Falta maturidade tecnológica nas instituições de educação

É o que afirma o CEO da aceleradora de startups de educação Future Education, que já apoiou o desenvolvimento de mais de 30 empresas

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No universo das startups brasileiras, a educação é uma das áreas de maior representatividade. O fato é compreensível, uma vez que o país é o 4º maior mercado educacional do mundo.

Em 2017, a Abstartups (Associação Brasileira de Startups) mapeou 364 edtechs (como são chamadas as startups de educação) em território brasileiro. Desse total, 32 foram impulsionadas pela Future Education, a primeira aceleradora do país com foco em empreendedorismo educacional. Lançada ao mercado em 2017, ela já captou R$ 3,1 milhões, atingindo 50 mil alunos, mais de 1,5 mil professores e 600 escolas.

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Porém, mesmo sendo um dos carros-chefe das startups, o número de edtechs no Brasil é pequeno se comparado ao de outros países. A cidade de São Paulo, que detém 73% das edtechs do Brasil, ficou na 18ª posição na pesquisa da Navitas Venture. Com 3 mil edtechs, Pequim lidera o ranking.

Para o CEO e cofundador da Future Education, Thiago Chaer, a burocracia, a falta de políticas públicas e a abstenção do setor público em não comprar tecnologia limitam o crescimento da área. Além disso, há outro implicante: as escolas e instituições de ensino, na visão do CEO, não têm maturidade tecnológica estratégica para absorver inovação.

“Apesar de reconhecerem a necessidade de renovação, elas continuam apostando no material didático e nas apostilas, que são terrenos seguros”, afirma. Essa segurança se contrapõe ao receio de perder alunos. 

“A escola até abre as portas para a tecnologia, mas, às vezes, para a razão errada. Isso acontece, por exemplo, quando elas investem em espaços maker ou tablets porque a escola ao lado está investindo”, detalha Chaer. Em vez de a instituição usar a tecnologia para melhorar a aprendizagem, ela a utiliza para fins de marketing e não aproveita os benefícios que vão além de captação e retenção do estudante.

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Thiago Chaer, CEO e cofundador da Future Education

O caminho das edtechs

Como o setor público não investe em tecnologia, o mercado de educação centra seus esforços na pequena parcela da rede privada que tem recurso financeiro para esse tipo de compra. “Hoje temos 40 mil escolas privadas. Destas, cerca de 500 são escolas com mais de mil alunos, que seriam escolas de maior capacidade para comprar tecnologia. É muito desafiador porque elas não têm aquela maturidade tecnológica para absorver a tecnologia”.

Já em relação às apostas das startups, Chaer destaca a grande quantidade de produtos e serviços focados em espaços makers, metodologias ativas, aprendizagem em matemática, literatura e bilinguismo.

O CEO aconselha as empresas a não ficarem de olho apenas no movimento do mercado, e sim olhar para a escola, para o professor e alunos e entender qual é a necessidade e, quem sabe, criar soluções que talvez não tenham sido pensadas. “Acho que ainda falta um pouco mais de critério para essas edtechs investigarem os problemas; elas ainda vão muito nessa superfície do que o mercado está fazendo, quais as tendências”, desabafa.

Visionários

A internacionalização também integra as ações da Future Education, que possui escritório no Canadá, emitindo uma análise de mercado personalizada tanto para o cliente brasileiro que quer arriscar em outro continente como para estrangeiros que visam o Brasil. A aceleradora também está chegando a Portugal com o objetivo de fechar contratos com instituições de ensino superior.

A equipe ainda faz parte de um consórcio com aceleradoras focadas em edtechs dos Estados Unidos, África do Sul, França, México e outros países. Em função dessa internacionalização, em 2018 a Future Education contribuiu em um relatório mundial sobre ecossistema de edtechs, em que mapeou startups fundadas em São Paulo.

Tais atuações, de certa forma visionárias, fazem com que consulados, como os da Dinamarca e Austrália, entrem em contato com a aceleradora, que também já participou de uma ação junto à Câmara do Comércio da Singapura.

Kanttum, TRIEduc e Kuau são algumas da edtechs aceleradas pela Future Education, que tem como cofundadora Juliana Massi.

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