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“Falta de sentido”, o grande vilão da evasão no ensino superior

Cofundadora da edtech Cmov, Sabina Augras alerta que para enfrentar o problema as instituições de ensino precisam orientar os alunos sobre sua profissão e mercado de trabalho

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A taxa de evasão nas instituições de ensino superior (IES) continua muito preocupante no Brasil. Apesar do último Censo do Ensino Superior (2017) dizer que pelo menos 40% dos estudantes apontam as dificuldades financeiras como o principal motivo de abandono da sala de aula, pesquisas recentes demonstram que existe um outro fator que possa ser realmente o tal vilão da evasão escolar, a “falta de sentido”.

Antes de mais nada, é importante falar um pouco sobre o que significa “falta de sentido”. Uma pesquisa realizada pela Cmov em 2018 com mais de 2 mil alunos em todo o Brasil, ajuda a explicar um pouco mais esse cenário.

O resultado da pesquisa mostrou que 8 de cada 10 estudantes de graduação, em instituições públicas e privadas, não sabem o que fazer profissionalmente.

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Este resultado demonstra a grande angústia da maioria dos estudantes na busca do que fazer, que carreira seguir e como ter sucesso profissional. Tendo essa falta de propósito um papel fundamental no aumento das desistências. O problema associado a questões financeiras atinge mais de um milhão de estudantes segundo o último Censo do Ensino Superior.

Como dar continuidade a um estudo, despender recursos financeiros e tempo, se o aluno ainda não encontrou sentido para o que faz na faculdade?

Mas diante desses dados tão negativos, que tal falarmos sobre quais ações a IES poderia utilizar para diminuir esse índice?

Buscando soluções

Sem dúvida, talvez um importante caminho seria a análise da evasão frente ao investimento no apoio dos seus alunos aos temas de carreira e empregabilidade. Ajudá-los a definir sua meta de carreira, “dando sentido” ao caminho que estão trilhando. Demonstrar as possibilidades de construção de uma trajetória de sucesso e prepará-los nesse caminho.

Essa estratégia pode parecer difícil e às vezes até utópica, mas hoje temos vários exemplos de sucesso nesse sentido.

Ao analisarmos as instituições de ensino americanas, verificamos que a grande maioria delas possui sua estratégia nesta direção. Praticamente cem por cento delas investem no que chamamos de Centro de Carreira. O objetivo é apoiar alunos em questões de empregabilidade desde o primeiro dia de aula na instituição.

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Em 2017, a Cmov realizou um benchmarking em duas das maiores e melhores universidades dos Estados Unidos, a New York University (NYU) e Columbia. A Columbia está sempre na lista das top 10 universidades dos EUA e a NYU ficou recentemente em primeiro lugar no ranking de empregabilidade da Times. O principal objetivo da pesquisa foi o de tentar identificar os principais fatores de sucesso dos Centro de Carreira dessas instituições.

Eles perceberam que um dos pilares mais importantes nessa construção é apoiar o aluno na sua empregabilidade, definição da sua meta de carreira, ou seja, “buscar o sentido” e prepará-lo nesta direção. E quanto mais cedo isso ocorrer, maiores serão as chances de sucesso.

É importante fazer com que o estudante compreenda que definir um objetivo não significa “assinar” um cheque em branco para a vida toda. Fazê-lo entender que a carreira pode e vai mudar ao longo da vida e que para dar um primeiro passo é importante definir um objetivo e se preparar para ele. A partir daí as chances de sucesso serão sem dúvida, muito maiores.

Outro ponto importante, é que o aluno não precisa chegar aos últimos anos da faculdade para começar a refletir sobre isso. O quanto antes ele pensar, experimentar e vivenciar essa possibilidade de carreira, mais preparado e seguro estará para a sua decisão. Até porque, precisamos experimentar para ter certeza se é isso, ou não, que queremos como objetivo.

Como diminuir os números da evasão?

A alta taxa de evasão atinge tanto instituições públicas quanto privadas, mas é nessa última o maior índice. Segundo os dados do Censo, esse número chega a 30% e nos primeiros períodos de faculdade, é ainda maior.

