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O aluno pode decidir o que quer aprender?

Se interesse vem de mão dadas com as necessidades e o engajamento com a utilidade do conhecimento, cabe às instituições aferirem seus níveis de ação e desempenho quanto a esses aspectos

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aluno pode escolher
O tema da aprendizagem não se limita à aquisição de informações (foto: Envato Elements)

A partir da leitura de alguns artigos de Rui Canário, professor catedrático aposentado do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, elaborei algumas reflexões sobre uma pequena parte do contexto que estamos vivendo no cenário do ensino superior.

Não conheço a realidade de todas as instituições de ensino no Brasil, mas se pode ler sobre muitas delas nas mídias, nos artigos acadêmicos e se pode ouvir entrevistas, podcast ou assistir a vídeos institucionais. Como participo das atividades do Sthem Brasil, do Semesp e de outras tantas à nossa disposição na internet, é possível identificar alguns pontos comuns nas discussões e debates que vêm à tona quando o tema é a aprendizagem dos estudantes.

Leia: https://revistaensinosuperior.com.br/pedagogica-inovacao/

Um desses pontos, também comentado por Canário, indica a falta de interesse dos alunos e de engajamento com os processos de aprendizagem, que acabam por desqualificar a instituição, colocando-a como ineficiente. No entanto, cabe-nos avaliar o porquê do desinteresse e dessa falta de engajamento.

Conciliar aprendizagem e utilidade

Em primeiro lugar, temos de entender que a vontade de aprender do jovem e do adulto é diferente da vontade da criança. Daí, muitos aspectos sob o ponto de vista da pedagogia devem ser transferidos para o ponto de vista da andragogia, uma vez que os adultos iniciam sua intenção de aprendizagem desde que compreendam sua utilidade para determinadas situações de vida. O interesse está atrelado à necessidade e à utilidade do conhecimento que se converterá em habilidades que promovam a mudança de atitude do aluno.

Em segundo lugar, a partir do título de um dos textos que li, de que a escola é o lugar onde os professores também aprendem, o professor deve ter plena consciência de que “sabedoria não garante competência”, muito menos as competências docentes.

Nunca se discutiu tanto sobre capacitação docente e formação contínua de professores. E por quê? Porque nas últimas décadas foi notória a expansão quantitativa de sistemas escolares e de instituições de ensino com base em promessas de desenvolvimento e de igualdade, principalmente. No entanto, muitas vezes, a eficácia e a qualidade das formações ficam em segundo plano.

Ainda encontramos professores no papel de transmissores de conhecimento, de saberes apenas e não no papel de mediadores do conhecimento, de habilidades, de atitudes, de valores, de emoções. Ainda encontramos professores resistentes ao “trabalho” que a inovação impõe.

E é na prática, no dia a dia escolar, que o professor deve refletir, se autoavaliar, compreender as mudanças de cenário e contexto educativos, envolver-se com as atividades de autoformação e mudar sua postura; compreender os processos de mudança, cooperar com a instituição, ir ao encontro dos alunos. Canário parte do princípio de que a “atividade dos professores tem uma dimensão coletiva, o que não é o mesmo que a soma das ações individuais”.

Solução parte de dentro para fora

E em terceiro, o cenário da educação deve propor soluções e não ser só o problema. A pauta do momento é o ensino híbrido. Todos em busca do melhor conceito, da melhor forma de institucionalizar um modelo eficaz. Porém, a busca para solucionar questões como essa deve partir do interior da instituição para fora. Por isso, a prática dos docentes, o engajamento dos estudantes e o funcionamento da instituição precisam ser modificados ao mesmo tempo. Trata-se de um trabalho coletivo.

Sabemos que a educação ultrapassa os limites da escola, e diante das várias perspectivas do futuro do ensino, como vamos influenciar crianças, jovens e adultos, nos seus diferentes níveis, sobre o significado e o valor do aprender, do desenvolver-se, do qualificar-se, do ser que eles querem ou gostariam de ser?

É preciso ouvir os alunos

O tema da aprendizagem não se limita à aquisição de informações que, de alguma maneira, se transformam em experiências, mas ao modo como lidamos com essas informações, de como alteram nosso comportamento e criticamente influenciam nossas escolhas decorrentes de nossas experiências. Um debate que vai longe.

Portanto, não creio que se trata apenas da falta de interesse ou de engajamento  dos estudantes, mas também da falta de ouvir o que dizem, de compreender como pensam, de ver como agem e de como querem ou podem aprender. E, se interesse vem de mão dadas com as necessidades e o engajamento com a utilidade do conhecimento, cabe às instituições aferirem seus níveis de ação e desempenho quanto a esses aspectos.

Segundo Canário, “o grande problema hoje não é só saber como será a escola do futuro, mas saber se há um futuro para a escola”. E qual seria a perspectiva do aluno sobre essa conjetura? A resposta dele, não a tenho, ainda, mas, com essa frase de Canário, quero deixar aqui uma reflexão sobre como temos agido e conduzido nossos debates, e sobre que trilhas temos percorrido em busca de respostas para as perguntas que não fazemos ou não temos sabido formular.

Ana Valéria Reis é doutoranda pela Universidade de Coimbra, diretora de inovação acadêmica na Faculdade Santo Ângelo (Fasa), mentora no Programa de Becas Santander Skills/Innovation e atua na formação de professores. Escreve sobre inovações em coluna mensal na Plataforma Ensino Superior.

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