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Inovação

Exercitar a cooperação é tarefa para 2023

Um mundo interconectado possibilita – e reivindica – mais contato e troca de experiências. As redes de cooperação entre as IES podem aumentar a eficiência e a eficácia, melhorar a qualidade e diminuir os custos.

Publicado em 30/01/2023

por Redação

pexels-fauxels-3184418 A gestão coletiva envolve desafios que perpassam, entre outros, o relacionamento entre coordenador pedagógico e o diretor

Redes de cooperação, foco nos cursos de especialização e long-life learning, as novas peripécias da inteligência artificial e as dificuldades para a utilização de tecnologias imersivas no Brasil são temas que se destacam na pesquisa Tendências no Ensino Superior para 2023, realizada Semesp, consórcio Sthem Brasil e revista Ensino Superior

As redes de cooperação entre as IES tendem a crescer em 2023, vencendo aos poucos a resistência cultural vigente no Brasil. João Otavio Bastos Junqueira, diretor de redes e parceiras da UNIFEOB e diretor de relações institucionais do Semesp, afirma que a  sinergia potencial entre as IES é tão óbvia “que custa a entender por que as redes colaborativas não possuem, ainda, a dimensão que seria esperada”. Para Fábio Reis, presidente do consórcio STHEM Brasil e diretor de inovação e redes de cooperação do Semesp, a percepção da necessidade de participação das IES em redes de cooperação aumentará entre os gestores, “como forma de fomentar o aprendizado institucional, aumentar a eficiência e a eficácia, melhorar a qualidade e diminuir os custos”.

Fernando Valenzuela Migoya Foto: arquivo/revista

Para além da oportunidade de discutir questões da gestão, estratégias e troca de informações, as redes exercitam a cooperação, uma habilidade necessária entre os gestores e que precisa ser desenvolvida. Fernando Valenzuela Migoya, presidente da Global Edtech Impact Alliance, afirma que a colaboração é um aspecto crucial  do sucesso no mundo complexo e interconectado de hoje. “Requer a capacidade de trabalhar de forma eficaz com os outros, independentemente das diferenças de formação, perspectiva ou interesses”. Rodrigo Capelato, diretor executivo e de assuntos econômicos do Semesp, concorda. “A necessidade de maior cooperação entre todos os agentes do sistema educacional deverá se intensificar. Isso provocará um crescimento exponencial nas possibilidades de oferta de ensino, de pesquisa e na busca de soluções para um mundo mais sustentável e menos desigual”.

Leia mais | Especial ‘Tendências 2023’

A necessidade de cooperação também é evidente quando se pensa na interdependência das instituições. Ao mencionar a recuperação das universidades públicas – após anos de enfraquecimento por meio de constantes ataques – como tendência bem-vinda para 2023, Capelato diz que “isso enfraqueceu o sistema de educação superior brasileiro, que também depende da existência dessas universidades. O sistema de educação superior de sucesso é composto por instituições fortes e plurais, com características e propósitos diferentes.” 

O que vai render

Arapuan Neto
Foto: arquivo/revista

Cursos Livres e de especialização. Até influencers oferecerão MBAs, aposta Arapuan Neto, reitor da  Unisuam e membro do consórcio STHEM Brasil. Marcelo Knobel, ex-reitor da Unicamp e professor do Instituto de Física Gleb Wataghin, menciona a diversificação do sistema, com IES focando no long life learning, ou formação ao longo da vida, nanocréditos, especializações e pós-graduação, especialmente em áreas como tecnologia da informação, ciências da saúde, direito e negócios. “Isso é motivado pelo aumento da necessidade de profissionais altamente qualificados e pela busca por uma vantagem competitiva no mercado de trabalho”, explica.

Bastos Junqueira pondera que o custo de aquisição do cliente – CAC – está cada vez maior e faz muito mais sentido vender para quem já é cliente. “Para tanto as IES deverão deixar de oferecer predominantemente uma graduação para ir além e transformarem-se numa verdadeira plataforma de atualização profissional, formal ou não. Talvez, para as pequenas e médias instituições, fará sentido reduzir seus portfólios e focar em algum nicho”.

AI e tecnologias imersivas

O ChatGPT,  ferramenta de inteligência artificial lançada como protótipo pela OpenAI em novembro passado, “representou uma nova era no uso de inteligência artificial”, afirma Dale P. Johnson, diretor de inovação digital do instituto de design da Arizona State University. De fato, a nova ferramenta, capaz de oferecer respostas e produzir textos,  tem causado  certo rebuliço nos meios acadêmicos. Dale é otimista. “A  tecnologia agora tem interfaces mais amigáveis, processos de desenvolvimento mais rápidos e algoritmos altamente eficazes  para potencializar novas ferramentas para a educação”. Esse reconhecimento da AI como componente pedagógico necessário também é apontado como tendência por Cintia Boll, pró-reitora de graduação da UFRGS, sobretudo “para o aprender em tempo de cultura digital e mídias móveis”. 

A afirmação de Dale também vale para as tecnologias imersivas, que terão usabilidade aperfeiçoada e menor custo e podem inferir no desenvolvimento de produtos de realidade virtual e aumentada voltados para a aprendizagem. No Brasil, talvez isso caminhe mais devagar e 2023 não será o ano marcado pela utilização dessas tecnologias. Mauricio Garcia, cientista digital e conselheiro acadêmico do Inteli, acredita que o Metaverso, a X-Reality e as experiências imersivas que proporcionam não tenham tanto impacto quanto se esperava, “pois além de caras e de complexo desenvolvimento, necessitam de uma arquitetura pedagógica”.

Custosas, mas, como lembra Janes Tomelim, vice-presidente acadêmico da Vitru Educação, a necessidade das metodologias imersivas para o processo educativo é uma realidade e, nesse âmbito, as associação entre universidades e empresas terão relevância. Migoya reitera que  “as universidades e as grandes empresas digitais são responsáveis pela maioria dos desenvolvimentos em AI, sob o modelo “spin off” de laboratório. As maiores tendências são no tratamento de imagens, vídeos e áudios surgindo como as áreas mais relevantes no setor da formação”. 

Leia também: ChatGPT é o novo desafio da competência docente

A pesquisa Tendências no Ensino Superior para 2023 ouviu 20 pessoas, entre gestores, reitores, professores, cientistas e especialistas. Cada um deles apontou cinco tendências. Conheça o mosaico de previsões que pode auxiliar na formulação de estratégias em:

Autor

Redação


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