Gestão pedagógica: IES que estão fazendo diferente

Para estimular a retenção de alunos, instituições implementam e se inspiram em novas metodologias, e fazem parceria com empresas para promover maior envolvimento dos estudantes e melhorar a formação

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Gestão pedagógica
Instituições concorrem ao Prêmio de Inovação no Ensino Superior (Foto: Envato Elements)

Novos tempos requerem novas metodologias. Diversas instituições pelo Brasil de tempos em tempos fazem reforma pedagógica, refazem matrizes curriculares do zero, enfim, lançam mão da criatividade para melhorar a formação e a retenção de seus alunos. Uma das principais problemáticas do ensino superior no mundo informatizado, é a sincronicidade da formação com as necessidades do mercado, além do desafio de suprir essa demanda diante de um público jovem cada vez mais acostumado ao curto e preciso, e que muda de opinião conforme as tendências

Leia: O lugar do lúdico no ensino superior

Três projetos que já estão apresentando soluções para essas questões, foram desenvolvidos a partir da metodologia baseada em projetos e até mesmo inspirados no modelo de avaliação Enade.

Eles concorrem ao Prêmio de Inovação Gabriel Mario Rodrigues, que conta com 20 semifinalistas ao todo, divididos pelas categorias educador (inscrições individuais) e IES (inscrições de instituições), disputando em três modalidades. Abaixo, apresentamos três instituições que concorrem na modalidade gestão acadêmica:

Dual Study: um novo nível na integração universidade-empresas

A Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e da Computação Dom Bosco (FCEACDB – AEDB), faz parceria com algumas multinacionais presentes em Resende, município do Rio de Janeiro onde a instituição também se localiza, para trabalharem em conjunto no processo de concepção do curso de administração. Sim, as empresas opinam na matriz curricular. Funciona assim: elas expõe suas necessidades profissionais, oferece o suporte prático e técnico e a instituição entra com o conhecimento sociológico e formação da pessoa.

O currículo é dinâmico e repensado a cada semestre, sempre com uma temática diferente, relacionada à área de atuação do curso, funcionando por meio de módulos. Em 2019 foi selecionada a primeira turma, com 29 alunos, dos quais cada empresa selecionou seu grupo. Eles trabalham três dias por semana nessas empresas, desenvolvendo os projetos estabelecidos entre elas e a instituição.

O trabalho também é rotativo: a cada dois meses os alunos mudam de setor para que trabalhem o projeto por inteiro, compreendendo todas as áreas da empresa. Os estudos além de gratuitos, ainda pagam uma bolsa-auxílio pelos três dias por semana trabalhados. Como o objetivo é formar o profissional ideal e retê-lo, as próprias empresas custeiam o estudo e o salário, informa Washington Lemos, coordenador do curso.

O projeto parece ser não só uma forma de envolver mais o aluno com a instituição e evitar evasão, como promete uma formação totalmente atualizada às competências exigidas do profissional dos novos tempos.

Currículo baseado em competências

Também utilizando-se da mesma metodologia, o Centro Universitário Unifacig, em Munhaçu, na Zona da Mata, Minas Gerais, oferece para os alunos do curso de análise e desenvolvimento de sistemas, o desenvolvimento de projetos desde o primeiro período. A primeira turma a estudar nessa modalidade tem 19 alunos e foi formada em 2019.

Assim como no curso de administração na FCEACDB – AEDB, na Unifacig a cada semestre há um tema a ser trabalhado. “No primeiro período a competência a ser desenvolvida era lógica, a gente fez uma parceria com uma escola e os alunos criaram jogos para professores de matemática. Eles foram primeiro ‘clientes’ e são os clientes quem dão a nota avaliativa”, explica Natália Tomich, coordenadora de inovação em ensino e aprendizagem.

Apesar da metodologia baseada em projetos não ser uma aplicação completamente nova, Tomich acredita na inovação desse modelo de aprendizagem não por ser fora do convencional e não abranger apenas uma disciplina, inclusive, não há disciplina, o curso é inteiramente um projeto atrás do outro, com um jeito de avaliar diferente. “Não tem disciplina, tem etapas e isso vai sendo ofertado também na forma de workshop e seminários”, diz.

Modelo de gestão educacional integrado

No Centro Universitário Patos de Minas (Unipam), Minas Gerais, adotou o modelo acadêmico integrado em gestão pedagógica, no que se refere à avaliação. Baseada no Enade, a instituição usam dois indicadores: a qualidade da entrega e qualidade percebida, para medir resultados do ensino e ao mesmo tempo a satisfação dos alunos com relação ao conteúdo, docentes e da própria Unipam.

Na avaliação integradora, entram o conteúdo de todas as disciplinas o que para o reitor, Henrique Carivaldo Neto, “são muito mais contextualizadas e cobram muito mais a aplicabilidade desse conteúdo. Daí, comparamos o resultado da avaliação com os das disciplinas ao longo do semestre [trabalhos, seminários, etc.] e caso identifiquemos discrepâncias entre elas, conseguimos identificar a causa e trabalhar nela”.

O reitor diz ainda que a instituição é uma das primeiras a utilizar o sistema NPS (Net Promoter Score), no qual o aluno a avalia em notas de zero a 10 o quanto a indicaria o local de estudo para amigos, o que acha do atendimento, do ensino e demais setores e serviços da Unipam. “Olhamos com um todo, é um sistema: avalio o trabalho que o professor desenvolve, como o aluno percebe esse trabalho e quais são os resultados que eu tenho ao final desse processo”, conclui Neto.  

O Prêmio de Inovação no Ensino Superior em memória do professor Gabriel Mario Rodrigues, acontecerá como parte do seminário O Futuro do Ensino nos dias 19 e 20 de agosto, a partir das 9h.

Leia também:

Incentivo na inovação pedagógica

Futuro do ensino: desafios para o segundo semestre

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