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Internacionalização do ensino superior: a teoria e a prática

Apesar da atenção que o assunto recebe, ainda há muitas dúvidas em relação aos aspectos que caracterizam uma instituição inserida no contexto global
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Na educação básica, uma grande indefinição conceitual que se apresenta diariamente nas discussões gira em torno do bilinguismo. Afinal, o que determina se uma escola é ou não bilíngue? Ter um bom programa de idiomas que trabalha para desenvolver a proficiência dos alunos traduz o conceito? Ou é preciso que o idioma oficial de toda a instituição seja estrangeiro? O paradoxo não possui uma resposta exata. E assim acontece também com a questão da internacionalização no ensino superior.

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Apesar da grande visibilidade e da evidência crescente que o assunto recebe dentre os gestores nos últimos tempos, em função da necessidade de transformar seus cursos no meio que formará os cidadãos globais da atualidade e do futuro, ainda há muitas dúvidas em relação aos primeiros passos que levam ao formato. Nós vamos abordar isso no nosso próximo texto, mas antes disso é preciso refletirmos em torno do que é, na prática, a tal internacionalização.

Conceitualmente nós podemos nos apoiar na definição de diversos estudiosos. Uma das que mais gosto foi formulada pela professora doutora do Instituto de Estudos em Educação da Universidade de Ontário, Jane Knigth, que diz que a internacionalização da educação superior é o processo de integração de uma dimensão internacional, intercultural e global sobre os objetivos, ensino, aprendizagem, pesquisa e serviços de uma universidade ou de um sistema de ensino superior.

Mas o que isso quer dizer exatamente é o que parece que todos estão se perguntando. Recentemente estive na 31° Conferência da Associação Brasileira de Educação Internacional (FAUBAI), o mais relevante evento voltado para a internacionalização do ensino superior na América do Sul que reúne universidades, associações e organizações governamentais do Brasil e de outros países para discutir internacionalização e os desafios e estratégias para implementar políticas abrangentes nesse sentido da cooperação internacional.

Internacionalização do ensino superior
Foto: Shutterstock

Em uma apresentação da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), por exemplo, os representantes falaram sobre a criação do Programa Institucional de Internacionalização, o CAPES PrInt, que visa justamente fomentar a construção, a implementação e a consolidação de planos estratégicos de internacionalização das instituições contempladas nas áreas do conhecimento por elas priorizadas.

Para participar, as universidades interessadas deveriam enviar seus projetos de internacionalização à fundação para que fossem avaliados. As escolhidas contarão com um incentivo financeiro durante quatro anos para que as iniciativas sejam colocadas em prática. Um ótimo suporte em meio a tantos passos que ainda precisamos dar em direção à internacionalização do país.

Numa outra apresentação, do Programa Idiomas sem Fronteiras (IsF), notei que o foco tem sido na elaboração e implementação de políticas de idiomas que sejam realmente eficientes. O IsF vem promovendo um engajamento nacional das instituições de ensino superior para que submetam suas políticas de idiomas para análise, com o objetivo maior de entender os diferentes cenários e prover o apoio necessário para aprimorá-las. Os resultados ainda são preliminares, mas algumas instituições já se destacam em relação às suas políticas de idiomas, que trazem planos detalhados e metas linguísticas robustas.

Não é possível definir o que é correto dentro da internacionalização do ensino superior, mas na prática ela consiste na articulação da instituição no contexto mundial ao adotar práticas e iniciativas que abrem novos espaços para a projeção internacional e para a vinculação com redes acadêmicas, além de consolidar valores como a cooperação e a solidariedade na cultura institucional.

Isso é o que muitas escolas europeias e norte-americanas fizeram e que uma parcela das universidades brasileiras também já implementou, como a Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Fundação Instituto de Administração (FIA), por exemplo. Todas essas ministram aulas em inglês e contam com professores e alunos estrangeiros, que propiciam a interação e a troca cultural, além do aprendizado teórico e prático da disciplina e das oportunidades de intercâmbio acadêmico.

Apesar de todo o avanço, ainda são necessárias muitas mudanças e ajustes para que isso se torne cada vez mais real e democrático, visto que esse processo ainda é muito recente aqui no Brasil. E um primeiro ponto passa também por compreender o que não caracteriza a prática, como ações isoladas de troca de pesquisadores acadêmicos, por exemplo.

*Alberto Costa é Senior Assessment Manager de Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge especializado em certificação internacional de língua inglesa e preparo de professores.

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