Projeto de professor de Ciências Biológicas leva conhecimento para comunidades rurais e indígenas

Com coordenação de André Ramos, da UFSC, iniciativa ganhou prêmio da Fundação Carlos Chagas de 2019

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Quando estudantes de Ciências Biológicas vão a campo democratizar o conhecimento científico com o ensino médio de comunidades rurais e indígenas, surge uma saída para a lacuna que separa instituições de ensino superior de escolas de educação básica, sem contar o contato dos alunos com diferentes realidades.

Tal ação faz parte do Projeto Imagine: formando educadores para uma docência multicultural, inclusiva e inovadora, criado em 2013 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sob coordenação do professor André de Avila Ramos. A atividade também recebe a participação de graduandos em Cinema e Jornalismo.

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Democratização

Os materiais didáticos e os conteúdo desenvolvidos, como vídeos, são divulgados em um site (clique aqui) em quatro idiomas para que pessoas de todos os cantos do mundo tenham acesso. Todos os materiais podem ser modificados, adaptados e traduzidos, desde que a origem seja atribuída.  

Desde a sua criação, as atividades voltadas às ciências foram aplicadas na aldeia guarani Tekoa’Uy’A, localizada no município de Major Gercino (SC), em duas comunidades rurais do município de Lages (SC) por meio da Escola Itinerante Maria Alice de Souza e em uma comunidade quechua no Vale Sagrado dos Incas, na escola secundária Sagrado Corazón de Jesús, Calca, Peru. Contudo, por falta de verba, a última visita a campo aconteceu em 2017, mas a vontade do coordenador é levar o projeto para diversos cantos do Brasil e mundo.

Tamanha importância e originalidade fez o Projeto Imagine ser um dos vencedores da 9ª edição do Prêmio Prof. Rubens Murillo Marques, realizado anualmente pela Fundação Carlos Chagas (FCC) com o objetivo de valorizar experiências de professores de licenciatura que contribuam para a formação dos futuros docentes da educação básica.

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professor
André Ramos recebendo o Prêmio Prof. Rubens Murillo Marques (foto: FCC)

Como funciona

Os alunos de Ciências Biológicas que vão a campo são os do 3º semestre que mais se destacam nas atividades para a Prática Pedagógica como Componente Curricular (PPCC), da disciplina obrigatória de Biologia Molecular 1 do professor André Ramos. Posteriormente, são convidados para um projeto de extensão.

A ação é também uma maneira de os estudantes mergulharem no universo da docência, uma vez que a escolha entre bacharelado ou licenciatura ocorre no 5º semestre.

André Ramos explica que a visita à região fora do contexto urbano é apenas uma parte do projeto, uma vez que a equipe, também composta por professores e alunos de pós-graduação, passam meses montando as atividades que serão realizadas e programando a obtenção de equipamentos e materiais, todos emprestados de laboratórios e parceiros. “A gente constrói uma história contada e experimentada. Não é uma feira de ciências com experimentos desconexos”, defende.

Vivência

projeto imagine universitário
Projeto em prática (foto: Facebook Projeto Imagine)

Já dentro da comunidade, a equipe chega com experimentos científicos para debater determinados temas, como o DNA. “Começamos trabalhando com aspectos macroscópicos, que vemos a olho nu, como folhas e flores e vamos reduzindo até chegarmos a análises de DNA de plantas e dos próprios participantes.  O debate que terminamos é sobre respeito à diversidade, à diferença. Compreendendo do campo de vista cientifico e biológico que na biologia não faz sentido ter sentimento de racismo e segregação”, explica o coordenador.

Jussara Lazzari, diretora da Escola Itinerante de Lages, SC, que já recebeu o  projeto mais de uma vez, conta que é apaixonada pela atividade. “A gente vivencia. É uma dinâmica muito especial em que não só os alunos aprendem como os professores também.”

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Ensino, pesquisa e extensão

Dentro da universidade, nas aulas práticas da disciplina de Biologia Molecular 1 do professor André Ramos, os alunos analisam o DNA humano por meio da saliva coletada nas comunidades. Antes o DNA analisado era o de ratos de laboratório, explica o professor.

“Nas aulas regulares, quando a gente aplica em sala de aula, notamos falhas técnicas que despertam o estudante a encontrar alternativas para melhor identificar o DNA das pessoas’, explica.

Alguns desses problemas técnicos virou até Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Protocolo de atividade didática de biologia molecular aplicável em comunidades ou em sala de aula é o trabalho de Carolina de Prado, que aplicou o aplicou em comunidade rural e ainda coletou dados em outras turmas. Com isso acabamos fechando o tripé ensino, pesquisa e extensão”, revela André.

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