Neste caso, além do prejuízo financeiro, a evasão também interfere na imagem da instituição. Para lidar com o problema destacamos aqui algumas ações que podem apoiar o aluno na busca do “seu sentido”, reduzindo a evasão e aumentando a sua empregabilidade.

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Ajudá-los a definir sua meta de carreira, “dando sentido” ao caminho que estão trilhando. Demonstrar as possibilidades de construção de uma trajetória de sucesso e prepará-los nesse caminho, defende Sabina (foto: Shutterstock)

Incentivar o aluno a adquirir vivência profissional durante a faculdade

Uma das formas mais efetivas do aluno ‘validar” a sua escolha profissional e qual carreira seguir é através da vivência e da experimentação. Como já dissemos, o quanto antes ele fizer isso, mais tempo terá para validar sua meta de carreira e se preparar para ela.

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Existem inúmeras formas simples e efetivas de realizar essa “experimentação”. Estágios, intercâmbios, trabalhos voluntários, trabalhos temporários ou até mesmo projetos incentivados nas próprias instituições são formas efetivas de se vivenciar e validar uma meta de carreira.

Promover parcerias e apoiar os alunos nessas atividades farão toda diferença no aprendizado e nível de engajamento dos alunos.

Investir em eventos e mentoria de carreira

Aproximar o aluno do mercado de trabalho permitirá que ele tenha cada vez mais visibilidade das possibilidades que o mercado apresenta e no que ele precisa se desenvolver.

Feiras de carreira, workshops, visitas a empresas, palestras, entre outros, são momentos muito importantes de contato do estudante com o mercado de trabalho. Promover mentorias de carreira, facilitando encontros voluntários de profissionais com experiência no mercado com estudantes é uma forma muito efetiva de aprendizado e construção de networking. E também uma importante ação de apoio aos estudantes nas suas angústias e dúvidas de carreira é uma forma de aproximá-lo do seu objetivo profissional, tornando-o mais tangível.

Investir em plataformas online de apoio ao estudante

O ambiente virtual está ganhando cada vez mais espaço nas instituições e tem sido cada vez mais aprimorado com implementações que facilitam a interação, como é o caso das plataformas baseadas na gamificação.

Investir nesses recursos que possuem um sistema amigável e de fácil acesso garante agilidade no processos e ganhos de escala. São opções que ultrapassam soluções pontuais de carreira para os estudantes. Dessa forma, permite alcançar um número cada vez maior de alunos.

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A Plataforma de Carreira da Cmov, por exemplo, oferece um método de apoio aos estudantes na definição do seu objetivo de carreira e acesso ao mercado de trabalho. Tudo dentro de um mesmo sistema. Permitindo uma solução de carreira para todos os alunos.

São testes de perfil, ferramentas de avaliação de competências, capacitações, simulador de currículo, construção de networking, técnicas de entrevista e outros recursos que podem ser oferecidos pela IES para seus estudantes através de uma plataforma virtual com indicadores de resultado e qualidade.

Conclusão

O ponto que tentamos trazer para reflexão nesse artigo é que a problemática da evasão no ensino superior, considerando principalmente as instituições privadas, pode ter raízes muito mais profundas do que a dificuldade em pagar a mensalidade.

Cada vez mais o simples fato de investir em uma graduação para adquirir conhecimento já não é suficiente para manter a maioria dos alunos. É preciso que esse espaço de ensino faça sentido de alguma outra forma.

A cada dia as angústias e dúvidas dos alunos parecem estar maiores. Acreditamos que a IES que assumir essa tarefa de trazer novas soluções para seus estudantes — na diminuição dessa angústia — e facilitar o acesso ao mercado de trabalho, fará toda a diferença.

Ajudá-los a “buscar o sentido” e a perceberem que a instituição os apoia e investe efetivamente em sua empregabilidade fará com que a IES seja percebida como um enorme diferencial na vida desse aluno. A redução da evasão aparecerá como consequência direta desse apoio e investimento.

*Sabina Augras é psicóloga e cofundadora da Cmov

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