“Minhas falas não são bem compreendidas”, diz Milton Ribeiro

Apesar de ter atuado no ensino superior privado como reitor do Mackenzie, como frisa diversas vezes, ministro pouco fala em soluções para este lado do setor, focando nas instituições públicas

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Ministro Milton Ribeiro_Fnesp
“Se autorizarmos cursos totalmente EAD, pode ser ruim para boa parte das IES” (foto: Guilherme Veloso/divulgação)

O Ministro da Educação Milton Ribeiro explicou a polêmica declaração feita por ele em agosto para gestores e mantenedores durante o fórum anual de ensino superior, o 23º Fnesp. Naquele mês, o responsável pela pasta defendeu que “universidade deve ser para poucos”, mas na presente ocasião disse que estava apenas comparando o ensino técnico com o superior e que não foi compreendido, e que a repercussão da fala é “fruto de questões ideológicas e do analfabetismo funcional oriundo de escolhas pedagógicas equivocadas que foram feitas no passado recente no país”.

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Milton Ribeiro também se diz boquiaberto com “essa narrativa doentia que tenta atingir o governo” e que o querem, de fato, é abrir novas vagas nas federais, porém a questão esbarra na autonomia das instituições. Ele aproveitou o momento para mostrar os projetos do MEC sobre a criação de cinco novas unidades federais nas regiões norte e nordeste, onde há só uma instituição de ensino superior pública por estado.

EAD é bom, mas presencial é melhor

Para o ministro, o ensino híbrido e a distância (EAD) é uma forte tendência e ele acredita no formato, mas em sua visão a aula presencial é imprescindível para a educação, fazendo um apelo aos presentes para que não desprezem de vez os cursos presenciais, uma vez que trazem mais impacto para o processo de aprendizagem, segundo seu entendimento.

Contudo, apresentou propostas do “Reuni Digital”, que trata da expansão do ensino a distância para as instituições federais, como: ampliar o acesso e fomentar a permanência dos discentes na educação superior por meio do EAD, promoção de políticas de ampliação ao EAD, investimento em suporte tecnológico e aos estudantes em vulnerabilidade social.

Internet gratuita não é prioridade

Apesar de estar no plano um suporte tecnológico aos estudantes em situação de vulnerabilidade social, o ministro defendeu o veto do presidente em 2019, que tinha como objetivo oferecer ajuda financeira para internet de alunos e professores de escolas públicas, alegando que o setor educacional tem questões mais importantes e prioritárias.

“O que que um jovem de periferia e zona rural vai fazer com um tablet se não tem sinal de internet? O que eu estou querendo fazer com isso? Como posso investir R$3.5 bilhões para isso com mais de 6 mil escolas sem saneamento e energia elétrica ou telhados? Fiquei indignado”, declarou.

O Ministro Milton Ribeiro seguiu dizendo que muitos dos gestores presentes podem não ter entendido o porquê do veto, mas para ele o projeto estava muito ruim em termos acadêmicos, pedagógicos e até de gestão. Novamente, o ministro se pôs sob o guarda-chuva de entender as dores do setor privado, por ter atuado nele e que as pessoas de Brasília que desenvolvem tais projetos não têm a dimensão e experiência que ele possui. “Queremos soluções para assuntos que estão pendentes e são mais sérios”, concluiu.

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Autor
Jornalista | repórter na Plataforma Ensino Superior

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