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Gestão

Olhar social e empático move instituições cariocas

UVA e Unisuam falam sobre a experiência do aluno e a relação com a comunidade

Publicado em 04/12/2023

por Gustavo Lima

Olhar social e empatia marcam Missão Técnica no RJ Participantes da Missão Técnica no campus da UVA, em Botafogo (foto: Semesp)

Entre os dias 30 de novembro e 1º de dezembro, aconteceu mais uma missão técnica do Semesp. Voltada aos gestores, a missão visa apresentar experiências bem sucedidas de diferentes instituições de ensino superior ao redor do país. Desta vez, os participantes foram levados para conhecer a Universidade Veiga de Almeida (UVA) e a Universidade Augusto Motta (Unisuam), ambas localizadas no Rio de Janeiro.

Beatriz Balena

Beatriz Balena apresenta estudantes de medicina da UVA (foto: Gustavo Lima)

Na Veiga de Almeida, a graduação em medicina foi o foco da apresentação. Com início no dia 7 de agosto deste ano, o curso ecoa a gestão humanizada presente na IES. Ao receber os participantes, a reitora Beatriz Balena comentou sobre alguns graduandos. “Temos uma velejadora que parou a carreira de atleta para ingressar no curso. Outra aluna que veio de Angola. E um dentista que o pai apostou tudo para que ele pudesse estudar medicina.” Beatriz conhece não apenas os nomes, como também um pouco da história de cada aluno. Para que isso fosse possível, a gestora recebeu os ingressantes e seus pais em reuniões que antecederam as aulas. “Não poderíamos construir uma relação apenas comercial. A inteligência artificial pode contribuir na rotina, mas a parte humana é fundamental para uma IES dar certo”, afirmou.

 

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Equipe da UVA

Da esq. para a dir.: Roberta Leal, Thaise Pereira Matos, Marise Marsillac e Larissa Alves compõem o time da UVA (foto: Gustavo Lima)

Como característica que deve estar presente em um profissional de medicina, o viés empático também marca presença na matriz curricular da UVA. Atenção primária, desafios da sociedade global, bioética e saúde mental são algumas das disciplinas que compõem a área de humanidades ao longo dos 12 períodos da graduação. Marise Elia de Marsillac, coordenadora do curso, destacou a importância dessa organização. “Uma pesquisa comparou médicos com o ChatGPT, e quem ganhou em empatia foi o chat. Precisamos voltar à atenção primária e melhorar o atendimento humano”, defendeu.

Os gestores presentes seguiram para uma visita guiada no campus Botafogo. Marise e os professores Jorge Fernandes, Roberta Leal e Thaise Pereira Matos apresentaram as salas e laboratórios da instituição, onde também realizaram demonstrações práticas das aulas de medicina.

 

Retorno para além da sala de aula

 

Olhar social e empatia marcam Missão Técnica no RJ

Salas e laboratórios da UVA (foto: Gustavo Lima)

Balena disse que o projeto “sábados de portas abertas” visa uma troca mais pessoal com os moradores da região. “A vizinhança foi muito impactada com o barulho das obras e o aumento do tráfego. Essa ideia surgiu para que pudessem acompanhar o andamento da universidade. Assim, recebemos os vizinhos do campus e a família dos alunos para um café da manhã. Montamos um storytelling com atividades e simulações de primeiros socorros.” Para a professora Thaise, ações como essa são o que destaca a IES. “É através do acolhimento, da empatia e do respeito que procuramos nos diferenciar”, disse.

Paula Pontara, reitora do Centro Universitário Unifateb, elogiou a forma que a gestão e o corpo docente da UVA conduzem o relacionamento com os discentes, e lembrou o tema do 24° Fnesp. “Acho que as IES estão acordando para a necessidade de olhar para o aluno. Não temos que ser uma figura chata. É sobre os estudantes, sim, e estaremos fadados ao fracasso se não dermos a devida atenção a eles.” 

