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Transformação digital forçará mudanças institucionais nas IES em curto prazo

A exemplo de case de sucesso da Universidade de Múrcia, na Espanha, o processo requererá estratégia, personalização e diferenciação. Impacto alcançará 80% das instituições no mundo este ano


A corrida pela sustentabilidade das IES certamente deve percorrer o caminho da transformação digital, evidencia Pedro Martínez, vice-reitor de estratégia e universidade digital da Universidade de Murcia, na Espanha. Em evento online promovido pelo Semesp em parceria com a MetaRed, nesta quinta-feira, 7, o gestor falou sobre a implementação das mudanças na instituição e como a tecnologia pode ser usada para uma real diferenciação e competitividade no atual contexto da educação superior.

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Para Martínez, as IES devem fazer o máximo proveito das ferramentas tecnológicas, uma vez que até o final de 2022, 80% delas no mundo emitirão alguma forma de credencial digital. No Brasil, esse movimento vem sendo percebido pela implementação do diploma digital, imposto como norma pelo MEC nos setores público e privado.

Além disso, o aprendizado ao longo da vida e a personalização serão cada vez mais requisitados, além de maior agilidade de atualização não só no que diz respeito à formação, mas também ao serviço que é prestado. “haverá profissões que não existirão daqui cinco anos, isso demanda formação qualificada e especializada” diz. “Alguns bancos, por exemplo, já estão fazendo suas próprias faculdades porque consideram o acompanhamento das universidades muito lento”, alerta.

transformação digital - Universidade de Múrcia - reprodução
Foto: reprodução

Para ele, diante desse contexto, é importante que as IES sejam capazes de ser competitivas. Martínez se diz preocupado ao se deparar com uma demanda que não existia antes. “Estamos automatizando muitos postos de trabalho e o resultado dessa automatização pode resultar em um grande drama social: ficar sem emprego e oportunidades de novos empregos”. Para tanto, o gestor sugere investimento em requalificação profissional, mas faz ressalva de que IES ainda tem muito que avançar.

Experiência na Universidade de Múrcia

Pedro Martínez acrescenta ainda que transformação digital é algo totalmente estratégico, não é um processo simplesmente de digitalização ou de uso das tecnologias; tem que estar muito alinhada com a própria estratégia institucional. “A pergunta de um milhão é: o que podemos fazer para nos diferenciar?”

Na Universidade de Múrcia, segundo o gestor, era muito claro desde o princípio que alcançar a transformação digital era um processo transversal que envolvia toda a instituição. Para ele, esse processo é como uma “mesa de três partes”, que envolve uma mudança cultural, já que exige adaptação a um novo modelo de funcionamento; estratégia clara sobre esse modelo e utilizar a tecnologia a seu favor para por a estratégia em prática. 

A abordagem feita em Múrcia então foi primeiramente questionar as mudanças para alcance da transformação cultural da instituição sobre o que queriam transformar, como fazê-la, comunicar essa missão para toda a universidade e por fim, estabelecer um plano para atingir essa transformação. “Se qualquer uma dessas partes não estiver bem definida, você vai seguir fracassando”, conclui.

Impactos da transformação digital nas IES, segundo Martínez:

Em 2021, 30% das instituições foram forçadas a implementar uma estratégia de personalização para manter suas matrículas;

Até 2023, a aprendizagem ao longo da vida ultrapassará as licenciaturas em 10% das instituições;

Até 2024, 50% das IES terão de aplicar alguma estratégia de diferenciação a 100% do catálogo do curso.

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Mayara Figueiredo

Jornalista | repórter na Plataforma Ensino Superior