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Disparidades acadêmicas em sala de aula

Desigualdades aumentaram entre alunos brancos e negros, latinos e nativos estadunidenses e entre aqueles de famílias ricas e os de baixa renda

Por Kathryn Boucher*/The Hechinger Report: Os estresses causados pela pandemia criaram problemas financeiros para muitas IES (instituições de ensino superior) – que,  devido ao abismo demográfico, já se preparavam para o declínio de matrículas. Isso deixou perguntas ainda sem resposta para algumas instituições, com muitas lutando para preencher vagas na turma de 2026, de acordo com a Associação Nacional de Aconselhamento de Admissão em Faculdades. As disparidades acadêmicas também foram acentuadas.

No outono de 2019, mais de 18 milhões de alunos estavam matriculados em instituições de ensino superior nos EUA.

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O declínio no número de graduados do ensino médio, projetado antes da pandemia, combinado com a queda das taxas de conclusão do ensino médio em diversos estados, fez com que menos estudantes se matriculassem em faculdades e universidades neste outono.

As faculdades também esperam por outro problema: não apenas menos alunos podem se matricular, mas os que entrarem podem estar menos preparados para os cursos do que aqueles matriculados antes da pandemia.

Os resultados dos testes padronizados em matemática e leitura caíram para estudantes do ensino fundamental e médio, enquanto as disparidades acadêmicas aumentaram entre alunos brancos e negros, latinos e nativos americanos e entre aqueles de famílias ricas e os de baixa renda.

Queda na educação básica

As reprovações aumentaram para alunos do ensino fundamental e médio em todo o país: o estado do Novo México, por exemplo, e a cidade de Houston, Texas, tiveram mais de 40% dos alunos reprovados em pelo menos uma aula da primavera de 2020 à primavera de 2021.

Antes da pandemia, a porcentagem de estudantes que faziam pelo menos um curso de reforço ao se matricular na faculdade (como forma de se preparar para a vida acadêmica) variava de quase 70% para alunos que iniciavam em faculdades comunitárias a quase 40% para aqueles que iniciavam em IES de quatro anos, números que podem ser ainda maiores agora.

Rótulos podem atrasar o aluno

Ainda assim, o rótulo de despreparado pode ser limitante. É usado ​​para indicar a capacidade dos alunos e ofuscar seu potencial para o sucesso na sala de aula. Classificá-los como tendo a capacidade – ou não – de ter sucesso pode trazer sérias consequências, gerando dúvidas sobre habilidades, sentimentos de indignidade e de pertencimento reduzido, segundo um estudo de 2020. Isso, por sua vez, resulta em menor envolvimento com o curso (incluindo esforço, interesse e frequência) e pior desempenho.

Disparidades acadêmicas
Classificar os estudantes como tendo a capacidade – ou não – de ter sucesso pode trazer sérias consequências

O impacto desses rótulos é maior para os estudantes que são mais propensos a serem vistos como despreparados devido aos estereótipos sociais de seus grupos. Quando os alunos supostamente acreditam que seus instrutores vêem a inteligência como imutável, eles questionam quem provavelmente “a terá” e quem provavelmente não a terá.

Para as mulheres nas aulas de matemática, por exemplo, perceber que um professor tem visões fixas de inteligência gera expectativas de serem estereotipadas e diminui o desempenho no curso, demonstram pesquisas recentes.

Da mesma forma, a diferença nos GPAs do curso entre estudantes negros, latinos e nativos americanos e seus colegas brancos e asiáticos foi mais que duas vezes maior nas aulas ministradas por professores que endossaram visões mais fixas de habilidade, descobriu um estudo com mais de 15.000 estudantes universitários.

Acreditar no potencial dos alunos

Existem algumas soluções. Os instrutores podem se comunicar com os alunos e estruturar seus cursos apoiando o crescimento do estudante. O corpo docente que participou de oportunidades de desenvolvimento profissional, como o Projeto Experiência do Aluno, revisou seus programas para sinalizar claramente a crença no potencial do discente.

Os instrutores também podem conectar os alunos aos recursos do campus, normalizando o processo de obtenção de ajuda com desafios acadêmicos e não acadêmicos. As avaliações do curso podem se tornar menos arriscadas, com oportunidades integradas de feedback e instrutores usando diferentes estratégias para ajudar os estudantes a melhorar seu desempenho no curso.

Tais estratégias lembram aos jovens que o despreparo não é um estado fixo e que sua habilidade não é vista como um traço imutável. Ao adotar abordagens mais voltadas para o crescimento, os instrutores podem promover um maior sentimento de pertencimento, eficácia e confiança.

Apoio ao estudante até a formação

É claro que alguns alunos podem precisar de preparação adicional para serem bem-sucedidos em seus cursos universitários. Outros podem se beneficiar de uma pausa para atender às necessidades básicas. Outros ainda podem precisar esclarecer ou se concentrar em seu senso de propósito e motivação para ter sucesso na faculdade.

Para oferecer aos alunos a oportunidade de mostrar seu potencial, o corpo docente deve se afastar de rótulos como “despreparado”. Eles devem se concentrar na criação de culturas de crescimento em sala de aula e procurar discernir quais materiais os estudantes ainda não dominaram, para que possam apontá-los para etapas práticas de melhoria.

As universidades precisam aproveitar os ativos e pontos fortes existentes nos alunos e desafiar as visões da imutabilidade da inteligência e da habilidade.

A aprendizagem não termina com um diploma. A jornada de um estudante não precisa ser assumida ou definida por medidas de sua preparação para a faculdade, suas transcrições e notas nos exames de admissão. As instituições devem estar prontas para apoiar os alunos não apenas durante a transição para a faculdade – mas durante toda a experiência até a formatura.

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Kathryn Boucher é professora associada de psicologia da Universidade de Indianápolis. Ela é uma pesquisadora líder no Student Experience Project por meio do The College Transition Collaborative e uma bolsista de vozes públicas por meio do The OpEd Project.

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