercado de trabalho. Além disso, pensavam em um modelo de negócio no qual a formação já oferecesse aos futuros egressos a perspectiva de continuarem a ter acesso a formações periódicas e atualizações contínuas depois de graduados.

 

IES e o mercado de trabalho brasileiro

Quando analisamos as necessidades do mercado de trabalho no Brasil verificamos que ainda há muitos desafios para superar em relação à formação de novos profissionais em graduações e de especialistas e pesquisadores em nossas pós-graduações. Porém as necessidades de qualificação e requalificação de profissionais por meio de educação continuada também são imensas e, por mais estranho que pareça, estas oportunidades são mais aproveitadas pelas empresas de treinamento, consultorias, startups de educação, universidades corporativas do que pelas instituições de ensino superior.            

Mas quais seriam as razões para as IES não estarem aproveitando tanto quanto poderiam estas oportunidades existentes no crescente mercado da educação continuada?

Em primeiro lugar, a grande demanda por graduações ocorrida na ultima década, decorrente da inclusão das classes C e D no ensino superior, turbinada pelos financiamentos públicos (Prouni, Fies, por exemplo), fez com que a maioria das instituições não tivessem interesse pela oferta de programas de educação continuada e muitas vezes nem mesmo pelas especializações.  Era muito mais interessante para as IES oferecer produtos de maior valor, contratados em 36 ou 48 meses, que contavam com financiamento público, no lugar de empreender esforços para ofertar programas de  20, 40 ou 60 horas.  

A estratégia adotada pelas IES nos últimos anos acabou moldando suas competências, estruturas e atividades. Muitas instituições ainda tem capacidade limitada de identificar as demandas do mercado para formações de curta duração e de desenvolver produtos de educação continuada capazes de atender às novas necessidades.  As estruturas e os processos administrativos, de comunicação e de comercialização têm pouca agilidade para ofertar um volume muito maior de cursos e com maior frequência.

 

Leia: Da falta de contadores nasce a FECAP

 

Estrutura para o aproveitamento de oportunidades

Se formos comparar com o mundo da moda, as IES tradicionais lançam uma ou duas coleções por ano com seus processos seletivos anuais ou semestrais, enquanto as instituições que atuam na educação continuada precisam adotar um modelo semelhante ao da Zara na Europa, que coloca no mercado uma nova coleção a cada 15 dias.   

Mesmo com as dificuldades já citadas, esse é um mercado que as instituições não deveriam abrir mão. Não só pelo seu tamanho e perspectiva de crescimento, como também pela sinergia que o negócio possui com os cursos tradicionais ofertados pelas IES.

Competências e diversos recursos necessários para atuar especificamente no segmento mencionado como, por exemplo, infraestrutura física, tecnológica, know-how, marca e acesso ao público alvo, as instituições de ensino já possuem. Já os recursos e competências não disponíveis como portfolio de produtos e ferramentas educacionais podem ser desenvolvidos internamente ou acessados por meio de parcerias com edtechs, empresas de treinamento e especialistas de mercado.  

Várias IES, muitas de nicho, vêm atuando com sucesso na educação continuada, principalmente nas áreas de negócios, saúde e tecnologia. 

Por fim, como avaliaram nossos anfitriões da Universidade Nacional de Singapura sobre o ritmo das transformações, todos que passaram pelo ensino superior nos últimos anos precisarão ser constantemente requalificados. Portanto é fundamental que as instituições no Brasil se estruturem para aproveitar essa oportunidade.

 

Leia também: O Despertar da Liderança Sistêmica

 

(*) Marcio Sanches é Doutor em Administração de Empresas pela EAESP/Fundação Getúlio Vargas. Professor na graduação e pós-graduação da EAESP/FGV e nos MBAs da FIA. Coordenador da Universidade Corporativa Semesp. 

Por: Márcio Sanches | 05/08/2022


Leia mais

Liderança

O novo manual de sobrevivência universitária

+ Mais Informações
Educação contínua

Educação superior para a vida toda

+ Mais Informações
Ciência das emoções

Influência da ciência das emoções na educação

+ Mais Informações
Relevância

Quando eficiência mata a relevância na IES

+ Mais Informações

Mapa do Site

Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.