Mapa do Ensino Superior 2020 evidencia as desigualdades educacionais do país

Quase 2 milhões de estudantes que pretendem ingressar no ensino superior ficam de fora. Financiamento estudantil ainda pode ser uma das saídas para aumentar as matrículas

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Dos 3,08 milhões de alunos não treineiros com até 24 anos que prestaram Enem em 2017, apenas 1,81 milhão ingressaram no ensino superior em 2018. Em outras palavras, mais de 1 milhão de jovens que pretendiam acessar o ensino superior ficaram de fora. Essas informações são apenas uma pequena parcela da imensidade de dados presentes no Mapa do Ensino Superior 2020, elaborado pelo Instituto Semesp e divulgado hoje, 21.

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Para Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, faltam políticas públicas de financiamento estudantil, uma vez que o Mapa revela o perfil desses estudantes que não ingressam na educação superior: 80% vêm de escola pública e 80% possuem renda familiar de até três salários mínimos.

Diante de um cenário de falta de incentivo às políticas públicas, o levantamento também apresenta o crescimento do financiamento estudantil criado individualmente por cada instituição de ensino, indo de 14,4% em 2014, para 34,8% em 2018.

mapa ensino superior
Foto: Shutterstock

Covid-19

Com o surgimento da pandemia do novo coronavírus, há um agravamento da diminuição da renda do aluno e de sua família, o que interfere em corte financeiro —  incluindo os estudos. Na visão de Ligia Pimenta, diretora do programa de parcelamento estudantil privado, CREDUC, para garantir captação e retenção, a instituição de ensino precisa, pelo menos, parcelar as mensalidades em mais vezes. “Enquanto a pós-graduação tem costume de alongar as parcelas [das mensalidades], a graduação ainda tem resistência. Na evasão é melhor oferecer parcelas do que desconto. Se a instituição não tem Fies e nem financiamento fica, fica complicado manter”, alerta a diretora.

Por falar em crise, a taxa de desocupação para quem tem ensino superior completo é 54% menor, aponta também o Mapa. Em outras palavras, ainda persiste a diferenciação entre quem tem diploma e quem não possui. “O que vemos é que quem tem nível superior terá problema em relação à renda, mas vai roubar emprego de quem tem apenas ensino médio”, diz Rodrigo Capelato.

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Pesquisadores como impulsionadores

Com uma população que atinge os 210 milhões de habitantes, baseados nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o Mapa também destaca o nível escolar dos brasileiros de 24 anos ou mais: 55 milhões possuem ensino fundamental; 44 milhões ensino médio; 19 milhões são graduados; 5,7 milhões especialização superior; 918 mil mestrado e 384 mil doutorado. “Se o Brasil busca ser um país de primeiro mundo precisa repensar sua política educacional. Sabemos a importância dos pesquisadores para o crescimento de uma nação e por aqui deve haver mais incentivo”, alerta Rodrigo.

Vale destacar que o Mapa do Ensino Superior – que este ano chega à sua 10ª edição – oferece um panorama completo da educação superior das redes privada e pública do país, por regiões, estados e suas mesorregiões, com dados sobre financiamento estudantil, valores de mensalidades e cursos mais procurados, números de matrículas nas modalidades presencial e EAD, alunos ingressantes e concluintes, perfil dos estudantes, taxas de evasão e migração, entre outras informações. Clique aqui para acessá-lo.

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