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Startup brasileira oferece cursos online para surdos e concorre a prêmio em Dubai

Os programas de formação, que ensinam de fotografia à matemática financeira, já atraíram 2 mil alunos, aproximadamente. Signa pretende ampliar o portfólio com cursos de longa duração

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Cursos online para surdos e deficientes auditivos de fotografia, Photoshop, português e matemática financeira são raridades. Não por acaso, é isso o que chama atenção na brasileira Signa, uma das 30 finalistas do Prêmio Next Billion Edtech, que reconhece as startups mais inovadoras na área de educação de países emergentes. As três primeiras colocadas ganharão US$ 25.000.

“Não conhecemos outra plataforma que esteja desenvolvendo as mesmas soluções que as nossas. Nossos alunos possuem capacidade não só de aprender, mas também de ensinar”, defende a cofundadora e CEO da Signa, Fabíola da Rocha Borba.

A Signa entrou no mercado em 2016 e já desenvolveu uma série de cursos, muitos deles produzidos pela comunidade surda — gerando oportunidade de renda extra para essa parcela excluída da sociedade. É o caso da professora formada em Letras, Aline Vendrame que, segundo a CEO, nunca tinha tido a oportunidade de utilizar seu conhecimento pela falta de vagas para surdos em sua área.

Os valores dos cursos variam de R$39,00 a R$ 1,4 mil e a maioria dos pacotes inclui atividade e alguns  acompanhamento com professor. Atualmente, a plataforma tem cerca de 2 mil alunos.

Em 2018, a startup fez uma parceria com a escola online de inglês Seda College e montou um curso gratuito em inglês para surdos. Até o momento, o programa já recebeu mais de 400 inscritos.

O encontro dos sócios

A origem da Signa está ligada ao evento Startup Weekend Education, de 2015. Naquela edição, os participantes tiveram que formar grupos e criar, em 72 horas, uma edtech.

Na maratona, Icaro Rezende, fundador da Signa e diretor de tecnologia, propôs resolver o problema de falta de inserção de surdos na educação. A ideia chamou a atenção de Fabíola, uma vez que seu pai e tia são surdos, e a de Leandro da Cunha, atualmente diretor de marketing da edtech. Juntos, eles criaram a Signa.

Para a empresa se concretizar e se tornar sustentável, a equipe ganhou alguns editais e participou de programas de aceleração, como o Seed, em Minas Gerais, e o Sinapse da Inovação, em Santa Catarina. Em 2017 foram selecionados para o Startup Chile.

Essas participações renderam bolsas e dinheiro para investir na edtech, além de mentoria e capacitação. “Foram processos bem importantes para a gente entender o que é empreender e como gerar um negócio de impacto e sustentável”, acrescenta a CEO.

Atualmente, estão no Startup Brasil e fazem parte da Acelerado Wow.

Sobre os próximos passos, a Signa enxerga como possibilidade estabelecer parcerias com instituições de ensino, colégios e escolas de idiomas. Porém, nesse momento, o principal objetivo da empresa é investir na produção de cursos mais longos, com duração de seis meses a um ano. Hoje a maioria dos cursos possuem algumas horas e semanas.

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Equipe da edtech (foto: divulgação)

Falta de inclusão

Os surdos representam 9,8 milhões da população brasileira, segundo dados do IBGE. Embora a maior parte tenha capacidade de desenvolver a fala, 80% não sabem ler em português e também não praticam o ato de falar — mesmo tendo capacidade —, uma vez que a língua materna é a Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Cristiane Souza, com 43 anos, começou no ano passado os estudos e, atualmente, está no fundamental II da EMEBS Anne Sullivan, escola pública bilíngue para surdos, localizada na zona Sul da capital paulista. Ela praticamente não fala português.

Indagada sobre a possibilidade de realizar cursos online, a irmã ouvinte de Cristiane, Adriana Souze, 32, explica que, pela falta de domínio no português, sua irmã tem dificuldade em acessar a internet, porém já utiliza Facebook, Google e o site da TV Inês, voltado à comunidade surda.

Ao mergulhar nesse universo e compreender que boa parte não compreende o português, a Signa lançou este ano um curso de Libras para ouvintes. O objetivo é fazer a sociedade incluir os surdos no mercado de trabalho e demais setores sociais.

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Cristiane Souza está no fundamental II de uma escola pública bilíngue para surdos (foto: Adriana Souze)

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