Professor baiano traduz a língua Iorubá para a Libras e a difunde na universidade e internet

Wermerson Silva, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, é responsável pelo projeto de extensão universitária “Construindo o saber Èdè Lamí”

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Foi o desejo de se comunicar com as crianças surdas de sua escola que levou Wermerson Meira Silva a estudar Libras quando era criança. Autodidata, o hoje professor e pesquisador da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) recorria a livros e a fitas de vídeo VHS para aprender o sistema linguístico que lhe renderia anos mais tarde uma carreira profissional e um projeto de vida.

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Mais do que se especializar no Sistema Brasileiro de Sinais, Wermerson está contribuindo com sua ampliação ao criar sinais-termos para a língua Iorubá. Até o início de sua empreitada, os termos e palavras deste léxico africano eram soletrados pelos tradutores, “deixando os deficientes auditivos à margem de toda a diversidade linguística e cultural da nação Ketu/Nagô, da qual o Iorubá faz parte. “Quando não há léxico, não há comunicação”, pontua o pesquisador.

Para difundir o vocabulário  Wermerson realiza desde 2014 o projeto de extensão universitária “Construindo o saber Èdè Lamí” (os termos significam língua de sinais). Com duração de um ano, a atividade atrai os mais diversos participantes, desde tradutores e intérpretes, até pesquisadores a deficientes auditivos interessados em estudar aspectos da história e da cultura afro-brasileira.

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O professor dos cursos de Licenciaturas e de diversos bacharelados também criou um canal no YouTube, o Axé Libras, para disseminar seus estudos em torno da terminologia afro-brasileira. “Não podemos silenciar, anular, excluir a cultura negra dentro da nossa realidade, e tampouco permitir que muitos surdos tenham sua identidade negada”, finaliza.

Libras Iorubá
Foto: reprodução internet

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