Enade: especialistas apontam falhas e soluções

Estudo da OCDE fortalece as queixas em torno do sistema de avaliação brasileiro

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No final de 2018, a OCDE publicou um extenso relatório sobre o sistema de avaliação do ensino superior brasileiro (Rethinking Quality Assurance for Higher Education in Brazil). Encomendado pelo MEC durante o governo Temer, os apontamentos do estudo endossaram as críticas daqueles que enxergam o Enade como o pilar mais problemático do sistema de avaliação do ensino superior.

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“A maior falha do Enade é a falta de comparabilidade entre os anos. Também não há uma escala de proficiência que ajude a interpretar os resultados “, aponta Renato Pedrosa, membro da Conaes. A cobertura da prova é outro aspecto frágil. “São 30 questões para avaliar um curso de quatro anos, aproximadamente, e elas são fixas para cada curso. Um programa de história mais centrado na América Latina é avaliado da mesma forma que outro mais focado nas relações entre os países. Como resultado, as faculdades ficam amarradas em um modelo escolhido por uma comissão”, diz.

Alternativas

Enade falhas e soluções
Estudantes chegam para fazer o Enade em Brasília (DF) (foto: Wilson Dias/ Agência Brasil)

Para contemplar uma diversidade maior de programas, o MEC deveria produzir vários tipos de provas e, consequentemente, milhares de itens a mais. Seria uma empreitada grandiosa – o que explica a ausência de provas como o Enade em outros países, comenta Luiz Claudio Costa, que foi presidente do Inep, secretário executivo do MEC e hoje ocupa o cargo de vice-reitor do Centro Universitário IESB.

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Ele conta que a OCDE tentou fazer um exame do gênero, o Assessment of Learning Outcomes in Higher Education – Ahelo , e não conseguiu. Os Estados Unidos também fracassaram. “A coisa mais difícil de medir é ensino. Os rankings também não trazem essa medida”, esclarece.

Na opinião de Antonio Freitas, do CNE, o sistema poderia avançar se adotasse provas mais centradas em conhecimentos fundamentais, como português, matemática, conhecimentos gerais e, eventualmente, língua inglesa. “Também acredito que os alunos deveriam demonstrar seu conhecimento, descrever alguma coisa. Uma prova de múltipla escola não funciona para o propósito em questão”, analisa.

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