Covid-19: na França, universitários sobrevivem em meio a apoios

Os quase 350 mil estrangeiros que residem no país europeu não conseguem retornar a seus países

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A França é o destino francófono mais procurado pelos estudantes do mundo. Quase 13% dos estudantes matriculados no ensino superior são estrangeiros. Considerados conjuntamente, os estudantes estrangeiros e franceses, somam cerca de 2.678.000 matriculados no atual período letivo das diversas instituições de ensino superior na França.

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França covid
Foto: Shutterstock

O anúncio do confinamento feito pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em rede nacional previa o retorno das atividades inicialmente para o dia 4 de maio, mas já no dia 13 de abril ele voltou a fazer um pronunciamento nacional comunicando que todas as instituições do ensino superior retomarão as atividades presenciais apenas depois das férias de verão, em setembro.

A realidade dos alunos

A medida de fechamento das universidades e faculdades, adotada no ensino público e privado, começou antes do confinamento ser oficialmente imposto em todo território francês a partir do dia 17 de abril. Na ocasião, os estudantes estrangeiros foram convidados pelo presidente a retornar aos seus países de origem durante esse período de crise.

Porém, nem todos puderam ou se sentiram seguros para retornar pelas mais diversas razões. Alguns porque temiam propagar o vírus durante a viagem e finalmente em seu país, outros porque a situação em sua terra natal era ainda pior.

O doutorando algeriano Nadir Laouar, por exemplo, que estuda em Montpellier, no sul da França, afirma que não sabe quando vai voltar: “todos os voos estão suspensos. Francamente, eu quero realmente voltar, mas não sei exatamente quando. Assim que recomeçarem os voos, eu retorno” afirma ele, que já estava com a viagem de marcada para o final de abril, mas teve que mudar de planos.

Mesmo parte dos estudantes franceses não conseguiu ou preferiu não retornar a sua cidade de origem por várias razões, entre as quais a financeira.

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Acolhimento voluntário

Viabilizar o apoio para essas pessoas tornou-se uma das atividades durante o período do isolamento para as universidades e faculdades do país.

Os restaurantes universitários, por exemplo, foram fechados também por causa do confinamento, e para garantir a alimentação dos estudantes algumas instituições de ensino estão oferecendo cartões alimentação ou cestas básicas.

Ao mesmo tempo se espalham iniciativas de estudantes voluntários que se organizam para garantir que alimentos e outros itens básicos cheguem a parte de seus colegas que apresenta problemas de saúde ou encontram-se em dificuldades financeiras.

É o caso de cerca de 2.000 estudantes confinados na Universidade de Bordeaux, no litoral sudoeste da França, onde voluntários se organizam para realizar entregas de itens básicos e acabam também oferecendo outros tipos de suporte, como resolver pequenos problemas com os computadores dos estudantes confinados.

Como a situação em Bordeaux é delicada, a Universidade afirma que os estudantes podem requerer apoio de 200 euros mensais para as despesas básicas ou 300 euros para compra de um computador para prosseguir com sua formação.

A dificuldade financeira advém também do fato de que quase todos os comércios franceses estão obrigatoriamente fechados desde a noite do dia 14, como restaurantes e bares em que muitos universitários trabalhavam. Ou seja, alguns perderam até 70% da sua renda mensal.

Além dos problemas de ordem material, o confinamento também traz à tona problemas psicológicos e emocionais. Alguns dos alojamentos dos estudantes não têm mais do que nove ou dez metros quadrados. Se durante períodos normais esse espaço é suportável dado todos os outros ambientes coletivos frequentados – seja na própria residência, seja na universidade – durante o período de quarentena, viver 24 horas sozinho nesse lugar não tem sido fácil.

Iniciativas de aproximação

As universidades também têm disponibilizado diferentes formas de suporte e ajuda psicológica, mantendo os canais de serviço médico da instituição abertos, e oferecendo serviço de apoio psicológico à distância, como na Universidade de Paris 8.

Também em Paris, uma associação criada em 2017 continua a oferecer um serviço de escuta, apoio e informações aos estudantes parisienses durante o período de confinamento devido à pandemia mundial. Chamada de Nightline, o serviço funciona com voluntários que atendem chamadas de estudantes entre 21h e 2h30 da manhã durante cinco dias na semana.

No que tange à finalização do ano escolar 2019-2020 – o período letivo na França começa em setembro e termina em junho – as universidades e faculdades em geral têm recorrido a plataformas de ensino a distância.

Na Universidade de Lyon 3, sudoeste francês, a aplicação chamada Via Classilio foi adotada e funciona basicamente com vídeo-chamadas entre o professor e os estudantes. Além de poderem ver o professor pela sua webcam, há também funções que permitem que os universitários façam perguntas e realizem trabalhos coletivos em pequenos grupos.

Exames ainda indefinidos

A estudante francesa Fanny, matriculada no mestrado de engenharia em transporte e mobilidade sustentável em Lyon 3, conta que para parte dos estudantes essa alternativa é agradável pois eles podem assistir as aulas de pijama ou tomando seu café-da-manhã, ainda que seja mais cansativo para a visão passar o dia diante de uma tela de computador.

Ela também mostra um lado negativo dessa solução, sobretudo para os professores: “para eles é mais triste, porque não veem os estudantes (que ficam com a webcam desativada para não sobrecarregar a chamada) e devem falar sozinhos com sua câmera, o que pode ser desestabilizante”.

As decisões relativas aos exames de fim de semestre e as defesas de dissertação e teses ainda não estão equacionadas em todos os estabelecimentos de ensino, os quais apesar de seguirem as orientações gerais do Ministério do Ensino Superior, da Pesquisa e da Inovação, têm autonomia para tomarem certas decisões. Como a Universidade de Nantes que tem 37.000 estudantes matriculados, havia anunciado no começo de abril que os cursos presenciais não seriam retomados antes das férias de verão (julho e agosto) e as avaliações serão realizadas à distância.

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