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Pandemia e educação: quais as transformações?

Gerente do Senac, Paulo Rezende fala sobre os impactos já gerados pela covid-19 e como a instituição de ensino vem se adaptando

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Pandemia e educação é tema da entrevista com Paulo Rezende, gerente do Senac São Paulo. Rezende responde pelas unidades do bairro Tatuapé, Cel. Luís Americano e Serra de Bragança, e unidade Penha. Entre os principais aprendizados deste período atípico, ele diz: ‘Foram vários, mas o destaque vai para a grande capacidade de adaptabilidade, de flexibilidade, de resiliência em alguns casos, mas tudo isso pautado pelo fazer coletivo, o que é muito interessante”.

Paulo Rezende, que tem mestrado e doutorado em linguística aplicada, também afirma que as profissões vão mudar de perspectiva. Confira, a seguir, a entrevista.

Leia: 5 aprendizados da pandemia para pautarmos o ensino em 2021

De modo geral, quais os principais impactos da pandemia na educação?

A maior crise sanitária e humanitária acelerou algumas tendências como o trabalho a distância, o trabalho remoto, a utilização cada vez mais frequente das novas tecnologias no processo de ensino e aprendizagem. Fomos jogados nisso tudo. E tem o aspecto positivo da experimentação de novos cenários. Mas tivemos aspectos que não foram tão positivos como a entrada extremamente rápida no ensino remoto, sem planejamento.

Durante esse ano, observamos com mais nitidez a desigualdade social. E tem a questão do impacto do isolamento social nos relacionamentos, já que alguns processos do ensino e aprendizagem começam a ter outra roupagem, por vezes longe do ideal.

O presencial ainda tem grande importância na nossa sociedade, nós nos percebemos no social, na interação presencial. O remoto não vai desaparecer, ele veio para ficar, inclusive fará parte do mundo do trabalho. Mesmo assim, somos uma sociedade que precisa desse contato, de estar presente, de estar olho a olho, de ler a pessoa para além da tela.

Pandemia e educação
Paulo Rezende, hpa cinco anos na gerência do Senac São Paulo (foto: divulgação)

Quais foram os cursos e as áreas mais procuradas nesse último ano? Você acredita que continuarão sendo em 2021? Por quê?

A maior procura nos últimos 12 meses foram os cursos de saúde e bem-estar, principalmente pelo momento da pandemia. O curso técnico em enfermagem ocupou o primeiro lugar na procura e, na sequência, cursos das áreas de estética, podologia e administração, respectivamente.

Cursos como Docência e mediação pedagógica online, Gestão de potencialidades humanas, Elaboração de materiais didáticos com recursos tecnológicos e Produção de conteúdo para EAD estiveram no topo do ranking de procura. A concentração nas áreas que promovem a reflexão sobre a docência em EAD sinaliza tendência nesse tipo de formação.

Leia: Estágios em tempos de pandemia

O que se pode esperar da educação daqui para frente? E enveredando para a educação profissional, quais os desafios?

As profissões vão começar a mudar de perspectiva. Um exemplo bem claro refere-se ao gestor de recursos humanos. A partir de agora, para uma empresa fazer a gestão de seus funcionários remotamente, ela precisará ter um outro tipo de reflexão. Os seus gestores terão de ter outra formação. Nós, como gestores de RH, teremos que refletir como vamos trabalhar o currículo dos nossos cursos.

As áreas de saúde e bem-estar também sofrerão mudanças. Currículos precisarão ser revistos. Docentes precisarão ser/estar preparados para essa revisão.

E atenção especial à questão humana. Em educação, temos o ser humano como referência e por mais que tratemos de questões técnicas e questões burocrático-administrativas, é esse humano que determina para que lado vamos.

Fale sobre as principais medidas e adaptações realizadas pelo Senac São Paulo desde o início da pandemia. Elas foram mantidas ou sofreram adaptações e mudanças no decorrer do ano?

Não tínhamos histórico de uma situação como essa. Fomos para o trabalho remoto do dia para noite, imediatamente. Esse ano tem sido de mudanças constantes. Estamos interpretando a situação pandêmica como um processo orgânico, ‘com vida própria’. E ele nos redireciona a uma outra necessidade de reflexão, a uma outra medida que precisa ser tomada. A rapidez com a qual tomamos decisões e encontramos soluções para alguns problemas vão aparecendo durante o processo. A rapidez é muito presente e precisamos ter respostas a ela.

Como exemplos de ações, podemos citar a constante atualização dos canais internos – incluindo intranet – com a disponibilidade de todos os auxílios necessários que foram e estão sendo oferecidos dentro da unidade. Vale mencionar a orientação constante para s prática pedagógica nas atividades remotas, a exemplo do desenvolvimento de aula, avaliação, proposta de atividades, planejamento, construção, orientação para gravação de videoaulas, disponibilização de recursos didáticos por curso, criação de biblioteca virtual com acesso a material didático para funcionários, docentes e alunos, disponibilização de softwares para fins educacionais, descontos para alunos na aquisição de computadores em empresas parceiras, constante acompanhamento das definições de rotas de registro escolar, entre outras.

Quais os principais aprendizados da instituição durante a pandemia?

Foram vários, mas o destaque vai para a grande capacidade de adaptabilidade, de flexibilidade, de resiliência em alguns casos, mas tudo isso pautado pelo fazer coletivo, o que é muito interessante. Quando tudo está dentro do ‘normal’, o ser humano olha muito para si próprio. E esse foi um dos aprendizados: olhamos mais para os outros e para as demais instâncias das instituições como uma coisa só que fundamenta o trabalho em um cenário que é de extrema incerteza.

Aprendemos a ter mais capacidade de reflexão crítica, de percepção do outro, do nosso trabalho nesse cenário e do quão flexível podemos ser para tentar atender as demandas que temos de transformação pela educação.

E aprendemos mais da parte técnica com apropriação das tecnologias, mas cabe uma ressalva: o próprio ser humano é tecnologia em evolução, ou seja, ter um grande aparato tecnológico pode não significar nada se a outra tecnologia, que é o ser humano, não estiver preparada para lidar com aquilo de uma maneira sistêmica. O Senac São Paulo também se preocupou e se preocupa com essa necessidade de provocar, de trazer inquietações e respostas para esse desenvolvimento da tecnologia humana.

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