Pesquisa escancara o abandono de políticas públicas na inclusão de jovens carentes ao ensino superior

Atrasos do Enem colocaram Instituições de Ensino Superior em cenário crítico no primeiro semestre de 2021 com queda brusca de matrículas

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Essa situação e a continuidade da pandemia já seriam suficientes para criar problemas para as instituições de ensino superior. Porém, a mudança da data da prova do Enem afetou o calendário dos programas de políticas públicas e adiou a escolha dos estudantes, que esperam o resultado para então sair em busca de outra instituição.

Porém, as IES têm mais um motivo para apreensão, que é o baixo preenchimento de vagas do ProUni na primeira chamada do semestre deste ano. Hoje há uma ociosidade de vagas de quase 60%, o que afeta milhares de estudantes carentes que não conseguem entrar no ensino superior por falta de vagas nas universidades públicas e por não terem condições financeiras para pagar mensalidades escolares. E o baixo preenchimento também afeta o percentual de isenção tributária das instituições de ensino superior, provocando mais pressão sobre a sustentabilidade financeira do setor privado.

O que a pesquisa revela

Esses dados foram obtidos entre 25 de fevereiro e 9 de março, num levantamento, sem caráter científico, realizado pelo Instituto Semesp, que contou com a participação de 88 instituições privadas, oferecendo uma fotografia do momento dos indicadores de instituições de todos os portes, e por modalidade presencial e EAD. Com esses dados, constatou-se a queda de 33,9% no número de vagas para o ProUni, devido à queda nas matrículas.

Leia: Idealizadora do Enem Se preocupa com atrasos: “problema é de pandemia e gestão”

Mesmo com a redução das vagas ofertadas em 2020 e 2021, o ingresso pelo ProUni caiu, sendo que neste ano houve uma queda de 17,5%, com apenas 42,1% das vagas ocupadas, e com ociosidade de 57%. A Faculdade Flamingo, por exemplo, que tem um ticket baixo, não terá nenhum aluno nesse sistema. O fundador Francisco Assis de Carvalho Pinto diz que a captação está muito baixa. “Antes a gente captava mais de 1.000 alunos por ano. Em 2021 caímos para 300. Dos 2.200 alunos em anos anteriores começou o ano com 1.600”, diz ele.

As instituições, de modo geral, tiveram queda no ingresso de novos alunos no primeiro semestre de 2021. Nos cursos presenciais, 77,8% das instituições que participaram da pesquisa declararam que tiveram redução no ingresso de novos alunos. Já para o EAD a queda foi menor, segundo as IES: 59,5%, ainda assim um número capaz de afetar a sustentabilidade econômica das IES. O cenário é preocupante, principalmente se for levado em conta que o EAD crescia ano a ano.

Políticas públicas têm vagas, mas não tem alunos

Na captação de novos alunos, as IES ouvidas apresentaram queda no primeiro semestre de 2021 de 23,7%, em comparação com o mesmo período de 2020. No EAD a queda foi de 8,9% em relação a 2020. Vale assinalar que esses dados não computam a totalidade do primeiro semestre por conta da mudança de data do Enem.

matrículas prouni

Na Unifeob, instituição de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, as vagas do ProUni estão reservadas, mas não têm alunos. Então só resta melhorar a rematrícula (está em 97% este ano) e buscar alunos novos, que está no mesmo nível de 2020. “Porém”, diz o ex-reitor que continua na instituição, João Otávio Bastos Junqueira, “fomos obrigados a diminuir o valor para os novos alunos e também para quem já cursa. Em resumo, o número de estudantes é o mesmo, mas a receita caiu 20%.”

Segundo ele, o remédio para isso é fazer a lição de casa na redução de custo na mesma proporção da queda. “Os alunos estão muito sensíveis a preços”, diz ele. No entanto, essa crise está sendo enfrentada com a instituição em ordem em todas as áreas, o que garante um 2021 sem sobressaltos para quem tem 56 anos de existência.

A pesquisa, sem caráter científico e gratuita e facultativa, foi realizada pelo Instituto Semesp, em parceria com a Fundacred. Esses dados foram levados aos Ministério da Educação e Economia, com o objetivo de alertar para o funil imposto à população jovem para o ingresso no ensino superior. O que fica evidente é que as camadas sociais com baixo poder aquisitivo deverão amargar mais uma espera por políticas públicas educacionais inclusivas.

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