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Há bem mais na internacionalização do ensino superior que aulas de inglês

Como os professores utilizam do idioma para transferir conhecimento de diferentes disciplinas é um dos focos da pesquisa de Eliane Segati, da Universidade Estadual do Norte do Paraná

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No artigo do mês passado começamos a estudar e aprofundar as conclusões geradas a partir dos projetos de pesquisa em conjunto com Cambridge Assessment English, que foram financiadas pelo British Council e publicadas no relatório da instituição no começo desse ano. As pesquisas giraram em torno da língua inglesa e do desenvolvimento da internacionalização do ensino superior. Dessa vez, vamos falar mais detalhadamente a respeito da pesquisa da Eliane Segati Rios Registro, docente da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

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A iniciativa se concentrou em investigar a avaliação das atitudes dos professores em relação ao contexto EMI — que em português quer dizer Inglês como Meio de Instrução, ou seja, se utilizar do idioma para transferir conhecimento de diferentes disciplinas — nas universidades do programa Paraná Fala Idiomas. O objetivo também era perceber como as instituições veem o processo de internacionalização e como as atitudes dos docentes se alinham a ele. O projeto aconteceu entre novembro de 2018 e agosto de 2019 e envolveu 59 participantes em sete instituições estaduais, entre estudantes, reitores e outros acadêmicos.

internacionalização além do inglês
Na internacionalização, disciplinas podem conversar entre si (foto: Envato Elements)

Projeto de integração

O Paraná Fala Idiomas é um programa público que aborda a questão da língua estrangeira no Paraná. Ele é realizado pela Superintendência de Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) e envolve o fortalecimento do processo de internacionalização nas universidades de todo o estado. Começou em 2014 com o Paraná Fala Inglês e o Paraná Fala Francês foi adicionado posteriormente.

Por meio dele é possível incluir não apenas professores e alunos, mas também tomadores de decisão e outros funcionários das universidades na discussão atual, porque a internacionalização é um processo amplo e abrangente. Um pequeno número de estudantes em todas as universidades públicas brasileiras vem de outros países e a oferta de disciplinas em inglês pode ajudar a mudar esse cenário. Em algumas universidades no exterior, 10% de todos os estudantes são internacionais. No Brasil, eles são menos de um 1% cento.

Leia: EMI x EAP: o que é cada prática e como elas se distinguem

O projeto proporcionou treinamento para professores em aulas de inglês e também estabeleceu condutas para o uso do EMI, desenvolvido em consenso entre os membros da comunidade acadêmica que estavam direta ou indiretamente envolvidos no processo.

Um dos objetivos era apoiar a criação, de maneira orgânica, de diretrizes estruturadas para o desenvolvimento do meio de instrução nas universidades. A expectativa é que essas diretrizes possam, no futuro, ser úteis ao setor de ensino superior de forma geral.

A turma foi formada por professores (13), estudantes (27), reitores de cursos de graduação e pós-graduação (nove), chefes de escritórios internacionais (oito) e reitores (dois) em sete instituições do Paraná: as universidades estaduais do Paraná (UNESPAR), Oeste do Paraná (UNIOESTE), Londrina (UEL), Ponta Grossa (UEPG), Maringá (UEM), Centro-Oeste (Unicentro) e Norte do Paraná (UENP). As áreas de conhecimento variam das ciências humanas às ciências biomédicas, sociais e da terra.

Todos os participantes passaram por uma pesquisa online sobre seus pontos de vista sobre o tema, a preparação dos professores para ministrar aulas em inglês e os meios para tornar esse contexto eficaz em suas instituições. Eles também foram questionados sobre seus pontos de vista sobre como melhorar a implementação de uma abordagem eficaz de EMI em suas instituições.

Em equipe

Depois disso, o nível de proficiência dos participantes foi testado por meio do Linguaskill, exame de proficiência de Cambridge Assessment English, e eles foram submetidos ao treinamento EMI da instituição, um curso online de 40 horas em formato de webinar projetado para instituições de ensino superior, e foram incentivados a ministrar cursos, oficinas ou palestras usando a metodologia que aprenderam no curso.

Leia: Competências do professor do futuro. Como aderir?

Os tomadores de decisão das instituições concluíram então, a partir disso, que a escolha de oferecer aulas em inglês não depende apenas de professores, e sim requer um arranjo institucional para facilitar isso.

Esses, por sua vez, concordam com a afirmação. Eles acreditam que o EMI deve ser visto de uma perspectiva institucional, que precisa ser criado um plano estratégico que inclua políticas e ações de linguagem para motivá-los a se envolverem em sua implementação.

No que diz respeito aos alunos, a maioria concordou que o fornecimento de suporte ao idioma e oportunidades de mobilidade, bem como a expansão do leque de disciplinas oferecidas no EMI e o treinamento em inglês acadêmico seriam de grande importância para o desenvolvimento de políticas mais eficazes do EMI em universidades.

Ou seja, são duas visões que se complementam no sentido de, por um lado, abrir os olhos para o fato de que o “idealismo” da proficiência máxima não pode ser argumento para postergar ou frear o avanço da internacionalização no Brasil e, por outro, mostrar que a internacionalização requer o envolvimento de todos os agentes do ensino superior na formulação de políticas institucionais que suportem a implementação de contextos do inglês como meio de instrução.

*Aberto Costa é Senior Assessment Manager de Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge especializado em certificação internacional de língua inglesa e preparo de professores.

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