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Metaverso transformará profissões e criará novas até 2030

Também chamado multiverso, ecossistema modifica consumo e comportamento, criando novas oportunidades que entrarão em voga já nos próximos 10 anos. Vale discussão sobre acesso e consequências


A concepção não é exatamente nova. Jogos como The Sims e o cinema 3D já ofereciam experiência parecida, mas as realidades virtual e aumentada, aliadas à tecnologia 5G, impulsionaram a interação para além da simples visão da tela; agora pode-se viver dentro dela. Originado do grego, metaverso significa “além do universo” e acredita-se que suas possibilidades podem tornar estudo e trabalho muito mais motivadores e engajadores, ou no mínimo, interessantes. “Tudo indica que ele vai trazer uma grande modificação na forma como os produtos e serviços são desenvolvidos e entregue aos clientes”, acredita Marcio Sanches, coordenador da Universidade Corporativa do Semesp e professor na FGV-SP.

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Nesse contexto, o ensino superior se coloca no cerne da questão, tendo que se inteirar e se antever à demanda por novos profissionais e às possíveis modificações que terão de incutir no currículo de profissões que já existem, o que para Marcio Sanches é um dos principais desafios. Para o professor, as profissões que já existem precisam encontrar novas oportunidades e maneiras de atuar nesse ecossistema.

“Nós professores, seremos muito mais curadores do conteúdo que será disponibilizado ao aluno”

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Marcio Sanches, coordenador da UC Semesp e professor na FGV-SP (foto: reprodução/Semesp)

“Quando se trata de ensino a distância, ainda falamos muito em coisas gravadas, mas no metaverso teremos acesso a uma biblioteca brutal de informações, por isso acredito que nós professores, por exemplo, seremos muito mais curadores do conteúdo que será disponibilizado ao aluno”.

Como alerta, Marcio Sanches diz ainda que independente da profissão, as pessoas e instituições de ensino comecem a se inteirar disso para ver o que vai surgir a partir desse universo, pois as mudanças serão drásticas já nos próximos 10 primeiros anos.


5 empregos que vão surgir até 2030 no metaverso e suas competências*

Empresas do setor de realidade virtual afirmam que agora a tendência aponta para uma expansão tecnológica que deverá tornar o metaverso mais realista, conquistar um público cada vez maior e, assim, abrir uma nova fronteira de mercado e de trabalho, abrindo portas para novas especialidades. Conheça as principais delas:

1. Cientista de Pesquisa do Metaverso
Visão computacional, computação gráfica ou imagem computacional. Também precisa conhecer C++;

2. Planejador do Metaverso
Anos de experiência em gerenciamento, conhecimento de marketing e modelos de negócios de HW/SW/SaaS/PaaS e uma ótima mentalidade empreendedora;

3. Desenvolvedor de Ecossistemas:
Anos de experiência governamental/lobbying e profundo conhecimento do crescente setor de XR;

4. Gerente de Segurança Metaverso
Exigirá diploma de Engenharia e experiência em eletrônica de consumo/fabricação;

5. Construtor de Hardware Metaverso – e Construtor de Mundos
Ter uma fábrica capaz de criar eletrônicos de consumo complexos;

Engajamento

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Wagner Sanchez, pró-reitor na FIAP (foto: reprodução/FIAP)

Wagner Sanchez, pró-reitor do Centro Universitário FIAP, uma das instituições especializadas na formação em tecnologia, enfatiza que a ideia não é algo exatamente novo e que os jovens já estão imersos a essa outra realidade que ele prefere chamar de multiverso, uma vez que a palavra metaverso já está muito associada à empresa do CEO Mark Zuckerberg. Sanchez, que ministrará este ano uma aula magna justamente sobre o tema na FIAP, ressalta os pontos positivos desse ecossistema para o engajamento no aprendizado.

“Imagine que você acorda, invoca seu avatar, coloca seu tênis da Nike, pega sua Coca-Cola, ambos comprados no multiverso, e vai para sua aula, onde você interage em tempo real com seus colegas, em um ambiente que pode ser qualquer um: o Vale do Silício ou Museu do Louvre. Estudar pode ser muito mais interessante”

Wagner Sanchez aborda ainda alguns pontos que aceleraram os avanços das realidades virtual e aumentada até a chegada do metaverso (ou multiverso):

  • Experiência com as redes sociais – “todo mundo já está expert nisso e até um pouco enjoado, é hora de dar o próximo passo”, diz o especialista;
  • Pandemia;
  • Surgimento e ampliação do uso de criptomoedas

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“Mudanças serão drásticas já nos próximos 10 anos” (Foto: reprodução / internet)

Este último fator, segundo Sanchez, já é popular nesse ambiente. É com criptomoedas que se pode comprar um tênis da Nike, uma bolsa da Gucci ou uma Coca-Cola para seu avatar, pois essas marcas já comercializam seus produtos no metaverso. Além desses diferenciais da realidade virtual, também já é possível usar os sentidos, com exceção do paladar. “Todos os outros, tato – com a ajuda de luvas, e até cheiro, algumas empresas já inseriram em seus dispositivos”, conta o pró-reitor da FIAP.

Parece que não se está muito distante de poder ter a experiência do “cinema sensível”, tecnologia imaginada por Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo, ainda em 1932, que possibilitava seus espectadores de sentir absolutamente tudo o que viviam os personagens do filme, incluindo as emoções.

Por outro lado…

Apesar de todas as possibilidades e vantagens que o metaverso trará, alguns pontos precisam ser discutidos como o acesso (quem poderá fazer parte desse universo?), já que a internet não é democratizada a todos no Brasil e isso ficou ainda mais evidente na pandemia, além de cada óculos de realidade aumentada chegar a custar mais de R$500. A entrada nesse universo ainda é restrito para uma camada privilegiada.

Outra questão é o aumento da emissão de gás carbônico (CO2). Por mais que se pense que a baixa socialização e consumo de bens e produtos possam diminuir sua emissão, é justamente o contrário. De acordo com um relatório de 2020 dos pesquisadores da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, se 30% dos jogadores mudassem para plataformas de jogos em nuvem até 2030, haveria um aumento de 30% nas emissões de carbono. Isso porque maiores servidores requereriam maior uso de energia elétrica.

Por último e igualmente preocupante, é: como fica a saúde mental das pessoas em um mundo onde elas podem ter a aparência que desejarem e viverem em ambientes perfeitos? Como fica a visão de si e do mundo real? Como tudo isso vai afetar a vida das pessoas, talvez seja a principal questão a ser avaliada, especialmente depois da descoberta dos danos psicológicos que causam os algoritmos do Facebook e Instagram, sobretudo em mulheres e crianças. Pior: sob ciência total do dono Mark Zuckerberg e demais desenvolvedores dessas marcas.

“Acho que teremos que esperar um pouco para ver que seres humanos serão ‘construídos’, digamos assim, até lá. Mas é um aspecto tenso mesmo”, diz Wagner Sanchez.

*Fonte: Levantamento do Centro Universitário UniOpet

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Mayara Figueiredo

Jornalista | repórter na Plataforma Ensino Superior

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