O que o mundo espera da educação em Engenharia

Existe um consenso de que as instituições precisam rever suas atividades de ensino e pesquisa visando dar respostas mais rápidas e eficazes aos problemas da humanidade

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As novas diretrizes curriculares nacionais (DCNs) para os cursos de Engenharia dão mais liberdade para as instituições estabelecerem seus currículos e não se prendem a conteúdos, currículos mínimos ou coisas do tipo. Isso não significa que os conteúdos não sejam importantes, mas valoriza-se também o desenvolvimento de competências técnicas e socioemocionais importantes (confira abaixo) para o exercício da profissão de engenheiro, qualquer que seja sua modalidade. Ou seja, não é apenas saber, mas saber fazer.

Leia: Novas diretrizes: as competências que todos os professores devem ter

Vale dizer que a construção das novas DCNs da Engenharia contou com a participação da Academia e de representantes da indústria nacional, por meio da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que tem engajado líderes empresariais na construção de uma agenda de inovação para o país.

Esse trabalho teve desdobramentos e hoje um grupo se dedica à elaboração de referências e casos que possam inspirar as instituições. Algumas poucas instituições do Brasil, como o Instituto Mauá de Tecnologia, haviam se antecipado às mudanças e vinham modificando seus currículos, de modo que neste momento servem como parâmetro para a reformulação pedagógica de outros programas.

educação em Engenharia
Foto: Shutterstock

No que diz respeito à organização didático-pedagógica, as novas diretrizes permitem que sejam propostas múltiplas experiências de aprendizagem. Ou seja, não é necessário, tampouco desejável, que os cursos sejam apoiados apenas em disciplinas convencionais que não se inter-relacionem com os demais saberes e que não desafiem o estudante com atividades práticas e problemas reais. Portanto, é hora de os cursos inovarem, ousarem e se alinharem às melhores práticas do mundo.

Cenário

A necessidade de modernização dos currículos não é sentida apenas no Brasil; existe um descontentamento em âmbito mundial. Recentemente, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) contratou um estudo para analisar o estado da arte global em educação em Engenharia. A pesquisa, publicada em 2018, apontou que as escolas que emergem como líderes mundiais na educação em Engenharia, dentre elas a Singapore University of Technology and Design, o Olin College of Engineering, a Pontifícia Universidad Católica de Chile e o Iron Range Engineering, têm em comum a aprendizagem “mão na massa”, com projetos de integradores de conhecimento e centrada no estudante.

Um movimento mundial que visa engajar lideranças de cursos de Engenharia é o Global Engineering Dean’s Council (GEDC). Esse conselho congrega gestores de cursos de Engenharia de todo o mundo e seu objetivo é capacitar as lideranças para que estas transformem suas escolas e formem profissionais habilitados a enfrentar os problemas de uma sociedade globalizada.

Esse grupo interage frequentemente por portal colaborativo e reúne-se presencialmente uma vez por ano para discussões mais aprofundadas. Em 2019, o encontro foi em Santiago, no Chile. Estiveram em destaque os seguintes temas: sustentabilidade, empreendedorismo e relação escola-sociedade. Nesse encontro no Chile, foi bastante enfatizado o desafio para que as instituições revejam suas atividades de ensino e pesquisa visando dar respostas mais rápidas e eficazes aos problemas mais importantes da humanidade, que são complexos, integrados e de grande escala. Como referência para os debates, sempre aparecem os 17 objetivos globais para o desenvolvimento sustentável, oriundos de Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas: erradicação da pobreza, educação de qualidade, água potável e saneamento, entre outros.

É interessante observar esse movimento em que os cursos de Engenharia são provocados pela demanda, seja ela vinda da indústria local, seja das necessidades globais mais complexas. Surge a reflexão necessária e importante sobre o perfil do egresso que se deseja, que deve ter preparo para contribuir tanto local quanto globalmente. O mundo espera mais dos nossos engenheiros que, para inovar e resolver problemas complexos, devem ter atuação interdisciplinar com competências técnicas e socioemocionais.

Leia: Engenharia foi a área que mais cresceu em número de concluintes

O que um bom engenheiro deve saber fazer

As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de Engenharia estabelecem o desenvolvimento de oito competências gerais:

1 Formular e conceber soluções desejáveis de Engenharia, analisando e compreendendo os usuários dessas soluções e seu contexto;

2 Analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação;

3 Conceber, projetar e analisar sistemas, produtos (bens e serviços), componentes ou processos;

4 Implantar, supervisionar e controlar as soluções de Engenharia;

5 Comunicar-se eficazmente nas formas escrita, oral e gráfica;

6 Trabalhar e liderar equipes multidisciplinares;

7 Conhecer e aplicar com ética a legislação e os atos normativos no âmbito do exercício da profissão;

8 Aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência, da tecnologia e aos desafios da inovação.

*Marcello Nitz é Pró-Reitor Acadêmico do Instituto Mauá de Tecnologia.

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