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Formação

Caminhos para atrair e reter alunos na educação básica

Evasão no ensino médio alerta o setor; modelo educacional precisa se tornar mais atraente

Publicado em 27/02/2024

por Gustavo Lima

Ruy Guerios Ruy Guérios, mantenedor do Colégio Eniac e diretor geral do Centro Universitário Eniac: "A geração atual quer movimentar o aprendizado, trabalhar e ter retorno financeiro" (foto: arquivo)

Em 2023, na educação básica, foram registradas 77 mil matrículas a menos em comparação a 2022. As informações são do Censo Escolar de 2023, divulgado pelo Inep. Ruy Guérios, mantenedor do Colégio Eniac e diretor geral do Centro Universitário Eniac, em Guarulhos (SP), fala sobre as razões que levaram à queda e os desafios para contornar esse cenário.

Ruy indica que o envelhecimento populacional e o número reduzido de jovens faz com que o ensino fundamental tenha naturalmente menos matrículas. “A longo prazo teremos menos alunos se formando no ensino médio e isso atrapalha o universo das faculdades”, diz. Em relação ao ensino médio, o mantenedor aponta o fenômeno da evasão escolar como principal problema. “Há uma desistência grande porque o curso é muito ruim. Os cursos técnicos, que poderiam interessar, por darem o primeiro passo na vida econômica, não são trabalhados. E o ensino médio, em especial do estado, tem uma evasão que ficou enorme na pandemia e que continua muito grande por desinteresse do público”, ressalta.

O profissional atribui as idas e vindas do novo ensino médio como um fator decisivo para a atual situação. “Cerca de 8% das matrículas do ensino médio estão dedicadas ao itinerário de técnico e profissionalizante. Já tivemos cerca de 14% e em qualquer país desenvolvido a média é de 45% ou mais de alunos a partir dos 14 anos matriculados em cursos profissionalizantes, ao invés do ensino médio normal. O Brasil está bem atrapalhado nesse aspecto e se não tivessem mexido na reforma do novo ensino médio estaríamos melhor do que com essas modificações”, afirma.

 

Auxílio financeiro

O Ministério da Educação divulgou, no dia 8 de fevereiro, as regras e o calendário para o “Pé-de-meia”, programa que dará auxílio financeiro aos estudantes do ensino médio com o intuito de evitar a evasão e reduzir as desigualdades financeiras no acesso à educação superior. O MEC prevê atender cerca de 2,5 milhões de alunos. Na avaliação de Ruy, a iniciativa não é ruim. “Mas a estratégia que melhor funcionou foi o Bolsa Família em seu início, com a entrega de frequência e notas dos alunos de famílias que recebiam o auxílio. O Pé-de-meia é bom, mas teria sido melhor um trabalho conjunto entre todas as escolas, públicas e privadas, que possibilitasse os alunos de cursarem o ensino colegial normal e técnico de forma simultânea”, pondera.

 

Leia também: Como abordar as soft skills com os estudantes

 

No Colégio Eniac, Ruy relata uma diminuição no número de matrículas do ensino médio que, segundo ele, está ligada à faixa-etária da população brasileira. Para o especialista, a oferta de um ensino profissionalizante que permita uma formação mais prática é um caminho para alavancar o número de matrículas. “A geração atual quer movimentar o aprendizado, trabalhar e ter retorno financeiro. É uma forma de fazer com que as pessoas se sintam ativas e isso pode tornar o ensino mais atrativo. Poderiam implementar as microcertificações e certificar a formação técnica do estudante”, exemplifica.

As universidades e faculdades têm boas estruturas nos laboratórios. Hoje há uma diminuição de alunos nos cursos presenciais, o que permite a criação de programas técnicos nas IES. A faculdade Eniac já conta com programas técnicos que têm gerado movimento. “Fizemos um programa com 400 bolsas de cursos técnicos e 600 de ensino superior. O intuito é trabalhar com as pessoas que não poderiam realizar esses cursos – financeiramente – e isso é feito a partir da estrutura da faculdade”, diz. Ruy adianta que a Eniac também busca parceria com o governo para que o programa seja ampliado. “Já conversamos com o secretário de educação e conversaremos com o governador para fazer a ponte entre as universidades, escolas estaduais e o governo do estado”, comenta.

 

Leia mais sobre o universo da educação básica em revistaeducacao.com.br

 

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Gustavo Lima


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