Idealizadora do Enem se preocupa com atrasos: “problema é de pandemia e gestão”

“Mudanças na coordenação não deveriam afetar o cumprimento do cronograma”, diz Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do CNE e a mão por trás da criação do maior vestibular do país

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Incerteza sobre se o Enem 2021 acontece ou não ainda este ano, é vista com preocupação por Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária executiva do MEC (2002 e 2016), idealizadora do Enem e atual presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). A também especialista em educação, atribui as falhas no planejamento do cronograma geral da prova, não só à pandemia da covid-19, mas às muitas mudanças na direção do MEC e do Inep.

Novas gestões precisam seguir planejamento usual

A especialista apontou para a complexidade logística do Enem em todas as suas etapas e demandas, o que gera preocupações quanto à possibilidade do exame acontecer em 2021 – a começar pelas inscrições, que ocorrerão somente em junho.

“Normalmente, o Enem já está todo planejado em março ou abril de cada ano, já iniciando as inscrições, a licitação da gráfica… A questão logística é muito complexa, são cerca de 6 milhões de estudantes fazendo prova no mesmo dia e, ano passado, foram 900 mil pessoas contratadas para garantir o cumprimento dos protocolos de saúde, então é muito importante ter o planejamento de tudo a tempo de cumpri-lo”, explica.

Leia: IES procuram saída diante da incerteza sobre Enem 2021

Enem Maria Helena Guimarães de Castro
Foto: reprodução

Para exemplificar seu ponto, Maria Helena relembrou que, de 1998, quando o Enem foi criado, até 2008, houve troca de governo e mudanças totais nos quadros de colaboradores da pasta e do Inep, mas o planejamento para cumprimento do cronograma foi sempre mantido. Porém em 2009, quando o então ministro da educação, Fernando Haddad, implantou uma reforma no modelo do Enem, foi que se enfrentou um atraso – ainda que pequeno em comparação com a edição de 2020.

Por causa do roubo das provas na Gráfica Plural, teve que ser elaborada outro exame às pressas. O calendário de realização foi adiado de novembro para dezembro de 2009, mas foi cumprida a meta de aplicação para o mesmo ano.

Novas perspectivas e ações

“Eu entendo as dificuldades do MEC, considerando o contexto da pandemia, mas espero que a pasta consiga superar esses problemas e aplicar o exame ainda esse ano, para não atrasar novamente o calendário dos programas [estudantis] e das instituições de ensino superior, o que afeta principalmente os estudantes”, ponderou a especialista.

Maria Helena se posicionou a favor do movimento “Adia Enem”, que se popularizou nas redes sociais, em oposição a agenda da edição do ano passado. A hashtag foi difundida especialmente por organizações estudantis e alunos de todo o país, frente à aplicação do Enem naquelas condições.

“Mas era outro momento. Agora já estamos em processo de retorno às aulas presenciais, a vacina já existe e é de grande importância que se garanta a vacinação dos profissionais da educação para que as escolas e universidades voltem à normalidade”, conclui.

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