 

Educação como instrumento de mudança

 

Olhar social e empatia marcam Missão Técnica no RJ

Arapuan Motta Neto recebe gestores na Unisuam (foto: Gustavo Lima)

Foi no campus Bonsucesso que os participantes da missão técnica se reuniram para conhecer a Unisuam. Estrategicamente localizada na região da Leopoldina, a IES tem a geração de mobilidade social como propósito. Arapuan Motta Netto, reitor, conta que os cursos são vocacionados para atender as demandas locais. “Nosso curso de medicina veterinária tem muita procura porque há um grande número de pets de pequeno porte nesta região. O curso de odontologia também apresenta um retorno direto, pois atende a comunidade local”, pontuou.

Além dos cursos ofertados, a IES conta com ações que espelham as necessidades da população, como a Sala Lilás – projeto em parceria com a Polícia Militar do Rio de Janeiro. A ação faz parte do Programa Mulheres em Foco e tem como objetivo a oferta de atendimento às mulheres em situação de vulnerabilidade social. Arapuan conta que a Sala Lilás estava localizada no Batalhão de Polícia Militar no Complexo da Maré, onde não havia procura. Agora, dentro da Unisuam, a procura tem acontecido com mais frequência.

 

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Desde 2017, a universidade também realiza o “vestibular solidário” com bolsas de 100% de desconto no valor da mensalidade. “Chamamos de solidário porque são destinados a alunos que comprovam carência e realmente não teriam condições de pagar. Além da prova, através de documentos, os concorrentes devem comprovar a sua carência, baseada nos critérios da filantropia que o MEC disponibiliza”, explicou o reitor. A bolsa é válida durante toda a graduação e o ingressante deve renová-la a cada semestre. “Porque eventualmente – e é o que nós queremos – ele pode conseguir um emprego, saindo do perfil da bolsa porque passa a ter uma renda acima do critério estabelecido pelo MEC. Isso é bom porque tendo conseguido um emprego através da faculdade, aumenta sua receita e abre espaço para que um outro aluno possa entrar em seu lugar.”

 

Olhar social e empatia marcam Missão Técnica no RJ

Na Unisuam, gestores conheceram o projeto de acompanhamento da performance docente (foto: Gustavo Lima)

O vestibular solidário de 2023 acontece no domingo, 10 de dezembro. A edição recebeu 13 mil inscrições em uma única semana, após divulgação no Instagram da IES. É o que contaram Bruno Rodrigues e Ninah Shnaiderman, diretor e gerente do setor de marketing, respectivamente. A ligação da gestão com a equipe de marketing foi outro ponto destacado durante a apresentação da universidade, que reconhece a área como estratégica. O time de marketing da IES possui cerca de 40 profissionais e atua de forma integrativa com as demais áreas.

 

De volta ao lar

 

Cilene Ribeiro Cardoso, docente da Universidade São Judas Tadeu e gestora de qualidade do grupo Ânima, marcou presença nos dois dias de missão. Para a professora, além do networking, o evento é importante para o fortalecimento de cases e práticas com foco no corpo discente. “O que mais me chamou atenção nessas duas instituições é o olhar centrado e o cuidado com o aluno, e também o fato de trazerem isso para o professor. Com os desafios que temos no mercado e o avanço da tecnologia, é importante que reflitamos sobre o nosso modo de dar aula e o tratamento ao lidar com o dia a dia do aluno”, avaliou.

Cilene também apontou a preocupação com a questão social. “A nova geração traz essa sensibilidade muito maior, um olhar mais humanizado e a empatia. E isso foi muito enaltecido nesses dois dias no Rio de Janeiro, justamente por instituições que estão centralizadas em comunidades. A ideia realmente é fortalecer essas associações e missões para o mercado brasileiro, porque o Brasil é gigante e cada um tem as suas especificidades e necessidades. Entender o outro é importante para a troca de experiências”.

Em fala durante o encerramento do segundo dia, Beatriz Balena também falou sobre a troca entre gestores. “Não é sobre ser melhor ou pior, é sobre ser diferente e crescer na diferença.”

 

 

Autor

Gustavo Lima


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