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Opinião

O reflexo da educação no mercado de trabalho

Resultados de pesquisa da Workalove mostram uma incompatibilidade entre as visões de estudantes e empresas

Publicado em 11/10/2023

por Ensino Superior

Mercado Desempenho da instituição no MEC é o principal fator considerado na hora de escolher uma universidade (foto: Freepik)

Por Fernanda Verdolin*: Durante seu painel na 25ª edição do Fnesp (Fórum Nacional de Ensino Superior Particular), o ministro da Educação, Camilo Santana, trouxe uma frase que exemplifica algo que, apesar de comumente fazer parte de um consentimento entre a população, é por muitas vezes esquecido ou subestimado: “A história já nos mostrou que, para que um país consiga alcançar oportunidades e nivelar desigualdades, não existe aspecto mais importante do que a educação. Ela liberta as pessoas e dá oportunidades iguais para todos”. A verdade é que o impacto da educação é refletido não somente em nossas trajetórias e repertórios individuais, mas também na sociedade como um todo. Independentemente de qual seja a área, o mercado depende de profissionais capacitados por uma educação de qualidade construída ao longo da vida.

Em nossa mais recente pesquisa realizada em parceria com o Instituto Semesp, a Workalove concluiu que 75% dos estudantes de cursos de graduação sentem-se apoiados para os desafios que o esperam no mundo do trabalho. Para as empresas, por outro lado, mais de 70% de quem emprega os estudantes acreditam que a formação universitária não é adequada. Esses dados, além de mostrarem uma incompatibilidade entre as visões de estudantes e empresas, refletem a necessidade de revisarmos os indicadores de qualidade do ensino. Então, analisemos por partes.

 

Leia mais: Estudantes valorizam IES que realiza parcerias com empresas

 

Os dados mostram que os estudantes, de forma geral, têm uma visão bastante positiva a respeito do quanto a instituição de ensino os prepara para inserção no mercado de trabalho.  Eles escolhem entre uma instituição ou outra pelo desempenho da instituição no MEC. No entanto, os estudos mostram que ao longo dos anos, as instituições de ensino aprenderam muito bem sobre os processos regulatórios e atualmente mais de 80% das instituições de ensino já conquistaram nota 4 ou 5, ou seja, esse indicador talvez não seja mais suficiente para diferenciação da qualidade de ensino.

Vimos um recorde histórico nos números de matrículas do ensino superior, de acordo com o Censo da Educação Superior 2022.  Esse recorde reflete não apenas no número de estudantes matriculados no ensino superior, mas também no crescimento significativo da modalidade EAD. Em contra-pronto, apesar do recorde de matrículas, as taxas de evasão são alarmantes, 54% dos estudantes interrompem sua jornada acadêmica por diversos motivos, mas especialmente por dificuldades financeiras, demonstrando a necessidade de ações efetivas de gestão de permanência nas IES.

Ainda de acordo com o Censo, ao todo, são quase 1,3 milhão de estudantes que finalizaram seus cursos de graduação. No entanto, ao compararmos 2021 e 2022, a rede pública apresentou crescimento de 8,9% em termos de concluintes. Por outro lado, a rede privada viu uma redução de -5,3%. 

Isto pode ser indicativo das transformações socioeconômicas que o país experimentou recentemente, da ineficiência na gestão de permanência desses alunos e de sua inserção no mercado – que está em constante e acelerada transformação. 

Quando olhamos para os dados relacionados ao futuro do mercado, esse contexto fica ainda mais complexo. Os atuais egressos do ensino superior terão que criar 6 carreiras diferentes ao longo da sua vida. Além disso, o avanço tecnológico substituirá cerca de 54% dos empregos formais no Brasil até 2026, segundo dados do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (LAMFO UnB). A perspectiva de que boa parte dos empregos serão automatizados em um período de 3 anos deixa menos espaço para  aqueles recém-formados, cuja experiência profissional ainda não é tão vasta.

Essas informações reforçam a urgência de reconstruímos os indicadores de qualidade de ensino, e também da ressignificação da jornada acadêmica dos estudantes com processos que possibilitem uma melhora no sistema educacional brasileiro. Há também a necessidade de repensarmos o papel da instituição de ensino que, deve não apenas prover aprendizagem e pesquisa, como ser um centro efetivo na promoção do desenvolvimento socioeconômico do país.

Os resultados desses esforços se darão em profissionais mais capacitados, prontos para encarar os desafios do mercado de trabalho e encontrar sucesso em suas trajetórias. Essa é a forma mais efetiva de construirmos um futuro mais brilhante, citado pelo Ministro Camilo Santana em seu discurso.

 

Veja também: Crescimento desproporcional entre vagas e matrículas desafia o setor

 

Fernanda Verdolin

Fernanda Verdolin (foto: divulgação)

 

 

*Fernanda Verdolin é estrategista de carreiras, pesquisadora do futuro do trabalho e fundadora da Workalove, plataforma de orientação e desenvolvimento de carreira do Pravaler

 

 

Autor

Ensino Superior


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