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A proficiência perfeita é necessária para dar uma boa aula em inglês?

Mais da metade dos estudantes brasileiros e estrangeiros escutados em pesquisa da UFPR aponta que nível intermediário é suficiente para compreender a aula

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No segundo semestre de 2018, o British Council, instituição pública britânica que fomenta o conhecimento da língua inglesa, abriu um edital para financiar pesquisas em colaboração entre instituições brasileiras e britânicas em torno do inglês e do desenvolvimento do ensino superior internacionalizado. Nós apresentamos e destrinchamos o projeto aprovado nesse edital da pesquisadora Eliane Segati Rios Registro, docente da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), que diz que há bem mais na internacionalização do ensino que apenas aulas em inglês (leia sobre clicando aqui).

Outro projeto selecionado e financiado pela iniciativa, foi o de Ron Martinez, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cujo objetivo era avaliar se existe um nível mínimo de fluência em inglês para que os professores ministrem aulas no contexto EMI (que na tradução literal significa inglês como meio de instrução) de maneira eficaz. Ou seja, na prática, ele investigou como a proficiência no idioma dos professores afeta a percepção dos alunos sobre a compreensão dos conteúdos ministrados tendo a língua inglesa como meio.

Leia: Para sobreviver com qualidade, faculdades precisam consolidar cultura empreendedora. Como fazer isso?

Isso porque, dominar um assunto específico muitas vezes não é suficiente para ministrar uma aula satisfatória usando o inglês como meio de instrução (EMI). Os professores também devem ter um bom domínio do próprio idioma inglês.

Mas é estritamente necessário ter conhecimentos avançados de inglês para oferecer uma boa aula? Existe um limite mínimo abaixo do qual a compreensão de uma palestra se torna muito difícil?

proficiência aula em inglês
Foto: Envato Elements

Lapidações

Um limite mínimo para a proficiência em inglês no ensino EMI pode ser uma ferramenta importante para países como o Brasil internacionalizarem suas universidades e faculdades, mesmo que os níveis gerais de proficiência sejam baixos entre a nação. E é difícil usar localmente padrões adotados por destinos como a Holanda e outros da Europa que exigem que os professores tenham um nível mínimo de C1 no Quadro Europeu Comum de Referência para Idiomas para ministrar aulas em inglês sem que haja evidências empíricas de que esse seja o nível mínimo de proficiência para permitir aulas em EMI.

Para a pesquisa, de um grupo de 500 alunos que fizeram um curso de redação acadêmica em inglês com Ron Martinez em 2017 e 2018 e tinham alta proficiência comprovada, foram selecionados 40 que foram divididos da seguinte forma: 27 indivíduos brasileiros, nove falantes não nativos de inglês de outros países e quatro falantes nativos de inglês dos Estados Unidos.

Em paralelo, 26 professores da UFPR foram convidados para participar de um treinamento EMI e 22 deles participaram. Estudantes e acadêmicos tiveram seus níveis CEFR de inglês avaliados por meio do teste Linguaskill, fornecido por Cambridge Assessment English e inicialmente a proficiência dos alunos era, em geral, alta, enquanto dos professores variava.

Após o curso EMI, cada professor deu uma aula de 20 minutos a seus colegas sobre um assunto específico e foi entrevistado logo após o término. As aulas foram gravadas e posteriormente acessadas pelos alunos para avaliação às cegas. Cada aluno avaliou três aulas no total, então cada uma delas foi avaliada por mais de um aluno.

As habilidades

Como resultados, 76% dos estudantes – entre brasileiros e estrangeiros – julgaram que o nível B2 (intermediário) era suficiente para eles entenderem os professores, mesmo nos casos em que o assunto era muito diferente de sua área de estudo.

Isso foi uma grata surpresa, na visão do pesquisador, já que mostra que alunos e professores não esperam perfeição um do outro quando se trata de habilidades linguísticas.

Há cooperação mútua, compreensão e tolerância em relação às aulas no contexto EMI. Tais resultados apontam para a abertura de muitas possibilidades para os acadêmicos. Se estudantes brasileiros e estrangeiros puderem entender o conteúdo de uma aula ministrada com proficiência intermediária em inglês, isso pode significar que os níveis avançados não são o limite mínimo exigido dos professores para ministrar aulas usando o EMI.

Essa descoberta pode aumentar as possibilidades de internacionalização nas universidades brasileiras e incentivar mais acadêmicos a usar o EMI em sua prática diária.

*Aberto Costa é Senior Assessment Manager de Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge especializado em certificação internacional de língua inglesa e preparo de professores.

Leia também:

CLIL, EMI e PBL: as abordagens para o ensino superior internacionalizado

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