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Lendas em torno de Bill Gates e Steve Jobs precisam ser superadas

Avanços significativos na área de tecnologia envolvem anos de preparação e estudos anteriores, seja nas universidades seja através de equipes multidisciplinares

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Por Luís Fernando Vitagliano*

Boa formação, progresso científico e tecnológico e uma bela dose de qualidade na gestão estão hoje no fundamento de qualquer iniciativa inovadora no mundo dos negócios. Engana-se quem pensa que os empreendedores que surgiram recentemente se formaram exclusivamente pelo brilhantismo de seus próprios cérebros.

Leia: Como ampliar a diversidade nas universidades de elite dos EUA

Para termos inovação puxada pelo empreendedorismo nos negócios não
basta que essas palavras sejam repetidas como mantra, é preciso que o ambiente do mercado seja adubado com muita formação, muito suor e, obviamente, um pouco de ideias.

Esse é o problema. Os mitos que se fazem em relação ao empreendedorismo dificultam o tratamento deste conceito no debate público. Fazem parecer que o empreendedor surge como uma força incontrolável na ordem econômica. O risco desse descuido é o de não nos prepararmos adequadamente para essa nova fase de desafios econômicos. As lendas em torno de Bill Gates e Steve Jobs, que largaram suas universidades para tornarem-se grandes inovadores no Vale do Silício são, além de exceção à regra, uma parte circunscrita da história deles próprios e de suas empresas, que não corresponde ao padrão de inovação de qualquer área em qualquer lugar do mundo.

Pé no chão

Steve Jobs e Bill Gates
Steve Jobs e Bill Gates (reproducao Flickr)

Avanços significativos na área de tecnologia envolvem anos de preparação e estudos anteriores, seja nas universidades seja através de equipes multidisciplinares que vão trabalhar na resolução de problemas e na apresentação de soluções inovadoras. Supor que hoje uma startup ainda em início de vida vai concorrer com o Google em termos de disputa de mercado é tão ilusório como supor que um talentoso iniciante em xadrez pode surpreender o experiente Bob Fischer.

Em segundo lugar é errado creditar a qualidade de um empreendedor a toda pessoa que trabalha de forma autônoma. Essa visão rudimentar de gestão serve apenas para alimentar a ilusão dos despreparados para enfrentar o mundo de grandes inovações que a indústria 4.0 exige. O empreendedor que tem relevância no capitalismo e nos negócios é aquele que tem impacto na cadeia produtiva.

Leia: Competências para o mercado: todos precisam ser líderes?

No início do século 20, quando Taylor implementou a produção em série, a proporção no chão de fábrica era de um gerente para 100 trabalhadores. Com o gerencialismo chegando às empresas, em 1948 o Bureau of Administrative Review catalogou uma média de um gerente para cada 30 trabalhadores, reduzindo em 2/3 a proporção de trabalhadores em esforço repetitivo para cada supervisor. Destacava-se na revista a necessidade de preparar melhor um maior número de profissionais para exercer trabalho de liderança. As modernas empresas de tecnologia têm cada vez menos hierarquia entre seus funcionários, construindo a noção de times. A inovação e o aprendizado organizacional venceram o procedimento padronizado da burocracia repetitiva. Ainda que uma não substitua a outra é evidente que as melhores condições de trabalho ficam para ambientes realmente empreendedores.

Ciclos

Às portas do século 21, a economia mudou de modo radical. Desde a indústria 4.0 feita pela automação e pelas impressoras 3D, seguindo para o aplicativo que controla a produção através de comandos gamificados, as possibilidades de inovação e de agregar valor são inúmeras. Abriu-se uma janela de oportunidades a novas formas de pensar a produção e sua relação com o mundo do trabalho. Planejar os diversos setores de educação, fomento, crédito, infraestrutura e tecnológico para acompanhar a marcha das mudanças é fundamental.

Esse critério que divide os inovadores do trabalho rotineiro e repetitivo na cadeia produtiva tem reflexos macros e também é forma de organizar países. Países que não atualizarem seu sistema produtivo e suas condições de trabalho não vão fazer parte do seleto grupo de líderes na economia global. O Brasil tem todas as possibilidades de tornar-se um dos países líderes, mas para isso será preciso mudar drasticamente seu sistema produtivo e a forma com que seus profissionais atuam no mercado de trabalho.

Dados do Sebrae mostram que cerca de 25% das empresas abertas no Brasil em 2016 fecharam no primeiro ano de existência. Quando recortamos esse quadro para o micro e pequeno empreendedor, a proporção cresce para 43%. Isso representa um prejuízo enorme em termos de valor. Cada negócio fracassado tem efeito na economia e na própria organização microeconômica do trabalhador. Segundo o próprio Sebrae, 34% dos donos de novos negócios no Brasil têm ensino fundamental incompleto e este é um dos argumentos do despreparo. Nossos números são desesperadores e precisam de resposta urgente.

Mão na massa

A pergunta, portanto, não é se devemos ou não tratar de empreendedorismo na análise pública e social, mas como devemos conduzi-lo? Além disso, olhar à frente é fundamental. Para ficar apenas em um exemplo, o sistema de horas de trabalho fixo controlado através de processos burocráticos tornou-se desatualizado e corresponde à parte subdesenvolvida da divisão internacional do trabalho. Se quisermos – como país, como organização ou como profissionais – disputar espaço entre os líderes do século 21 será preciso pensar que os novos profissionais de gestão terão de trabalhar em equipes multidisciplinares e que desenvolvem projetos. Essas equipes terão de contar com profissionais com inteligência para a arte e para a matemática, para a contabilidade e para a estética.

Escolas do futuro precisam preparar seus quadros para essa nova realidade. Para isso é preciso romper certas lendas e mitos que nos remetem para a formação de youtubers, de estética vazia e da falsa ilusão profissional. Isso aumenta a responsabilidade das escolas e universidades, mas também das instituições públicas de suporte. Precisamos de políticas públicas, fomento e incentivos públicos com vistas à modernização da nossa economia e do nosso trabalhador. Inovar não é algo espiritual ou espontâneo que surge em visionários. É muito mais que isso. É um projeto nacional que cria inteligência e coordena formação, projeto de longo prazo, crédito social e econômico e gestão de todos esses escassos recursos.

*Luís Fernando Vitagliano é coordenador dos cursos tecnólogos em Gestão Financeira, Gestão de Qualidade e Processos Gerenciais do Centro Universitário FMU, mestre em Ciência Política com ênfase em desenvolvimento.

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