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NOTÍCIA
Nanomateriais à base de polímeros podem entregar fertilizantes e água para as plantas na medida adequada, para evitar a falta ou a saturação
Publicado em 01/04/2025
Derivada de áreas do conhecimento como química, biologia, física e ciência dos materiais, a nanotecnologia tem aplicações em vários setores, como na computação, na produção de cosméticos, na agricultura e na medicina. As pesquisas em torno das possibilidades de utilização dos nanomateriais avançam. Um exemplo é o projeto do pesquisador Eduardo Molina, da Universidade de Franca (Unifran), que objetiva o uso da nanotecnologia em prol de uma agricultura mais sustentável. Especificamente, a ideia é tornar mais eficiente o oferecimento dos nutrientes às plantas.
Os nanomateriais, microscópicos, são medidos em escalas que vão de 1 a 100, “há literatura que considera materiais nanométricos de 1 a 1000”, conta o pesquisador, bacharel em química, mestre em ciências pela Unifran e doutor pela Unesp, em Araraquara. No doutorado e a partir de 2014, já como docente e pesquisador contratado pela Unifran, começou a lidar com os nanômetros e sua aplicação na medicina. À época, pesquisou em laboratórios como o Sirius, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, e no Soleil-Synchroton, laboratório com estrutura similar, em Paris.
Iniciada em 2022, a pesquisa “Tastygel – Liberação sustentável de nutrientes através de inteligentes micro- e nanogéis baseados em polieteraminas-bisepóxido para aplicações na agricultura” tem recursos da Fapesp, por meio do programa Jovem Pesquisador 2, e acabou de receber o SPRINT – São Paulo Researchers in International Collaboration –, um fomento que a Fapesp concede no âmbito do programa Jovem Pesquisador, para intercâmbio internacional. Com isso, pesquisadores franceses da Universidade de Rennes virão à Unifran em outubro deste ano e Molina segue para a França no começo de 2026. Na equipe que ele coordena estão dois pós-doutorandos, dois doutorandos e seis graduandos em projetos de iniciação científica.
O exemplo da aplicação em fármacos facilita o entendimento do que são os nanômetros. “Na área médica, ao invés de liberação de nutrientes, há a liberação do medicamento de forma controlada, como nos adesivos de nicotina e anticoncepcionais, em que há um sistema de liberação ao longo do tempo e a pessoa não precisa tomar todo dia a medicação.”
Molina conta que é preciso microscópios de alta resolução e há diferentes tecnologias para desenvolver nanomateriais. Na sua linha de pesquisa, “os nanomateriais são à base de polímeros, que são cadeias basicamente constituídas de carvão e hidrogênio. São cadeias poliméricas com algumas modificações, estruturas químicas à base de carbono, hidrogênio e oxigênio e mais alguns elementos. Conseguimos através de metodologias experimentais trabalhar com esses reagentes no laboratório para obter partículas do tamanho dessa faixa de nanômetros, em solução”. Geralmente o solvente é a água, “pois queremos algo sustentável, evitamos usar solventes agressivos ao ambiente, como etanol ou acetona”, detalha.
Na agricultura, muitas vezes, para garantir que não faltem os nutrientes às plantas, há o oferecimento em excesso, o que implica em desperdício ou mesmo saturação. “Essas nanopartículas têm algumas características particulares. Além do tamanho nanométrico, elas têm a capacidade de carregar dentro delas uma alta quantidade de fertilizantes. Nesse sistema de polímeros também há a capacidade de reter água em sua estrutura e ele consegue, de uma certa maneira, liberar esses nutrientes ou fertilizantes de modo que a planta aproveite de maneira mais eficiente.”
Docente e pesquisador da Unifran, Eduardo Molina coordena a pesquisa sobre os nanomateriais em fármacos e na agricultura
Foto: Divulgação
A tarefa é grande e demanda tempo. “Podemos pegar um dos nutrientes e estudar como esse nano se comporta. Posso também pegar dois nutrientes, ou vários, para ver a influência. Por isso a equipe tem de ser grande, para variar os parâmetros. Direcionamos para cada pesquisador uma temática para ir juntando as hipóteses”.
Mas a variação não está apenas nos nutrientes. Como já mencionado, a escala de tamanho na nanotecnologia é de 1 a 100 nanômetros. “Se você desenvolve uma partícula de 20 nanômetros, ela vai se comportar de maneira diferente de uma partícula de 100. Só de alterar o tamanho dela, já altera o sistema. Então cada aluno fica responsável por uma vertente. Por exemplo, coloco um aluno para trabalhar na faixa de 10 a 30, outro na faixa de 60 a 100 nanômetros. Os resultados serão muito diferentes. Quanto mais variações experimentamos, melhor vamos entendendo o sistema”, finaliza.
Jaqueline Gomes de Jesus é uma das 19 personalidades que recebeu na quinta-feira, 27 de março, em cerimônia no Senado Federal, o Diploma Bertha Lutz, que reconhece a atuação de brasileiras em prol dos direitos das mulheres e igualdade de gênero.
Primeira mulher trans a receber o prêmio, também foi a primeira mulher trans doutorada pela Universidade de Brasília. Ativista, foi uma das responsáveis pela UnB ter o papel histórico de ser a primeira universidade do país a implantar o sistema de cotas para alunos negros. Jaqueline foi a primeira gestora de diversidade da UnB, contribuindo de maneira decisiva para a estruturação do Centro de Convivência Negra.
Jaqueline Gomes de Jesus é uma das 19 premiadas com o Diploma Bertha Lutz
Presidente da Associação Brasileira de Estudos da Trans-homocultura até 2023, coordenadora em território nacional da SMILE, pesquisa internacional focada na saúde mental da população LGBTI+, Jaqueline é docente permanente dos programas de pós-graduação em ensino de história da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em bioética, ética aplicada e saúde coletiva da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e também professora de Psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Jaqueline faz parte do conselho editorial da revista Ensino Superior.
A paulista Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976) foi bióloga, advogada e diplomata. Figura de relevância para o feminismo e a educação brasileira, uma de suas principais lutas era a de garantir os direitos políticos às mulheres. Foi pesquisadora e professora do Museu Nacional em 1919, por meio de concurso público, tornando-se a segunda mulher a fazer parte do serviço público no Brasil. Fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) e atuou pelo direito ao voto das mulheres. Em 1936, assumiu o mandato de deputada.
Bertha Lutz participou da conferência fundadora das Nações Unidas, em 1945. Foi uma das mulheres responsáveis por garantir a inclusão da igualdade de gênero na Carta da ONU, ao liderar uma coalizão de diplomatas latino-americanas voltada a esse propósito.