Formação

Caminhos para a inteligência emocional na educação

Quando em processo de formação, estudantes precisam sentir-se acolhidos e legitimados. Inteligência emocional necessita ser exercitada.

O início do ano letivo é um marco na vida dos estudantes, que lidam com diferentes sentimentos e emoções para frequentar a turma e a escola, principalmente, após a pandemia da covid-19 que tanto afetou a saúde mental dos estudantes e dos profissionais da educação.

No meio de um turbilhão de emoções, o acolhimento é essencial para lidar com ansiedades, medos, frustrações, angústias, receios entre outros sentimentos que este momento pode ocasionar, além de novas emoções do decorrer do ano letivo. Todas essas sensações e sentimentos precisam ser cuidados, significativos e serem contemplados no planejamento escolar.

Leia: Um currículo para trabalhar as soft skills


Desta maneira, a inteligência emocional precisa ser exercitada. Os estudantes estão em processo de formação e necessitam se sentir legitimado e acolhido.

A educação não pode mais ser vista apenas para o aprendizado cognitivo, ela precisa preparar os estudantes para educação integral em que acolha as suas vivências e conhecimentos construídos ao longo da sua escolarização, visando articular com as propostas pedagógicas e consolidando novos repertórios na busca constante de lidar com sentimentos e emoções.

Exerça o acolhimento nas aulas

Para que o retorno às aulas seja proveitoso é necessário despertar nos estudantes o interesse pelo processo de aprendizagem, colocando desafios à turma e fazendo refletir de que forma pode promover o seu entrosamento, criando uma rotina para que isso seja parte das aulas e do currículo. Assim, queremos inspirá-los com dicas para fazer deste momento acolhedor e que permita o trabalho com as habilidades socioemocionais.

inteligência emocional
“Estamos humanizando o ensino, permitindo que os estudantes aprendam uns com os outros”. Foto: reprodução/internet

1Termômetro da emoção

Já imaginou construir logo no início do ano um termômetro da emoção em que os estudantes possam debater sobre suas emoções e/ou relatar algo do cotidiano? Para isso, o professor pode trazer linguagens que fazem sucesso entre os estudantes como os emoticons e ou ainda colocar uma música e ou trechos de filmes para quebrar a rotina e permitir que a partir deste possam dialogar sobre emoções e sentimentos.

2Empatia

Lev Vygotsky e Jean Piaget já defendiam que não se pode separar afetividade e cognição e quando pautamos na educação com valores integrais, estamos humanizando o ensino, permitindo que os estudantes aprendam uns com os outros, compartilhando experiências para que se coloquem no lugar dos outros e que transformem as suas realidades. O essencial neste ponto é que o professor possa estabelecer uma relação afetuosa com os discentes desde os primeiros dias de aula.

3. Gentileza gera gentileza

Antonio Carlos Gomes da Costa em seu artigo Pedagogia da presença, enfatiza a necessidade de dizermos, por exemplo, “bom dia” na chegada dos estudantes, “até amanhã”, “estarei aqui esperando por você”, no momento saída. Atitudes que demostram a importância do professor na vida do aluno e criam uma cultura que reforçam os laços entre professores e estudantes, além de impactar o clima das aulas e humanizar a relação. 

4. Projeto de vida

Reserve um tempo com os estudantes para falar do projeto de vida deles, tecer varais dos sonhos, refletir sobre mapas mentais, traçar objetivos e quais habilidades e competências precisam desenvolver para almejar esses objetivos. Exercer a escuta ativa fará a diferença juntos aos estudantes. E na medida que será trabalhado esse tema eles se mostram receptivos e participativos.

5. Jovens acolhedores

Com o auxílio do grêmio estudantil que tal criar um grupo de jovens acolhedores? Que possa realizar atividades culturais na unidade escolar e auxiliar com a mediação de conflitos. Há muitos relatos exitosos na educação em que os alunos demostram maneiras de exercer o respeito mútuo na unidade escolar, beneficiando o processo de ensino e aprendizagem.

Esse é o momento essencial para trabalharmos com a inteligência emocional, permitindo que os estudantes construam vínculos e que realizem trocas com os colegas, exercendo a empatia e promovendo a ressignificação do espaço escolar.

Débora Garofalo é a primeira sul-americana finalista do Global Teacher Prize, prêmio que a colocou entre os 10 melhores professores do mundo. Também é colunista na Plataforma Educação: www.revistaeducação.com

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