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Alunos negros da Unicamp criam rede para network e equidade no mercado

Além de networking e preparo, intenção do coletivo é expandir a iniciativa para outras universidades para que, mais do que investir em empregabilidade, possam contribuir com um mercado mais equitativo


O que começou há dois anos com um grupo de cinco pessoas no WhatsApp, hoje é uma rede com 80 voluntários, responsável pela inserção de talentos negros em postos de trabalho onde suas presenças são restritas. Formado por alunos e egressos, o movimento estudantil Unicamp Black Network (UBN) visa ampliar as oportunidades de pessoas negras por meio do “quem indica”,  do preparo para processos seletivos e até revisão de currículos.

“Nos dividimos em células de capacitação por áreas de mercado”, conta Matheus Gomes, um dos fundadores do coletivo. “Por exemplo, se a vaga é para a área de finanças, existem pessoas que serão responsáveis por garantir que este candidato seja considerado pela empresa nessa área.”

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Matheus Gomes, um dos fundadores do UBN. Foto: divulgação

Formado em engenharia mecânica pela Unicamp, o jovem conta que em sua turma, de 140 alunos, apenas cinco eram negros. “Só me sentia representado no bandejão, onde os funcionários eram como eu. Na sala de aula, entre colegas e professores isso não existia. Em questões de representatividade e até de autoconfiança, isso é muito sério.”

Considerando essa disparidade, o movimento intenciona também oferecer consultoria para outras universidades iniciarem processos semelhantes para que, mais do que investir em empregabilidade, elas possam contribuir com ambientes e um mercado mais equitativo. Para tanto, o UBN realizou eventos com apoio de empresas e bancos como a Ambev e o Itaú para conseguir alcançar grupos de outras universidades. A FEI, do ABC paulista, por exemplo, manifestou interesse.

Maior espaço depende de conexão

O último evento realizado na própria Unicamp, para reunir interessados em colaborar com a expansão da iniciativa, contou com a palestra de Roberta Anchieta, ex-aluna da instituição e primeira mulher negra a ocupar cargo de superintendente no Itaú.

Segundo Renato Cassol, integrante do movimento “a ideia do evento é fazer as pessoas saberem que há muito espaço para o talento negro no mercado e que as conexões ajudam muito para que o desenvolvimento da carreira dessa comunidade seja efetiva. Precisamos estar juntos para crescer”, enfatiza. 

Para conhecer melhor o trabalho do coletivo, entre em contato: unicampblacknetwork@gmail.com

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Mayara Figueiredo

Jornalista | repórter na Plataforma Ensino Superior

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